quarta-feira, 17 de maio de 2017

Paul McCartney: Cartas psicografadas comprovariam sua morte



Muitas lendas envolvem o mundo do Rock/Metal. Uma muito discutida é sobre a possível morte de Paul McCartney (Beatles) em um acidente no ano de 1966 e sua substituição por um sósia chamado Willian Campbell. 

Saiba mais sobre a "lenda": A morte de Paul mccartney

Essa "lenda" somada a religiosidade será o tema deste texto, pois segundo a médium e clarividente Cleia de 33 anos, Paul realmente esta morto, porém diferente do enredo proposto ele não morreu num acidente, mais sim foi assassinado.

A médium afirma entrar em contato com o músico em seções espiritas. Cleia junto de mais duas pessoas (a sensitiva Maria Lúcia Borges e a médium vidente e escrevente Lourdes Prioto), estão com cartas psicografadas de Paul que revelam a verdade sobre sua morte.

Antes de detalhar o caso vou explicar aqui o porquê dele ser relevante:

Não é segredo nenhum pra quem acompanha, ou tem ciência do espiritismo, que cartas psicografadas são levadas a sério. Muitas destas cartas chegaram a revelar coisas pessoais para os envolvidos e até mesmo já foram usadas como provas em julgamentos. Mesmo o cenário citado transpassar sentimentos surreais, principalmente para quem não acredita no assunto, é um fato que a Justiça brasileira tem levado em conta (a algum tempo) provas como essas para absolver réus.

Na década 70 o médium Chico Xavier psicografou o depoimento de Henrique Emmanuel Gregoris, assassinado por João Batista França durante uma brincadeira de roleta russa. No mesmo ano, o líder espírita psicografou a carta de Maurício Garcez Henriques, morto acidentalmente por José Divino Gomes. Nos dois casos, o juiz Orimar Pontes aceitou o depoimento póstumo das vítimas e os jurados absolveram os réus.

Em 1980, em Campo Grande, outra vez um escrito de Chico Xavier esteve nos tribunais como prova da inocência de alguém. José Francisco Marcondes Maria foi acusado de matar a sua mulher, Cleide Maria, ex-miss Campo Grande. O médium recebeu o espírito de Cleide. Com o depoimento, José Francisco foi absolvido. Em novo júri, chegou a ser condenado, mas a pena já estava prescrita. (Fonte, site consultor judiciário: http://www.conjur.com.br)

Visto a importância das psicografias e como elas já fizeram parte do nosso judiciário, voltemos ao caso...

A morte de Paul McCartney segundo essas psicografias, além de ser comprovada, adoçam a história com acontecimentos antes desconhecidos. Paul teria sido assassinado em nome de um pacto onde até mesmo a coroa britânica estaria envolvida, e Willian Campbell (o sósia) seria um fantoche consciente da situação. 

Cleia afirma que muitas coisas ainda serão elucidadas, já que Paul quer que a verdade seja esclarecida. Uma nova psicografia foi prometida onde mais detalhes serão revelados.Sendo verdade ou não (pois num caso assim a descrença fala mais alto), um relato de Paul McCartney (ou Willian Campbell) numa entrevista para a BBC me chamou atenção:

O ex-Beatle relatou que obteve a ajuda do espírito de George Harrison, morto em 2001, para escrever a música “Friends To Go”, do álbum “Chaos and Creation In The Backyard”, gravado em 2005.

“Eu simplesmente tive esse sentimento, isso é George. Eu era como George, escrevendo uma de suas músicas. Eu só escrevi com muita facilidade porque não era eu quem estava escrevendo”.

Paul afirma não saber o significado da faixa, porém devido ao verso “I’ve been sliding down a slippy slope, I’ve been climbing up a slowly burning rope” (tenho deslizado em uma descida escorregadia, tenho escalado uma corda que se queima lentamente) Paul julga que realmente a canção é de George, muito devido a semelhança com as canções compostas pelo músico em vida.


Não seria essa frase um aviso de George? Estaria esse sósia “deslizado em uma descida escorregadia e escalando uma corda que se queima lentamente”?  Bom, resta apenas imaginarmos até quando esse pavio sustentará essas histórias e cabe a vocês julgarem se isso é um fato ou simplesmente um conto de fadas surreal. 

Confira a carta de Cleia intitulada "Carta para o mundo Espiritual" direcionada  a"Paul". A carta foi publicada no jornal "Novo Tempo" de Itumbiara:


CARTA PARA O MUNDO ESPIRITUAL

VAI DE CLEIA BORGES PARA O EX BEATLE JAMES PAUL MCCARTNEY DESENCARNADO EM 1966- INGLATERRA.

Meu companheiro e amigo de outras jornadas, queria conseguir lhe dizer tudo que sinto por você nesta carta e  também revelar todas as verdades ocultadas sobre você até hoje,  e que ninguém sabe, mas terei outras oportunidades  para isso.
Alma gêmea de minha alma, sei que estivemos juntos em algum lugar do passado e que até agora nos temos aguardado cada um com sua vida, mesmo que em dimensões diferentes e com outras realidades de experiências vividas. Sinto que te amei muito, a memória não recorda mas meu coração sim e por isso sempre busquei por você, sempre com um vazio e saudade enormes dentro de mim, cega que era nunca pensei que estava desde o início do meu lado. Se soubesse teria evitado tantas coisas
Em algum lugar no tempo ficou escrito que o AMOR é para sempre.  Nasceu no passado, é presente e será eterno não importa se, no momento, você se encontra em outra dimensão e o tempo que ainda falte para te reencontrar, meu amor sempre será seu.
Quero te agradecer pela energia de amor incondicional a qual me envolve cada vez que penso em você. Uma energia rara que toma conta de mim, vibrando e iluminando meu espírito.
Agradeço também pela ajuda e paciência que vem tendo comigo em todos os momentos difíceis da minha vida, sei que não é fácil e que te dou  muito trabalho por ser tão teimosa, mesmo assim nunca desistiu de mim. Fico muito feliz por isso.
Você está me ajudando muito a corrigir minhas  dificuldades interiores. É a força que Jesus me enviou, tudo que precisava para erguer a cabeça e seguir em frente com determinação, coragem e alegria..
Desde o momento em que você se aproximou de mim, toda a tristeza de outrora já não habita mais meu ser, pois estou me sentindo muito amada, protegida e acolhida por você e Jesus.
Formou-se uma ponte entre nossos pensamentos e mesmo estando sozinhos, eu aqui e você do outro lado da vida, estaremos sempre juntos.
Mas nada é por acaso e tudo acontece na hora certa, talvez para que quando nos reencontrar estivéssemos entendendo mais da realidade da vida, com uma capacidade de amar redobrada pela maturidade e assim nos  unir para levar o amor à humanidade.
Ligados por esse amor,  seguiremos sempre juntos nesse propósito de Deus, levando conhecimento, alegria e esperança as pessoas de todo o planeta.
Já houve muitos desencontros entre nós, através dos tempos e imensidão de vidas e situações vivenciadas, mas agora tudo está bem. Unidos novamente pela Providência Divina.
Lutaremos juntos. Estou muito animada e ansiosa para começar os trabalhos de caridade que Jesus está nos enviando. Esse é um dos meus maiores desejos. O primeiro, é ter você perto de mim.
Obrigada por confiar em mim. Prometo a você, a todos da sua equipe e a Jesus que não irei decepciona-los nessa missão. Serei FIEL e farei tudo que estiver ao meu alcance para te deixar satisfeito. Pois sei que Jesus me recompensará no final e minha maior recompensa é  te ver Feliz.
Estou passando por uma grande transformação espiritual, uma verdadeira metamorfose do casulo, de uma lagarta que sou para uma borboleta. Você me fez despertar de meu sono espiritual e agora posso ver com os olhos do Espírito a  verdade  ocultada de muitas coisas neste planeta e que a maioria da humanidade nem imagina. Principalmente a verdade sobre o que aconteceu com você há 50 anos atrás, uma INJUSTIÇA MUITO GRANDE, TUDO POR AMBIÇÃO DE PEGAR O SEU LUGAR. Mas tá chegando a hora dessa verdade ser revelada ao mundo, essa é a vontade de Deus e que assim seja. A JUSTIÇA DE DEUS TARDA MAS NÃO FALHA. A LEI DE CAUSA E EFEITO CHEGOU PARA TODOS AQUELES QUE TIRARAM A TUA VIDA.
Revelações nunca foram fáceis de serem trazidas a esta humanidade. É necessário saber que a maioria ainda vive com a Consciência adormecida, por fascinação material. Ficção? Não. A realidade pode ser mais bizarra do que você pode imaginar, basta observar.
Renegar as verdades ocultas é o mesmo que expor-se às forças invisíveis das trevas, sem desenvolver o conhecimento. Mas, chegou a “hora da verdade”! As máscaras desses irmãos infelizes e diabólicos ,que manipulam o mundo, cairão. Chegou a hora decisiva para os seres humanos: ou estão com a Luz, à direita do Cristo, ou estão com as Trevas, à esquerda do Cristo.
Pois não há nada que esteja oculto que um dia não será revelado. Se a máscara não cai, Deus arranca. A BATALHA COMEÇOU E IREMOS VENCER, POIS JESUS ESTÁ CONOSCO.
Por isso em nome de nós dois, em nome do nosso amor, agradeço ao ALTO a graça de nossa união espiritual e da oportunidade de juntos servirmos a Jesus nessa grande missão  de ajudar a despertar as pessoas para a realidade dessa Terra. Vamos trabalhar em favor dos cegos e dos surdos.
Pois como Jesus disse- CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VÓS LIBERTARÁ.
"Mesmo se você está em uma minoria de um, a verdade ainda é a verdade." David Icke


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sábado, 29 de abril de 2017

Steelheart: Mili, o guerreiro do coração de aço ( a história do Steelheart)


Um “conto de fadas” tem a premissa de transmitir conhecimentos e valores culturais que são difundidos de geração para geração, onde o herói (ou heroína) acaba tendo seu cotidiano, conflitos, medos e sonhos expostos através de uma oratória. Pelo seu núcleo problemático ser existencial, um “conto de fadas” pode muito bem ser representado através de uma jornada dividida em quatro etapas, onde cada degrau desbravado leva o personagem central a uma autodescoberta. Estas quatro etapas são divididas da seguinte forma: TRAVESSIA, ENCONTRO, CONQUISTA e CELEBRAÇÃO.
TRAVESSIA: “leva o herói ou heroína a uma terra diferente, marcada por acontecimentos mágicos e criaturas estranhas”.
ENCONTRO: “com uma presença diabólica –uma madrasta malévola, um ogro assassino, um mago ameaçador ou outra figura com características de feiticeiro”.
CONQUISTA: “o herói ou heroína mergulha numa luta de vida ou morte com a bruxa, que leva inevitavelmente à morte desta última”.
CELEBRAÇÃO: “um casamento de gala ou uma reunião de família, em que a vitória sobre a bruxa é enaltecida e todos vivem felizes para sempre”.
Nosso vasto mundo musical está repleto de histórias dignas de um conto de fadas, e se fizermos um contraponto emocional entre algumas destas historias, encontraremos com toda certeza oratórias autenticas que facilmente poderiam fazer parte de alguma obra dos irmãos Grimm. Sendo assim, hoje vou contar a histórias de um Croata chamado Miljenko Matijevic, mais conhecido como “Mili”, fundador de umas das melhores bandas de Hard Rock da história.
Era uma vez….
Mili, o guerreiro do coração de aço
Nascido em 29 de novembro de 1964, Mili viveu até os anos 70 com seus avós e seu irmão John na cidade de Zagreb (Croácia), quando então mudaram para Scarsdale, em New York nos Estados Unidos, e posteriormente, já com sete anos, para Greenwich no Connecticut.
Como toda criança curiosa e cheia de energia, Mili junto com seu irmão tinham brincadeiras variadas, dentre elas uma muito especial era o de serem músicos. John aprendeu a tocar guitarra e nosso protagonista cantava para acompanhar seu irmão que adorava tocar temas “country”.
Aos nove anos de idade Mili já dividia seu tempo entre diversão, estudos e compromissos religiosos que eram uma tradição familiar. Foi nesta época que nosso jovem mancebo descobre que as missas e deveres religiosos podiam ter significados mais empolgantes, Mili passa a fazer parte do coral da igreja, e lá tem suas primeiras aulas de canto descobrindo assim seu grande amor, a música.
TRAVESSIA
Após dois anos estudando e cantando junto ao coral, uma banda muda a vida de nosso herói. Numa bela tarde uma voz forte e linda preenche os ares, o canto misturava técnica, sentimento e atitude, era Robert Plant do Led Zeppelin. Absorto, Mili parece não acreditar que a música podia ser expressada desta maneira, vários sentimentos rondam a cabeça de nosso garoto, existia um mundo novo para ser descoberto, um mundo chamado Rock’n’ roll.
Sua TRAVESSIA não foi marcada por acontecimentos mágicos e criaturas estranhas como num conto de fadas tradicional, mais sim por bandas magicas e criaturas magnificas de criatividade incomum. A influência era tão forte e magnética que Mili quase que inconscientemente monta com seu irmão uma banda, batizada por eles de “Teazer”.
O “Teazer” interpretava “covers” do Led Zeppelin e Black Sabbath, além claro de algumas composições próprias. Durante uma apresentação em Nova Iorque, Don Stroh impressionado com o talento de Mili, convida o músico para um ensaio, e lá ele conhece Chris Risola, James Ward e Jack Wilkinson que propõem a formação de uma nova banda, e com 16 anos de idade, Mili, que agora ficaria conhecido como “Mike Matijevic”, aposenta o Teazer e começa sua nova empreitada como vocalista do “Red Alert”.

ENCONTRO
A nova banda de Mike grava uma fita demo de cinco faixas com o guitarrista Chris Risola, o baixista James Ward e o baterista Jack Wilkinson, posteriormente entra ainda o guitarrista Frank Dicostanzo. Na divulgação da demo muitas pessoas ficam impressionadas com o registro vocal de Mike, que sem o recurso do “falsetto” (registro vocal por meio da qual o cantor emite, de modo controlado, não natural, por isso “falso”, sons mais agudos ou mais graves que os da sua faixa de frequência acústica natural), consegue um alcance agudo que oscila entre C2-D6, o que para um interprete masculino é muito difícil. A voz de Mike somado as composições do grupo logo chamam a atenção da “Music Corporation of America” (MCA) que oferece para banda um contrato.
Com um contrato nas mãos e um mundo para desbravar, Mike decide abandonar a faculdade de engenharia mecânica e se dedica à carreira de cantor. Seu ENCONTRO e destino era com um feiticeiro chamado música, cujo a magia poderei levar o enfeitiçado aos céus com a mesma intensidade que poderia derruba-lo.
Devido a uma patente o “Red Alert” é obrigado a mudar de nome, e a escolha fica por conta de STEELHEART. Não se sabe ao certo a origem do nome, porém de modo onírico gosto de pensar que a escolha foi feita de forma saudosa em homenagem ao desenho SilverHawks de 1986 que tanto confortou as manhãs de Mike na infância. No desenho tinha uma personagem chamada “Steelheart” que junto com seu irmão “Steelwill” tinham seus verdadeiros corações orgânicos substituídos por próteses de aço inoxidável.

Em 1990 é lançado o primeiro álbum autointitulado do Steelheart, e com ele a banda emplaca canções incríveis como “I’ll Never Let You Go” e “She’s Gone”, que de cara são transformadas em clássicos do Hard Rock. Mesmo com uma produção excelente onde Mark Opitz deu aos instrumentais peso e destaque, é impossível não evidenciar a voz de Mike, sua performance foi claramente a responsável pelo diferencial do Steelheart elevando a banda a um outro patamar. O álbum foi um marco para nosso herói vendendo mais de um milhão de cópias, ficando entre os top 100 das charts da Billboard, atingindo o velho continente e Ásia, ficando inclusive em primeiro lugar em vários países deste lado do mundo.

A vida sorria para Mike e sua banda, dinheiro, mulheres, fama e reconhecimento transformavam seus dias em poesias quase que perfeitas, e foi sob este clima agradável e miraculoso que em 1992 a banda decide lançar “Tangled in Reins” o segundo registro do grupo.
O disco mantem o alto nível do debut trazendo canções impares como “Mama Don’t You Cry” e “All your Love” que atingiram de imediato o primeiro lugar em alguns países asiáticos. Tudo indicava que “Tangled in Reins” consolidaria o nome Steelheart, a MTV apresentava incessantemente “Sticky Side Up” em sua programação, as vendas batiam recordes, show em toda parte, inclusive em Hong Kong onde a balada “Mama Don’t You Cry” tornou-se um hit, tudo estava de vento em popa, o céu era o limite para o Steelheart.

CONQUISTA
Muitas vezes as areias do destino são transformadas em lamas quando a chuva do acaso vem para afogar a sorte crescente, através desta ampulheta desfigurada, numa noite de Halloween, Mike se depara com seu maior desafio.
Após uma bem sucedida turnê pela Europa o Steelheart foi convidado para tocar na “McNichols Sports Arena” em Denver no Colorado, ao lado do “Slaughter” (que por sinal também vivia um ótimo momento), foi nesta noite, dia 31 de outubro de 1992, que a bruxa deu as caras para Mike, mudando sua vida para sempre.
O show acontecia perfeitamente, o público composto por mais de 13 mil pessoas estava ensandecido, em meio a empolgação da faixa “Dancing in the Fire” Mike decide escalar umas das torres de iluminação, o problema era que a mesma não estava presa no chão e acabou cedendo…
O frontman ainda conseguiu pular do poste e correr, porém não o suficiente para esquivar da meia tonelada de equipamento que acabou caindo sobre sua cabeça. Mike sofreu traumatismo crânio-encefálico grave, fraturas no arco e osso zigomático, nariz, maxilar inferior e várias roturas na coluna cervical, o que acabou causando 28 pontos, fortes dores de cabeça e perda de memória, era o fim do Steelheart.
Realmente nem tudo na vida são flores, muitas vezes os espinhos acabam não apenas protegendo o caule, mais sim ferindo quem apenas admira seu perfume…
O acidente não levou apenas a memória de Mike, mais sim sua fama, dinheiro, casa, sua credibilidade como artista e até mesmo sua família e amigos. Um dia ouvi uma frase que dizia o seguinte:
 “É apenas depois de perder tudo que somos livres para fazer qualquer coisa.”
A meu ver teorias não servem de nada quando a espinha onde o frio percorre não está ligado ao sistema neural do réu, na realidade somente podemos especular a dor da perda sentida por nosso semelhante, ou seja, só Mike pode recitar seus versos futuros, e não nosso otimismo.

Quatro anos após o acidente Mike começa a retomar sua vida, sua memória ainda não estava recuperada 100% porém nosso guerreiro do coração de aço não se deixou abater, trouxe o Steelheart a vida novamente e para a retomada grava em 1996 o álbum “Wait” que apesar de não flertar com os discos antecessores da banda, conseguiu o primeiro lugar em diversos países do oriente. Durante o processo de mixagem Mike simplesmente “desperta”, toda sequela do acidente foram diluídas junto aos acordes de “We All Die Young”, sua memória estava totalmente recuperada, não havia mais demônios em sua mente, tudo era claro como antes.
“Muitas boas lembranças foram apagadas da minha memória. Fiquei numa espécie de transe contínuo por três anos. Às vezes me pegava no meio da noite, dirigindo sem destino, sem saber o porquê daquilo… Ninguém me compreendia, a não ser eu mesmo … Fui diagnosticado com lesão cerebral traumática e tive de reaprender concentração, foco e a reprogramar a mente…”. (Miljenko Matijevic)
CELEBRAÇÃO
Nosso pequeno Mili que para entrar no mercado americano mudou seu nome para “Mike”, exorciza todos seus medos e receios e opta por assumir profissionalmente seu nome de batismo, Miljenko Matijevic. E foi com este epiteto que no ano 2000 recebeu uma ligação de Tom Werman (produtor de vários álbuns clássicos do hard rock e também de Tangled in Reins), que faz uma excelente proposta ao vocalista: “Estou trabalhando em um filme, Metal God, e acho que você é o cara certo pra ele. Você topa fazer um teste?”.
Mili embarca para Los Angeles, faz o teste e é aprovado, os produtores ainda se interessam por uma faixa em particular de Wait “We All Die Young”. O filme contaria a história da ida de Tim “Ripper” Owens para o Judas Priest, porém a banda não aprovou o roteiro e a película passou a se chamar “Rock Star”.
O filme foi dirigido por Stephen Herek e protagonizado por Mark Wahlberg e Jennifer Aniston. Mili registra os vocais dublados por Mark Wahlberg e a faixa “We All Die Young” foi refeita com a ajuda de Zakk Wylde, Jeff Pilson e Jason Bonham (que também contracenaram no filme), e é usada como tema principal da trama.

Mili estava de volta com força total, participando de programas de TV, rádio e aumentando o número de shows do Steelheart. Fora os trabalhos extra como por exemplo o projeto Manzarek-Krieger, formado pelos ex-The Doors Ray Manzarek e Robbie Krieger onde Matijevic foi o vocalista durante duas turnês.
Mesmo reconquistando a popularidade e o respeito artístico, Mili não conseguiu reunir novamente a formação clássica do Steelheart, Wait por exemplo foi gravado com Kenny Kanowski, Vincent Melle e Alex Macarovich. Toda guerra tem suas perdas, a não reunião do Steelheart foi sua cicatriz, principalmente depois da morte do baterista John Fowler.
Em 2008 mais um trabalho do Steelheart conheceu a luz do dia, Good 2B Alive. O disco foi muito bem recebido principalmente pelo sentimento nostálgico, que somado ao trabalho feito em Rock Stars colocou mais uma vez o Steelheart nos trilhos do Hard Rock mundial.

E assim termina a história de “Mili, o guerreiro do coração de aço” que mesmo com muitos percalços conseguiu superar seus limites provando que na vida nem sempre o fel tem de ser a resposta para nossa tristeza. Mais antes do ponto final deste texto gostaria de citar um momento peculiar envolvendo o steelheart:
O ano era 2013, o local Jakarta na Indonésia, em uma noite onde as sombras eram confundidas com sentimentos antigos, o palco principal do festival Java Rockin’land recebe uma figura conhecida dos fãs do Steelheart”, era Chris Risola guitarrista da formação clássica da banda, e de forma quase que poética Risola dá os primeiros acordes da canção“She’s Gone…
O público logo começa a procurar por Mili no palco, porém sem sucesso. Foi então que uma movimentação no o meio da plateia começa a chamar a atenção, era Mili!
Com os braços abertos num momento quase que mediúnico, Mili mostra aos presentes que: Tudo que é verdadeiro, jamais terá fim…

Considerações finais:
Recentemente o selo Frontiers Records anunciou que será responsável pelo lançamento e distribuição de um novo álbum do Steelheart. Mesmo sem um nome definido, o álbum será lançado neste ano(2017), Miljenko Matijevic afirma que tem 41 músicas prontas para esse novo trabalho.
Resta agora adquirir um pacote do café Steelheart lançado por Matijevic, e aguardar esse lançamento que tem tudo para ser espetacular, principalmente se comparado a última composição do vocalista “My love is gone”.

Café Steelheart:

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Harppia: especial parte 2 (sete)


Introdução
Sem sombras de dúvidas o número sete é o mais significante em toda filosofia, literatura sagrada, natureza, mitos e representações. Encontramos o sete em vários setores da cultura, seja através de ditados populares como:
“Guardar um segredo a sete chaves”, “o gato tem sete vidas” e “isso não é um bicho de sete cabeças”.
 Até assuntos gerais como:
“As sete maravilhas do mundo”, “os sete Reis de Roma”, “os sete sábios da Grécia”, “os piratas dos sete mares”, “os sete pecados capitais”, “as sete virtudes” e “as sete ciências do mundo antigo”.
No campo religioso o sete também é explorado de várias formas e condições:
-Na umbanda temos as setes linhas, os setes Orixás, os Exus das sete encruzilhadas e os Caboclos que usam sete flechas.
– Na sociedade teosófica e maçonaria encontramos os sete raios espirituais, os sete corpos, os sete chacras e as sete hierarquias espirituais ou angelicais, além claro, dos sete princípios herméticos.
 -Na Bíblia sagrada podemos encontrar em apocalipse as sete igrejas, os sete selos, as sete trombetas, os sete anjos, as sete taças e, finalmente, a vitória do Cordeiro representada através do número 777.
Não podemos esquecer também que quase todas as religiões concordam que a criação do mundo foi consolidada em sete dias.
Curiosamente na natureza também encontramos o número sete de forma bem abrangente:
Temos as sete cores do arco Iris, os sete pontos de referência no mundo tridimensional (frente, traz, direita, esquerda, acima, abaixo e centro), os sete elementos básicos do universo (Força nuclear forte, força nuclear fraca, força eletromagnética, força gravitacional, neutros, eletros e quarks), e para finalizar, os grupos de sete vértebras, os sete orifícios do crânio, e a mudança da personalidade a cada sete anos.
Considerado o número da perfeição, o sete também serviu de tema para expressões artísticas variadas, desde a 1ª Arte com a música sendo representada através de sete notas musicais, até a 7ª Arte com vários filmes abordando o tema. Como aqui o que importa para nós é a 1ª Arte, falarei de uma das mais importantes e pioneiras bandas de Heavy Metal do Brasil, o Harppia, e de seu “cabalístico” disco “Sete”.
Saiba mais sobre o Harppia na primeira parte deste especial clicando no link abaixo:
O disco “Sete”
Após o sucesso eminente do EP “A Ferro e Fogo”, o Harppia sofre uma significativa mudança na formação. O baterista Tibério Luthier assume o comando da banda e recruta novos músicos, dentre eles grandes nomes do Rock/Metal nacional como por exemplo o excelente vocalista “Percy Weiss”, ex- Made in Brazil e Patrulha do Espaço.
Tibério com o intuito de se igualar profissionalmente e performaticamente às grandes bandas norte americanas e europeias, faz um grande investimento em equipamentos, adquirindo 12 amplificadores de guitarra Majors Marshall (cabeçote e 2 caixas cada), 4 amplificadores para baixo Ampeg 400 (cabeçote e caixas com 10 falantes), P.A.s, iluminação com o que havia de mais moderno no mercado e sua lendária Bateria de Fogo Luthier. Com um time e equipamentos de primeira linha, o Harppia entra em estúdio para a gravação de mais um clássico da banda, o mais que interessante “Sete”.
Considero o disco um dos primeiros a seguir um padrão, digamos, “conceitual” a ser produzido por uma banda de Heavy Metal no Brasil. Assim como o Iron Maiden, que traz um tema principal e depois explora esse elemento com músicas variadas dentro do álbum, “Sete” segue esse exemplo adicionando elementos criativos e interessantes em relação ao significado de seu nome.
 Vamos a alguns deles:
O álbum foi gravado no ano de 1987 e contém sete músicas. A música de número sete do LP chama-se “sete” e contém sete minutos, sem contar que a primeira faixa do trabalho chamada “Na Calada Da Noite” foi concebida sobre o compasso 7/4.
Na capa também podemos encontrar algumas representações:
Se medirmos de ponta a ponta a asa da harpia, teremos 28 centímetros (múltiplo de sete). A primeira e última letra do nome da banda (que coincidentemente tem sete letras) medem sete centímetros cada, e se repararmos no “H”, perceberemos que a ponta superior esquerda forma o número sete. Lembrando que essas medidas só podem ser encontradas na versão original lançada em vinil.


No site oficial da banda o grupo convida os ouvintes a descobrir o enigma do sete e como ele está distribuído no álbum. Faço o mesmo desafio a vocês, se descobrirem algo referente que não foi citado nesta matéria deixe nos comentários que atualizarei o texto.

(!) Atualização:
Após a publicação da matéria, o próprio Harppia através de seu perfil oficial do facebook alertou haver mais sete elementos na contracapa que contém o número sete.

Depois de quebrar uma pouco a cabeça tentando descobrir sem sucesso estes pontos, “Aya Maki” (Guitarrista atual do Harppia), através do WhatsApp e com a ajuda de “Tibério “Luthier” Correa” me ajudou com essa questão:
Se reparamos na diagramação da lista de músicas, perceberemos que ela forma o número sete.
O ano escolhido para a gravação, 1987, tem mais um sentido logico. Além de ser o ano sete da década de 80, se somarmos todos os números do ano (1+9+8+7) teremos 25 como resultado, somando esse resultado (2 + 5) teremos mais um sete .

Sendo assim, os sete elementos da contracapa são:
– Sete musicas
– A música sete chama-se “sete”
– A faixa de abertura (Na calada da noite) é um 7/4
– O logo do Harppia formado por sete letras
– O ano de lançamento é o ano sete da década de 80
– Se somarmos os números do ano de lançamento do álbum teremos um sete
– A diagramação da ordem das músicas forma um sete
Tibério também destacou que a ausência do guitarrista “Flávio Gutok” na foto da contracapa, foi devido a um sério acidente que o musico sofreu, deixando o mesmo entre a vida e a morte. A dedicatória para ele no encarte foi devido a este fato.
Resenha
Musicalmente o álbum segue a mesma linha do EP “A Ferro e Fogo”, com um Heavy Metal tradicional cantado em português repleto riffs e climas.
O disco abre com a forte “Na Calada da Noite”. A faixa traz 55 segundos de introdução onde ótimas dobras de guitarras antecipam a viciante linha vocal de Percy Weiss. Não posso deixar de destacar os excelentes solos e principalmente as pesadas bases compostas para eles.
Realmente as guitarras são um ponto forte em “Sete”, uma prova é a introdução de “Voz da Consciência”. Com um solo digno de respeito, essa faixa é uma de minhas favoritas, tanto por sua bela melodia e clima, quanto por sua letra e técnica. Sem sombras de dúvidas “Voz da Consciência” é um clássico do Heavy Metal nacional.
Seguindo o exemplo do hino “Salem (A cidade das Bruxas)”, “Magia Negra” discorre sobre o “ocultismo”, onde um homem luta para desprender-se das forças obscuras. Aqui podemos perceber um ar meio Iron Maiden da época do Killers, composto por um baixo muito marcado e competente.
Uma das músicas mais bonitas já compostas pelo Harppia é a carismática “Balada”. A canção tem uma marcante letra recitada sobre dedilhados de violão e arranjos de teclado. Devido ao seu clima saudoso e brando, a faixa esta sendo usada no documentário “Brasil Heavy Metal” em homenagem aos músicos de nosso cenário que já não estão mais entre nos.
Após a reflexão de “Balada”, a porrada volta a tomar conta do disco com uma sequência matadora, “Guerra” e “Aids”. Ambas as faixas trazem aquele Heavy Metal oitentista digno e competente. “Aids” por exemplo é quase que uma “versão” nacional de “Doctor Doctor” do U.F.O, porém recheada daquela pegada “Harppiana” tão aclamada pelos fãs. Vale lembrar que esta faixa marcou uma geração de bangers Brasileiros que cantavam a pleno pulmões seu marcante refrão.
A música “Sete”
A faixa “Sete” representa poeticamente tudo aquilo que podemos definir como Heavy Metal, e com toda certeza foi um marco para o metal nacional. O conceito gira em torno de uma oração aos demônios, sete deles pra ser mais preciso.
Segundo o vocalista Percy Weiss, a faixa foi inspirada num livro inglês de antropologia sobre os medos que assolam a humanidade. Percy não lembra o nome do escritor ou mesmo o título do livro, porém relata que o trabalho foi resultado de uma pesquisa que durou mais de vinte anos.
A famosa oração foi encontrada em escavações na antiga babilônia a dois mil anos antes de cristo, escrita em uma tabuleta feita de barro cozido. Percy afirma que a oração não é uma convocação aos demônios, mais sim uma conjuração de afastamento, e que não usou a oração de forma literal na música, porém descreveu os sete demônios  da mesma forma que foram resenhados no livro.
Acompanhe um trecho da letra:
Eles são sete, Sete eles são
No profundo Oceano, Sete eles são
Estão vivendo entre o Céu e a Terra

Engendrados nas profundezas do Mar

“Sete” tornou-se um clássico do Heavy Metal nacional, marcando época e mostrando muitas peculiaridades, principalmente na edição original distribuída pela própria banda, que contém um carimbo dourado escrito SETE no canto superior esquerdo.

Se gosta de Heavy Metal nacional, história e dedicação, corra atrás deste disco.
Indispensável!!
Line Up:
Percy Weiss – vocal;
Filippo Lippo – guitarra;
Flávio Gutok – guitarra;
Cláudio Cruz – baixo;
Tibério “Luthier” Correa – bateria.
Track List:
Na Calada da Noite;
Voz da Consciência;
Magia Negra;
Balada;
Guerras;
AIDS;
Sete

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Harppia: especial parte 1 (A Ferro e Fogo)


Introdução
“Segundo uma tradição, as Harpias uniram-se ao vento zéfiro e tiveram flogeu e Harpago, cavalos dos Dióscuros.”
Com esta frase coberta pelo mando da mitologia Grega inicia-se o primeiro registro de uma das mais importantes bandas de Heavy Metal do Brasil, o Harppia. A frase presente no EP “A Ferro e Fogo” traz o conceito lírico por traz da faixa instrumental “Harpago” que abre o EP, mostrando que o grupo dispunha de um toque cultural e visceral.
Formado em meados de 1983 na cidade de São Paulo, o grupo (que no princípio chamava- se “Via Láctea”) era composto por Jack Santiago (Voz), Hélcio Aguirra (Guitarra), Marcos Patriota (Guitarra), Ricardo Ravache (Baixo) e Zé Henrique (Bateria). Essa formação foi alterada em 1984 com a saída de Zé Henrique que cedeu as baquetas para o lendário Tibério Correa Neto.
O EP “A Ferro e Fogo”
Logo após a entrada de Tibério, a gravadora “Baratos e Afins” convida o grupo para participar da primeira edição da clássica coletânea “SP Metal”. Entretanto, Tibério que acreditava no potencial do grupo propõem para agravadora a realização de um EP com cinco músicas, desta forma, em 1985, o Harppia conseguiu forjar na história do Heavy Metal nacional o excelente “A Ferro e Fogo” o primeiro EP do estilo a ser gravado no Brasil.
O disco é simplesmente matador e recheado de clássicos, como por exemplo a faixa “Náufrago”, que narra de forma poética os acontecimentos e sentimentos de uma pessoa diante um naufrágio. A canção é quase que uma premonição do famoso filme “Náufrago”, estrelado por Tom Hanks, que seria lançado no ano 2000.
Acompanhe um trecho da letra:
“A solidão há de o matar
Antes da morte chegar
Faz do tempo um ser fatal
É a solidão mortal”.

Outra faixa de destaque é a instrumental “Incitatus”, a canção faz referência ao cavalo do imperador de Roma Calígula. Segundo a história o extravagante imperador dividia sua comida e até mesmo sua cama com o cavalo. Porém a faixa que mais se destacou (tornando-se o Hino do Heavy Metal paulista na época), foi a icônica “Salém a cidade das bruxas”.
A faixa discorre sobre os reais acontecimentos ocorridos no ano de 1692 na cidade de Salém. Localizada no Estado americano de Massachusetts, no Condado de Essex, Salém ficou famosa depois que 200 pessoas foram acusadas de bruxaria, no qual 20 delas acabaram sendo executadas em consequência destas acusações.
A História
No período do século XVII em Massachusetts, muitas pessoas temiam que o Diabo adentra-se em sua comunidade e destruísse seus preceitos cristão. Além deste medo constante, um incomodo ainda maior (a meu ver), estava ligado a uma série de fatores políticos e econômicos, sem contar as epidemias de varíola, a quase que descontrolável rivalidade entre famílias dentro da Colônia, além de ameaças diárias por parte de tribos nativas vizinhas.
Foi sob este verniz de medo e crise que em janeiro de 1692 um dos períodos mais obscuros da história América começou a tomar forma. Quando a jovem Abigail Williams de 11 anos de idade mais sua prima Betty Parris de 9 anos adoeceram, tudo começou!
A tal doença era composta por comportamentos nada comuns. As meninas as vezes ficavam mudas, paralisadas, em alguns momentos pareciam ser sufocadas por uma força invisível, além de alegarem ter seus corpos puxados e torcidos contra a sua vontade. Desesperado, o pai de Betty e também reverendo Samuel Parris procurou ajuda médica, e para o espanto de todos, o veredito do doutor foi estarrecedor, as crianças estavam enfeitiçadas pelo Diabo!
Logo a notícia se espalhou e outras duas meninas de Salém – Ann Putnam Jr e Elizabeth Hubbard – começaram a apresentar os mesmos sintomas. Orações e jejuns comunitários foram organizados pelo Reverendo, porém sem nenhum resultado. Depois de muita pressão as meninas apontaram três mulheres: Tituba (índia escrava do Reverendo Parris), Sarah Good e Sarah Osborne como as responsáveis pela fonte de suas aflições. Tituba a princípio negou ser uma bruxa, mais a pressão e principalmente o teatro das meninas acabaram fazendo a escrava “confessar” seu “crime”.
Tituba quando cuidava das meninas contava para as garotas histórias de sua cultura natal, a escrava narrava acontecimentos pessoais e também coisas sobre a religião de seu povo, que incluía magias e vodu. Apesar de ser muito comum para ela, isso talvez tenham influenciado negativamente as meninas, que impressionadas, acabaram ligando os relatos de sua cuidadora ao mal que sofriam no momento.
Sofrendo muito com a pressão, além dos desgastes físicos e morais impostos pelo júri, Tituba cedeu e concordou que era culpada por causar danos às meninas por intermédio da magia negra, e que só fez isso a mando de Sarah Good e Sarah Osborne.
Depois de muitas confusões e vários dias de “julgamento”, o número de meninas com os mesmos sintomas aumentou, sem contar que várias outras pessoas foram acusadas de bruxaria. Muitos afirmavam sofrer acusações por pura e simples rivalidade pessoal. Numerosas teorias sugerem que as meninas estavam sofrendo de epilepsia, doença mental, abuso infantil, ou delírio provocado pela ingestão de centeio infectado com algum fungo.
O fato é que muitas pessoas foram enforcadas jurando nem mesmo saber o que é uma bruxa. Os julgamentos eram baseados apenas nas acusações das meninas, sem provas, se a pessoa acusada simplesmente olhava para as meninas, eles caíam em ataques, choravam e começavam a se contorcer, a cena extravagante acabava servindo de prova.
Os julgamentos só tiveram fim quando o uso da prova espectral (evidências baseadas em sonhos e visões), foi declarado inadmissível. Vale ressaltar que esses julgamentos tinham como base os mesmos princípios usados pela “santa” inquisição. As torturas e os tramites dos julgamentos eram todos sustentados pelo Malleus Maleficarum.
Criado em 1486 por dois membros da ordem dominicana e inquisidores da Igreja Católica, H. Kramer e Jacob Sprenger, o Malleus Maleficarum servia de guia para o inquisidor. O livro é praticamente um manual de como reconhecer, julgar e punir uma bruxa. Durante 4 séculos este livro foi oficialmente o manual para a caças as bruxas, condenou à morte e tortura mais de 100 mil mulheres sob o absurdo pretexto de serem bruxas.

Confira a lista com os acusados e suas respectivas sentenças:
Considerados culpados e executados:


Bridget Bishop (10 de junho de 1692)
Sarah Good (19 de julho de 1692)
Elizabeth Howe (19 de julho de 1692)
Susannah Martin (19 de julho de 1692)
Rebecca Nurse (19 de julho de 1692)
Sarah Wildes (19 de Julho , 1692)
George Burroughs (19 de agosto de 1692)
Martha Carrier (19 de agosto de 1692)
John Willard ( 19 de agosto de 1692)
George Jacobs  (19 de agosto de 1692)
John Proctor (19 de agosto de 1692)
Alice Parker (22 de setembro , 1692)
Mary Parker (22 de setembro de 1692)
Ann Pudeator (22 de setembro de 1692)
Wilmot Redd (22 de setembro de 1692)
Margaret Scott (22 de setembro de 1692)
Samuel Wardwell (22 de setembro de 1692)
Martha Corey (22 de setembro, 1692)
Mary Easty (22 de setembro de 1692)
Recusou-se a fazer um acordo e foi torturado até a morte:
Giles Corey (19 de setembro de 1692)
Resenha da faixa
Logo no início da canção Jack Santiago canta a ambientação lírica da faixa:
“Meados de 1692;
Trinta e quatro pessoas são executadas;
A acusação… feitiçaria;
Cidade… Salém…”
A faixa menciona que foram 34 pessoas executas, entretanto, como pudemos ver nesta matéria, foram executadas 19 pessoas por enforcamento e uma por tortura. A questão é que Salém era dividida em duas partes, “Vila de Salém” (que ficava próxima a baia, onde eram tratados assuntos comerciais), e “Aldeia de Salém” (que era bem afastada e cuidava da agricultura). O caso mencionado aconteceu na Aldeia de Salém, porém, tempos depois alguns pesquisadores sugeriram que na Vila de Salém mais bruxas teriam sido executadas, aumentando o número de mortes para 34, mais isso não passa de especulação.
Musicalmente a faixa é um Heavy Metal tradicional cantado em português e coberto de riffs viciantes. O canto na introdução traz junto da voz principal um gutural distorcido, dando a canção um ar sombrio e pragmático.
Não posso deixar de citar também a pegada firme de bateria que acompanha os interlúdios com ótimas viradas, e claro, o forte solo de baixo cravado aos 5:00 minutos de música.

A letra de” Salém a cidade das bruxas”, não narra de forma didática os acontecimentos ocorridos na cidade, mais sim faz menções do acontecido frisando a estigma do local. Hoje em dia Salém realmente tornou-se oficialmente a cidade das bruxas, com vários seguidores da Wicca residindo no local, inclusive Laurie Cabot, que foi declarada pelo governador Michael Dukakis como a bruxa oficial de Salém.
Line-Up:
Jack Santiago (vocal)
Marcos Patriota (guitarra)
Hélcio Aguirra (guitarra)
Ricardo Ravache (baixo)
Tibério Corrêa (bateria)
Track-List
 Harpago
Salém (A Cidade das Bruxas)
Náufrago
A Ferro e Fogo
Incitatus
Asas Cortadas

Fontes:
All about History – Issue 36, 2016. Salem Witch Trials – The real story behind the Crucible by Willow Winsham.

Malleus Maleficarum (O Martelo das Bruxas) http://www.malleusmaleficarum.org/