terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Harppia: especial parte 2 (sete)


Introdução
Sem sombras de dúvidas o número sete é o mais significante em toda filosofia, literatura sagrada, natureza, mitos e representações. Encontramos o sete em vários setores da cultura, seja através de ditados populares como:
“Guardar um segredo a sete chaves”, “o gato tem sete vidas” e “isso não é um bicho de sete cabeças”.
 Até assuntos gerais como:
“As sete maravilhas do mundo”, “os sete Reis de Roma”, “os sete sábios da Grécia”, “os piratas dos sete mares”, “os sete pecados capitais”, “as sete virtudes” e “as sete ciências do mundo antigo”.
No campo religioso o sete também é explorado de várias formas e condições:
-Na umbanda temos as setes linhas, os setes Orixás, os Exus das sete encruzilhadas e os Caboclos que usam sete flechas.
– Na sociedade teosófica e maçonaria encontramos os sete raios espirituais, os sete corpos, os sete chacras e as sete hierarquias espirituais ou angelicais, além claro, dos sete princípios herméticos.
 -Na Bíblia sagrada podemos encontrar em apocalipse as sete igrejas, os sete selos, as sete trombetas, os sete anjos, as sete taças e, finalmente, a vitória do Cordeiro representada através do número 777.
Não podemos esquecer também que quase todas as religiões concordam que a criação do mundo foi consolidada em sete dias.
Curiosamente na natureza também encontramos o número sete de forma bem abrangente:
Temos as sete cores do arco Iris, os sete pontos de referência no mundo tridimensional (frente, traz, direita, esquerda, acima, abaixo e centro), os sete elementos básicos do universo (Força nuclear forte, força nuclear fraca, força eletromagnética, força gravitacional, neutros, eletros e quarks), e para finalizar, os grupos de sete vértebras, os sete orifícios do crânio, e a mudança da personalidade a cada sete anos.
Considerado o número da perfeição, o sete também serviu de tema para expressões artísticas variadas, desde a 1ª Arte com a música sendo representada através de sete notas musicais, até a 7ª Arte com vários filmes abordando o tema. Como aqui o que importa para nós é a 1ª Arte, falarei de uma das mais importantes e pioneiras bandas de Heavy Metal do Brasil, o Harppia, e de seu “cabalístico” disco “Sete”.
Saiba mais sobre o Harppia na primeira parte deste especial clicando no link abaixo:
O disco “Sete”
Após o sucesso eminente do EP “A Ferro e Fogo”, o Harppia sofre uma significativa mudança na formação. O baterista Tibério Luthier assume o comando da banda e recruta novos músicos, dentre eles grandes nomes do Rock/Metal nacional como por exemplo o excelente vocalista “Percy Weiss”, ex- Made in Brazil e Patrulha do Espaço.
Tibério com o intuito de se igualar profissionalmente e performaticamente às grandes bandas norte americanas e europeias, faz um grande investimento em equipamentos, adquirindo 12 amplificadores de guitarra Majors Marshall (cabeçote e 2 caixas cada), 4 amplificadores para baixo Ampeg 400 (cabeçote e caixas com 10 falantes), P.A.s, iluminação com o que havia de mais moderno no mercado e sua lendária Bateria de Fogo Luthier. Com um time e equipamentos de primeira linha, o Harppia entra em estúdio para a gravação de mais um clássico da banda, o mais que interessante “Sete”.
Considero o disco um dos primeiros a seguir um padrão, digamos, “conceitual” a ser produzido por uma banda de Heavy Metal no Brasil. Assim como o Iron Maiden, que traz um tema principal e depois explora esse elemento com músicas variadas dentro do álbum, “Sete” segue esse exemplo adicionando elementos criativos e interessantes em relação ao significado de seu nome.
 Vamos a alguns deles:
O álbum foi gravado no ano de 1987 e contém sete músicas. A música de número sete do LP chama-se “sete” e contém sete minutos, sem contar que a primeira faixa do trabalho chamada “Na Calada Da Noite” foi concebida sobre o compasso 7/4.
Na capa também podemos encontrar algumas representações:
Se medirmos de ponta a ponta a asa da harpia, teremos 28 centímetros (múltiplo de sete). A primeira e última letra do nome da banda (que coincidentemente tem sete letras) medem sete centímetros cada, e se repararmos no “H”, perceberemos que a ponta superior esquerda forma o número sete. Lembrando que essas medidas só podem ser encontradas na versão original lançada em vinil.


No site oficial da banda o grupo convida os ouvintes a descobrir o enigma do sete e como ele está distribuído no álbum. Faço o mesmo desafio a vocês, se descobrirem algo referente que não foi citado nesta matéria deixe nos comentários que atualizarei o texto.

(!) Atualização:
Após a publicação da matéria, o próprio Harppia através de seu perfil oficial do facebook alertou haver mais sete elementos na contracapa que contém o número sete.

Depois de quebrar uma pouco a cabeça tentando descobrir sem sucesso estes pontos, “Aya Maki” (Guitarrista atual do Harppia), através do WhatsApp e com a ajuda de “Tibério “Luthier” Correa” me ajudou com essa questão:
Se reparamos na diagramação da lista de músicas, perceberemos que ela forma o número sete.
O ano escolhido para a gravação, 1987, tem mais um sentido logico. Além de ser o ano sete da década de 80, se somarmos todos os números do ano (1+9+8+7) teremos 25 como resultado, somando esse resultado (2 + 5) teremos mais um sete .

Sendo assim, os sete elementos da contracapa são:
– Sete musicas
– A música sete chama-se “sete”
– A faixa de abertura (Na calada da noite) é um 7/4
– O logo do Harppia formado por sete letras
– O ano de lançamento é o ano sete da década de 80
– Se somarmos os números do ano de lançamento do álbum teremos um sete
– A diagramação da ordem das músicas forma um sete
Tibério também destacou que a ausência do guitarrista “Flávio Gutok” na foto da contracapa, foi devido a um sério acidente que o musico sofreu, deixando o mesmo entre a vida e a morte. A dedicatória para ele no encarte foi devido a este fato.
Resenha
Musicalmente o álbum segue a mesma linha do EP “A Ferro e Fogo”, com um Heavy Metal tradicional cantado em português repleto riffs e climas.
O disco abre com a forte “Na Calada da Noite”. A faixa traz 55 segundos de introdução onde ótimas dobras de guitarras antecipam a viciante linha vocal de Percy Weiss. Não posso deixar de destacar os excelentes solos e principalmente as pesadas bases compostas para eles.
Realmente as guitarras são um ponto forte em “Sete”, uma prova é a introdução de “Voz da Consciência”. Com um solo digno de respeito, essa faixa é uma de minhas favoritas, tanto por sua bela melodia e clima, quanto por sua letra e técnica. Sem sombras de dúvidas “Voz da Consciência” é um clássico do Heavy Metal nacional.
Seguindo o exemplo do hino “Salem (A cidade das Bruxas)”, “Magia Negra” discorre sobre o “ocultismo”, onde um homem luta para desprender-se das forças obscuras. Aqui podemos perceber um ar meio Iron Maiden da época do Killers, composto por um baixo muito marcado e competente.
Uma das músicas mais bonitas já compostas pelo Harppia é a carismática “Balada”. A canção tem uma marcante letra recitada sobre dedilhados de violão e arranjos de teclado. Devido ao seu clima saudoso e brando, a faixa esta sendo usada no documentário “Brasil Heavy Metal” em homenagem aos músicos de nosso cenário que já não estão mais entre nos.
Após a reflexão de “Balada”, a porrada volta a tomar conta do disco com uma sequência matadora, “Guerra” e “Aids”. Ambas as faixas trazem aquele Heavy Metal oitentista digno e competente. “Aids” por exemplo é quase que uma “versão” nacional de “Doctor Doctor” do U.F.O, porém recheada daquela pegada “Harppiana” tão aclamada pelos fãs. Vale lembrar que esta faixa marcou uma geração de bangers Brasileiros que cantavam a pleno pulmões seu marcante refrão.
A música “Sete”
A faixa “Sete” representa poeticamente tudo aquilo que podemos definir como Heavy Metal, e com toda certeza foi um marco para o metal nacional. O conceito gira em torno de uma oração aos demônios, sete deles pra ser mais preciso.
Segundo o vocalista Percy Weiss, a faixa foi inspirada num livro inglês de antropologia sobre os medos que assolam a humanidade. Percy não lembra o nome do escritor ou mesmo o título do livro, porém relata que o trabalho foi resultado de uma pesquisa que durou mais de vinte anos.
A famosa oração foi encontrada em escavações na antiga babilônia a dois mil anos antes de cristo, escrita em uma tabuleta feita de barro cozido. Percy afirma que a oração não é uma convocação aos demônios, mais sim uma conjuração de afastamento, e que não usou a oração de forma literal na música, porém descreveu os sete demônios  da mesma forma que foram resenhados no livro.
Acompanhe um trecho da letra:
Eles são sete, Sete eles são
No profundo Oceano, Sete eles são
Estão vivendo entre o Céu e a Terra

Engendrados nas profundezas do Mar

“Sete” tornou-se um clássico do Heavy Metal nacional, marcando época e mostrando muitas peculiaridades, principalmente na edição original distribuída pela própria banda, que contém um carimbo dourado escrito SETE no canto superior esquerdo.

Se gosta de Heavy Metal nacional, história e dedicação, corra atrás deste disco.
Indispensável!!
Line Up:
Percy Weiss – vocal;
Filippo Lippo – guitarra;
Flávio Gutok – guitarra;
Cláudio Cruz – baixo;
Tibério “Luthier” Correa – bateria.
Track List:
Na Calada da Noite;
Voz da Consciência;
Magia Negra;
Balada;
Guerras;
AIDS;
Sete

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Harppia: especial parte 1 (A Ferro e Fogo)


Introdução
“Segundo uma tradição, as Harpias uniram-se ao vento zéfiro e tiveram flogeu e Harpago, cavalos dos Dióscuros.”
Com esta frase coberta pelo mando da mitologia Grega inicia-se o primeiro registro de uma das mais importantes bandas de Heavy Metal do Brasil, o Harppia. A frase presente no EP “A Ferro e Fogo” traz o conceito lírico por traz da faixa instrumental “Harpago” que abre o EP, mostrando que o grupo dispunha de um toque cultural e visceral.
Formado em meados de 1983 na cidade de São Paulo, o grupo (que no princípio chamava- se “Via Láctea”) era composto por Jack Santiago (Voz), Hélcio Aguirra (Guitarra), Marcos Patriota (Guitarra), Ricardo Ravache (Baixo) e Zé Henrique (Bateria). Essa formação foi alterada em 1984 com a saída de Zé Henrique que cedeu as baquetas para o lendário Tibério Correa Neto.
O EP “A Ferro e Fogo”
Logo após a entrada de Tibério, a gravadora “Baratos e Afins” convida o grupo para participar da primeira edição da clássica coletânea “SP Metal”. Entretanto, Tibério que acreditava no potencial do grupo propõem para agravadora a realização de um EP com cinco músicas, desta forma, em 1985, o Harppia conseguiu forjar na história do Heavy Metal nacional o excelente “A Ferro e Fogo” o primeiro EP do estilo a ser gravado no Brasil.
O disco é simplesmente matador e recheado de clássicos, como por exemplo a faixa “Náufrago”, que narra de forma poética os acontecimentos e sentimentos de uma pessoa diante um naufrágio. A canção é quase que uma premonição do famoso filme “Náufrago”, estrelado por Tom Hanks, que seria lançado no ano 2000.
Acompanhe um trecho da letra:
“A solidão há de o matar
Antes da morte chegar
Faz do tempo um ser fatal
É a solidão mortal”.

Outra faixa de destaque é a instrumental “Incitatus”, a canção faz referência ao cavalo do imperador de Roma Calígula. Segundo a história o extravagante imperador dividia sua comida e até mesmo sua cama com o cavalo. Porém a faixa que mais se destacou (tornando-se o Hino do Heavy Metal paulista na época), foi a icônica “Salém a cidade das bruxas”.
A faixa discorre sobre os reais acontecimentos ocorridos no ano de 1692 na cidade de Salém. Localizada no Estado americano de Massachusetts, no Condado de Essex, Salém ficou famosa depois que 200 pessoas foram acusadas de bruxaria, no qual 20 delas acabaram sendo executadas em consequência destas acusações.
A História
No período do século XVII em Massachusetts, muitas pessoas temiam que o Diabo adentra-se em sua comunidade e destruísse seus preceitos cristão. Além deste medo constante, um incomodo ainda maior (a meu ver), estava ligado a uma série de fatores políticos e econômicos, sem contar as epidemias de varíola, a quase que descontrolável rivalidade entre famílias dentro da Colônia, além de ameaças diárias por parte de tribos nativas vizinhas.
Foi sob este verniz de medo e crise que em janeiro de 1692 um dos períodos mais obscuros da história América começou a tomar forma. Quando a jovem Abigail Williams de 11 anos de idade mais sua prima Betty Parris de 9 anos adoeceram, tudo começou!
A tal doença era composta por comportamentos nada comuns. As meninas as vezes ficavam mudas, paralisadas, em alguns momentos pareciam ser sufocadas por uma força invisível, além de alegarem ter seus corpos puxados e torcidos contra a sua vontade. Desesperado, o pai de Betty e também reverendo Samuel Parris procurou ajuda médica, e para o espanto de todos, o veredito do doutor foi estarrecedor, as crianças estavam enfeitiçadas pelo Diabo!
Logo a notícia se espalhou e outras duas meninas de Salém – Ann Putnam Jr e Elizabeth Hubbard – começaram a apresentar os mesmos sintomas. Orações e jejuns comunitários foram organizados pelo Reverendo, porém sem nenhum resultado. Depois de muita pressão as meninas apontaram três mulheres: Tituba (índia escrava do Reverendo Parris), Sarah Good e Sarah Osborne como as responsáveis pela fonte de suas aflições. Tituba a princípio negou ser uma bruxa, mais a pressão e principalmente o teatro das meninas acabaram fazendo a escrava “confessar” seu “crime”.
Tituba quando cuidava das meninas contava para as garotas histórias de sua cultura natal, a escrava narrava acontecimentos pessoais e também coisas sobre a religião de seu povo, que incluía magias e vodu. Apesar de ser muito comum para ela, isso talvez tenham influenciado negativamente as meninas, que impressionadas, acabaram ligando os relatos de sua cuidadora ao mal que sofriam no momento.
Sofrendo muito com a pressão, além dos desgastes físicos e morais impostos pelo júri, Tituba cedeu e concordou que era culpada por causar danos às meninas por intermédio da magia negra, e que só fez isso a mando de Sarah Good e Sarah Osborne.
Depois de muitas confusões e vários dias de “julgamento”, o número de meninas com os mesmos sintomas aumentou, sem contar que várias outras pessoas foram acusadas de bruxaria. Muitos afirmavam sofrer acusações por pura e simples rivalidade pessoal. Numerosas teorias sugerem que as meninas estavam sofrendo de epilepsia, doença mental, abuso infantil, ou delírio provocado pela ingestão de centeio infectado com algum fungo.
O fato é que muitas pessoas foram enforcadas jurando nem mesmo saber o que é uma bruxa. Os julgamentos eram baseados apenas nas acusações das meninas, sem provas, se a pessoa acusada simplesmente olhava para as meninas, eles caíam em ataques, choravam e começavam a se contorcer, a cena extravagante acabava servindo de prova.
Os julgamentos só tiveram fim quando o uso da prova espectral (evidências baseadas em sonhos e visões), foi declarado inadmissível. Vale ressaltar que esses julgamentos tinham como base os mesmos princípios usados pela “santa” inquisição. As torturas e os tramites dos julgamentos eram todos sustentados pelo Malleus Maleficarum.
Criado em 1486 por dois membros da ordem dominicana e inquisidores da Igreja Católica, H. Kramer e Jacob Sprenger, o Malleus Maleficarum servia de guia para o inquisidor. O livro é praticamente um manual de como reconhecer, julgar e punir uma bruxa. Durante 4 séculos este livro foi oficialmente o manual para a caças as bruxas, condenou à morte e tortura mais de 100 mil mulheres sob o absurdo pretexto de serem bruxas.

Confira a lista com os acusados e suas respectivas sentenças:
Considerados culpados e executados:


Bridget Bishop (10 de junho de 1692)
Sarah Good (19 de julho de 1692)
Elizabeth Howe (19 de julho de 1692)
Susannah Martin (19 de julho de 1692)
Rebecca Nurse (19 de julho de 1692)
Sarah Wildes (19 de Julho , 1692)
George Burroughs (19 de agosto de 1692)
Martha Carrier (19 de agosto de 1692)
John Willard ( 19 de agosto de 1692)
George Jacobs  (19 de agosto de 1692)
John Proctor (19 de agosto de 1692)
Alice Parker (22 de setembro , 1692)
Mary Parker (22 de setembro de 1692)
Ann Pudeator (22 de setembro de 1692)
Wilmot Redd (22 de setembro de 1692)
Margaret Scott (22 de setembro de 1692)
Samuel Wardwell (22 de setembro de 1692)
Martha Corey (22 de setembro, 1692)
Mary Easty (22 de setembro de 1692)
Recusou-se a fazer um acordo e foi torturado até a morte:
Giles Corey (19 de setembro de 1692)
Resenha da faixa
Logo no início da canção Jack Santiago canta a ambientação lírica da faixa:
“Meados de 1692;
Trinta e quatro pessoas são executadas;
A acusação… feitiçaria;
Cidade… Salém…”
A faixa menciona que foram 34 pessoas executas, entretanto, como pudemos ver nesta matéria, foram executadas 19 pessoas por enforcamento e uma por tortura. A questão é que Salém era dividida em duas partes, “Vila de Salém” (que ficava próxima a baia, onde eram tratados assuntos comerciais), e “Aldeia de Salém” (que era bem afastada e cuidava da agricultura). O caso mencionado aconteceu na Aldeia de Salém, porém, tempos depois alguns pesquisadores sugeriram que na Vila de Salém mais bruxas teriam sido executadas, aumentando o número de mortes para 34, mais isso não passa de especulação.
Musicalmente a faixa é um Heavy Metal tradicional cantado em português e coberto de riffs viciantes. O canto na introdução traz junto da voz principal um gutural distorcido, dando a canção um ar sombrio e pragmático.
Não posso deixar de citar também a pegada firme de bateria que acompanha os interlúdios com ótimas viradas, e claro, o forte solo de baixo cravado aos 5:00 minutos de música.

A letra de” Salém a cidade das bruxas”, não narra de forma didática os acontecimentos ocorridos na cidade, mais sim faz menções do acontecido frisando a estigma do local. Hoje em dia Salém realmente tornou-se oficialmente a cidade das bruxas, com vários seguidores da Wicca residindo no local, inclusive Laurie Cabot, que foi declarada pelo governador Michael Dukakis como a bruxa oficial de Salém.
Line-Up:
Jack Santiago (vocal)
Marcos Patriota (guitarra)
Hélcio Aguirra (guitarra)
Ricardo Ravache (baixo)
Tibério Corrêa (bateria)
Track-List
 Harpago
Salém (A Cidade das Bruxas)
Náufrago
A Ferro e Fogo
Incitatus
Asas Cortadas

Fontes:
All about History – Issue 36, 2016. Salem Witch Trials – The real story behind the Crucible by Willow Winsham.

Malleus Maleficarum (O Martelo das Bruxas) http://www.malleusmaleficarum.org/

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Coven: os peregrinos do Rock obscuro



Quando Aleister Crowley disse: “Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei”. Não imaginou que o hedonismo proposto seria usado por conservadores para chamar de satanistas aqueles que pregavam a liberdade. O Rock é um dos exemplos, a velha máxima “sexo, drogas e Rock N’ Roll” tornou-se uma afronta aos preceitos religiosos, e logo ligada ao satanismo devido uma aparente individualidade.
Claro que os argumentos da igreja em relação ao tema são mais profundos, porém a meu ver errôneos. Sabemos que o aspecto libertário, rebelde e contestador se deve apenas a uma forma simbólica que o Rock usa contra padrões impostos. Porém quando o ocultismo passou a fazer parte do enredo lírico de discos e músicas, a Igreja logo sentenciou: “O Rock é coisa do Diabo”!
A estigma tornou-se tão forte (e rentável), que algumas bandas passaram a adotar abertamente temas satânicos, anticristãos e pagãos. Uma das primeiras a assumir esse lado “obscuro” foi a estadunidense Coven.
Formado no final dos anos 60 para os 70, o Coven antes mesmo do Black Sabbath já regava suas músicas com o lado negro da vida. Muitos alias dizem que o Black Sabbath se inspirou no Coven para seguir esse lado oculto. Coincidência ou não, a primeira faixa de seu debut chama-se BLACK SABBATH e seu baixista OZ OSBOURNE…
A vocalista Jinx Dawson foi peregrina em fazer os famosos “chifrinhos” com a mão, bem como a primeira a usar a expressão “Hail Satan” no Rock, além de se apresentar com pentagramas e crucifixos invertidos. O grupo também fez um vídeo para a faixa título de seu terceiro álbum, Blood On The Snow, sete anos antes da MTV.

A banda levava tão a sério sua temática que chegou a registrar uma missa negra em seu disco “Witchcraft Destroys Minds And Reaps Souls”, até o nome do grupo tinha uma conotação “obscura”. Coven é o nome dado a um grupo de bruxos(as), que se unem num laço mágico, físico e emocional, sob o objetivo de louvar a Deusa e o Deus, tendo em comum um juramento de fidelidade à Arte e ao grupo.
A missa negra presente no debut do grupo é a última faixa do disco e contem 13 minutos de duração. Intitulada “Satanic Mass”, a tal “missa” foi na verdade escrita pelo produtor da banda Bill Traut, da Dunwinch Productions, tendo como base uma missa satânica real, acompanhe um pequeno trecho da letra:
Sino Altar (tocar nove vezes para invocar o espírito Satanás.)
Coven (Invocação – Cantar na língua antiga de conjurar Satanás do abismo infernal):
“Bagabi laca bachabe Lamac cahi achababe.
Karrelyos Lamac Lamac bachalyas Cabahagy sabalyos Baryolos
Lagoz atha cabyolas
Samahac et famyolas
Harrahya”
Sumo Sacerdote (diz):
“”Em nome de Satanás, o governante da Terra, o Rei do mundo, o Chefe do Servos, eu ordeno que as forças das trevas venham à conceder o seu poder infernal sobre nós. Salva-nos, Senhor a Satanás, pelo traiçoeiro e violento. Oh Satã, o Espírito da Terra, o Deus da liberdade, abram as portas do inferno, e saiam da fortaleza do abismo por esses nomes: “”
Sumo Sacerdote e Coven gritam!! “Satan! Beelzebub! Leviathon! Asmodeus! Abaddon!

Pra quem tiver curiosidade aconselho procurar pelo álbum “Witchcraft Destroys Minds And Reaps Souls”, as músicas são excelentes, sem contar a icônica arte gráfica que traz fotos de um ritual satânico, onde a cantora Jinx Dawson aparece nua sobre uma mesa como “oferenda”, um prato cheio para amantes da música negra.

Integrantes:
(Formação Original)
Oz Osborne (Baixo)
Chris Nielsen (Vocais, Guitarra)
Rick Durrett (Teclado)
Steve Ross (Bateria)
John Hobbs (Piano)
Jinx Dawson (Vocais, Teclado)
Discografia:
Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls – 1969
Coven – 1972
Blood On The Snow – 1974
Metal Goth Queen, Out of the Vault, 1976-2007 – (2008)

sábado, 21 de janeiro de 2017

Resenha: Vivalma – Human Effect (2013


A autobiografia junto ao verniz musical sempre deu origem a inspirados álbuns, como exemplo, o famosíssimo disco “The Wall” do Pink Floyd. Aqui em terras tupiniquins essa matemática pode ser calculada através de um expressivo e filosófico disco chamado “Human Effect”.
A banda paulista Vivalma lançou em 2013 em formato digital, e em 2014 em formato físico, o mais que excelente disco conceitual “Human Effect”. Com uma arte gráfica digna de aplausos e uma gravação muito caprichada, o disco duplo é carregado de um Prog Metal consistente e por deveras inspirado.
O conceito do álbum é ligado a três  músicas: “Envision, Pt. I (Genesis)”, “Envision, Pt. II (Young Blood)” e “Envision, Pt. III (Echoes)” e conta a história de um vidente que através de suas visões observa a história de outros personagens existentes nas demais músicas do trabalho.
A primeira parte (Genesis) conta um pouco sobre a vida do pai do personagem “central” até o seu nascimento, além de relatar um pouco a relação entre dois. A segunda parte (Young Blood) fala sobre o amadurecimento e crescimento do personagem frisando o conflito que ele sofre por não saber lidar com seu dom. Já a terceira parte (Echoes) narra a aceitação do personagem junto aos seus poderes e como ele consegue usufruir e lidar com seu magnífico dom.

Musicalmente falando é desnecessário frisar que o disco carrega músicas lindas e inspiradas, visto o capricho e técnica dos membros, além, claro, de uma excelente produção feita por Brendan Duffey e Adriano Daga (produtores de bandas como Angra, Almah, Andre Matos, Kiko Loureiro, Dr. Sin, entre outros). Todas as músicas são envolventes e recheadas de um Prog Metal muito bem executado com pegadas pesadas junto a temas mais brandos.
Um ponto que ressaltarei é o uso de códigos Morse na música “Locked and Fading”, esta que por sinal é uma das mais legais do álbum. A faixa fala sobre as várias “máscaras” que usamos diariamente para podermos lidar com situações diferentes do nosso dia a dia, e por estarmos acostumados a usar essas “máscaras” corriqueiramente acabamos esquecendo quem realmente somos de verdade. Sobre o código Morse o vocalista Marco Petucco disse o seguinte: “A gente escreveu em código morse, ouviu, deixou mais lento e tentou decorar aquilo, que acabou evoluindo para a quebradeira que saiu na versão final”
Human Effect é com certeza um dos melhores discos de Prog Metal já lançados aqui no Brasil, um disco homogêneo, inteligente e bem tocado. As músicas “Envision” I, II e III são sim as que mais chamam a atenção, tanto por suas linhas melódicas quanto por sua temática e exuberância, em suma, um disco indispensável em sua coleção.
Nota: 9,0 
Lista de faixas:CD 1:
01 – Envision, Pt. I (Genesis)
02 – Envision, Pt. II (Young Blood)
03 – Over The State
04 – Solitude
05 – Proudhome
06 – Deviant
07 – Envision, Pt. III (Echoes)
CD 2:
01 – Locked and Fading
02 – Touch, Feel and Flow
03 – Vivalma

Formação:
Marco Petucco (vocal);
Odilon Gonçalves (guitarra);
Raphael Filt (baixo);
Lello Araújo (bateria);
Gus Martins (teclados).