sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Guns N' Roses - Como morreu a noiva no clipe November Rain?



Lançado em junho de 1992,“November Rain” é o décimo primeiro single do Guns n' Roses . A faixa escrita por Axl Rose veio sendo trabalhada aos poucos pelo vocalista desde 1983 e teve sua letra inspirada na  relação do frontman com sua ex - esposa Erin Everly.



“November Rain” foi o décimo terceiro clipe mais caro da história. Com uma produção impecável e uma história envolvente, o vídeo acabou tornando-se o mais popular da banda e junto com sua popularidade uma dúvida passou a fazer parte da “mística” deste lindo clipe. 

“November Rain” traz um Axl triste, um belo casamento, uma bem filmada tempestade e do nada o velório da noiva . A dúvida que se arrastou foi:  Como morreu a noiva no clipe de “November Rain”? Para entendermos essa questão primeiro temos de compreender a origem criativa deste vídeo clipe.

Poucos sabem ( apesar dessa informação aparecer no final do clipe), mas o vídeo em questão é baseado num conto  escrito por Del James chamado “Without You”. O conto foi publicado no livro “The Language of Fear” e narra a história de um rockstar chamado Mayne que era extremamente apaixonado por uma jovem chamada Elizabeth.


Resumo de “Without you” 

Durante uma turnê, o musico Mayne pede para que sua namorada Elizabeth o encontre num local próximo onde sua banda iria fazer um show, porém, a moça quebra o coração do rapaz dizendo que não poderá ir a seu encontro, fazendo com que ele ficasse deprimido. O problema é que devido a isso  o musico acaba saindo para farrear com umas groupies, o que ele não imaginava era que Elizabeth estava preparando uma surpresa, indo visitá-lo no hotel com sua bagagem durante a noite.

Ao ver seu amor na farra, Elizabeth sai correndo desesperada e desaparece. Sentindo-se culpado e submerso em sentimentos, Mayne escreve uma canção para Elizabeth chamada “Without You”(Sem você).

Depois de longos meses tentando ligar para sua garota sem obter resposta, preocupado e sem opções, Mayne decide ir pessoalmente até a casa de  Elizabeth.

Ao chegar ele escuta o barulho de um disparo, estava feito, ao entrar o musico se depara com Elizabeth morta, ela acabara de tirar sua vida com um tiro na cabeça.

“... Ele encontrou Elisabeth no sofá, sangrando profundamente, a maior parte da cabeça salpicada na parede atrás dela. Na mesa de café na frente dela, borrifada de sangue estava uma caneta esferográfica e muitas bolas de papel amassado com coisas escritas. Ele ficou destruído perante o corpo dela. Como isso pôde ter acontecido? Tudo que ele sempre fez foi amá-la. Arrasado, ele foi devagar até o aparelho de som. Um CD com o single "Without you" estava programado para repetir.” ( Trecho do conto "Without you")

Chocado, arrependido e emocionalmente descontrolado, Mayne senta -se ao piano e decide tocar “Without you” , porém, o cigarro tragado por ele cai sobre o tapete iniciando um incêndio. Totalmente depressivo e irredutível, Mayne decide não sair dali até terminar de tocar a canção, morrendo em meio as chamas .

“...Ele tomou coragem e começou a tocar "Without you". O espesso carpete rapidamente se transformou nas paredes do inferno como se uma gigantesca onda de fogo subisse e espalhasse-se ao redor do piano. Ele não poderia se importar menos. As chamas engoliram o apartamento. Mayne nunca gritou e nunca esqueceu uma nota.” ( Trecho do conto "Without you")

Praticamente esse é o enredo do clipe, claro que sem os detalhes do conto de Del James. Desta forma podemos afirmar que a noiva se matou com um tiro na cabeça no clipe de “November Rain” e isso pode ser notado num pequeno detalhe apresentado aos 07:21 minutos de vídeo.

Reparem que a câmera dá um close no caixão com a noiva, apesar de ser rápido podemos notar que tem um espelho dividindo o corpo da mesma, esse espelho faz parte de uma técnica funerária usada quando os familiares querem um velório de caixão aberto mesmo o corpo do morto não estando em condições satisfatórias, o espelho é colocado no meio do caixão, refletindo o lado mais “saudável” do morto, escondendo o lado deformado, essa técnica é comumente usada em casos de tiro na cabeça. (confira a imagem) 



A trilogia

Esse detalhe junto a inspiração no conto de Del James responde a questão inicial deste texto explicando como morreu a noiva no clipe “November rain” , porém, o vídeo também faz parte de um outro fato interessante e curioso. Tanto o clipe de “November Rain” ,quanto o de “Estranged” e “Don’t Cry” foram feitos para serem uma trilogia conceitual.

Apesar da banda não ter conseguido explorar comercialmente essa ideia , portanto não oficializando a trilogia, tanto Axl quanto seu produtor já deram entrevistas assumindo essa ideia. O que foi confirmado é que os três clipes são inspirados no conto "Without You" mencionado anteriormente, que por sua vez é inspirado na vida de Axl Rose, desta forma os três clipes são sim inspirados na vida do vocalista e trazem uma sequência logica, vamos a elas:

O clipe de “November Rain” traz Stephanie Seymour ( namorada de Axl na época), no papel da noiva suicida, que morre deixando Axl deprimido.

Em “Estranged” o vocalista não vê sentido em continuar com a vida devido sua perda e decide se matar, Axl pula do transatlântico e acaba morrendo, mesmo com seus amigos tentando salva-lo.  Mas os golfinhos (que são guias espirituais) o salvam espiritualmente, tanto que no fim ele aparece vivo, sendo resgatado por um helicóptero. 





Já em “Don’t Cry” Axl reencarna começando uma nova vida.


Conclusão

 "Don’t Cry"  revela a verdade sobre a história dos clipes. Axl aparece fazendo um piquenique no cemitério junto a mulher que morre em “November Rain”, porém sua esposa aparece viva em uma limusine e o vê no gramado. Isso  significa que ela não morreu e que Axl apenas teve um sonho em "November Rain", por isso no começo do vídeo aparece o vocalista tomando remédios para dormir e quando finalmente ele consegue, inicia-se  o clipe com a banda no teatro, o casamento, a festa e por fim a morte de sua esposa, então ele acorda do estranho pesadelo suando e respirando fundo. "Don’t Cry"  também mostra Axl fazendo terapia para se livrar da dependência do remédio que tomava em "November Rain". 


"Estranged" mostra a crise de abstinência que faz Axl se jogar do navio. Se notarmos no final aparece o vocalista do lado de um golfinho junto a frase: “Lose your illusions”. Ou seja, tudo era só uma ilusão de sua mente.


Realmente é muito rico e complexo a história destes três clipes, ainda mais levando-se em conta as inspirações externas e acontecimentos reais narrados durante os vídeos, como por exemplo em  "Don't Cry" onde em uma cena Axl aparece brigando com a Stephanie portando uma arma. Isso aconteceu de verdade, Axl tentou se matar e foi impedido por sua namorada.

Em suma, vale muito a pena ver e rever esses vídeos através dessa ótica, pois mesmo não sendo essa trilogia um acontecimento oficial, ela foi sim composta com esse propósito e gravada com  o mesmo intuito, porém, sem o marketing explorar seu conceito devido sua complexidade criativa. 



terça-feira, 17 de setembro de 2019

Basttardos: Confira o lyric vídeo do novo single "Livrai-nos do Mal".


O Basttardos lançou, nesta Sexta-Feira 13, sua nova música intitulada "Livrai-nos do Mal". O single ganhou um lyric video e pode ser conferido no link abaixo:


"Livrai-nos do Mal" é a primeira faixa divulgada do novo álbum, "Nós Somos O Bando", e contou com as Participações Especiais de Breno & Theo Campos, filhos de Alex Campos. "Nós Somos O Bando" é o sucessor do disco "O Último Expresso", de 2015, e será lançado em Outubro deste ano de 2019.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Torture Squad e Living Metal - Band lançam split juntos


"Living for Torture" é o nome do aguardado Split, serão 5 músicas de cada banda e a pré-venda estará disponível a partir do dia 10/09 através da loja online da Music Media Metal (www.musicmediametalstore.com).
O lançamento oficial ocorrerá no dia 18 de setembro as 20hs, no Espaço Som em São Paulo. O pocket show será uma apresentação especial das duas bandas com meet & greet , um show exclusivo que também oferecerá um coquetel ao público.

sábado, 15 de junho de 2019

Living Metal - Resenha EP “Hail the true Metal and fuck all the posers” (2018)

A taxonomia é uma disciplina que minunciosamente define grupos de organismos biológicos baseando-se em características comuns, dando então nomes a esses grupos. O interessante é que para cada grupo é dado também um tipo de nota. Quando agregados, esses grupos formam supergrupos com maior pontuação, criando assim uma “classificação hierárquica”. Aristóteles (Grécia, 384-322 a C) foi um dos primeiros a classificar de forma informal todas as coisas vivas, inclusive alguns termos usado por ele, como invertebrados e vertebrados, são usados até hoje.
 
Levando esse tipo de disciplina para a música mundial, podemos dizer (assim como citado pelo jornalista e crítico musical do New York Times Jon Pareles) que na taxonomia da música popular o Heavy Metal tradicional é a principal subespécie do hard rock — o tipo com menos síncope, menos blues, com mais ênfase no espetáculo e mais força bruta.  Desta forma, podemos dizer que devido a suas subdivisões o Heavy metal reina absoluto no topo da classificação hierárquica da música pesada.

Uma banda que ostenta com mãos caprichosas a força do Heavy Metal tradicional e a paulistana Living Metal. Formado em 2018 pelo guitarrista Rafael Romanelli (que também tocou no ZUMBIES DO ESPAÇO), a banda tem como objetivo seguir à risca essa linha tradicional, com som e letras de cunho clássico e envolvente, focando no entretenimento com muita cerveja, motocicletas, Metal, espadas, correntes, pregos, couro, cintos de bala de fuzil e jaquetas com patches.

Em outubro de 2018 a banda lançou o EP “Hail the true Metal and fuck all the posers” entrando com muito vigor na cena nacional, destacando – se inclusive entre públicos variados, em especial aos amantes da N.W.O.T.H.M. . O EP foi gravado no estúdio Casanegra, de Rafael Augusto Lopes, com cinco músicas gravadas por Rafael Romanelli (guitarra, baixo e refrão), Pedro Zupo (vocal), Amilcar Cristófaro (bateria) e Fernanda Lira (voz feminina adicional).


O EP abre com a curta “Are You Ready For Metal?”, faixa que climatiza e abre o caminho conceitual para as próximas canções. Com uma pegada forte e sem floreios modistas “Are You Ready For Metal?” é uma excelente e inteligente introdução, pois além de ser contagiante ela consegue mostrar em poucos segundos a personalidade da banda.

No maior estilo Manowar (porém longe de ser cópia) a segunda faixa do trabalho intitulada “Living for Metal” é um verdadeiro salto no tempo. Um presente para os amantes de Heavy Metal tradicional, destaque para o forte riff e excelente linha vocal. Impossível ouvir essa faixa sem sentir vontade de cantar a pleno pulmões: “LIVING FOR METAL – RAISE YOUR FISTS IN THE AIR”.

“Fire On Two Wheels” é a trilha sonora perfeita para os amantes de motocicletas. Com um riff marcante nos moldes de Judas Priest, a canção despeja aquele sentimento da estrada coberto pela aura dos roncos dos motores. Mais um vez quero destacar a bela interpretação vocal de Pedro Zupo que conseguiu um ótimo resultado despejando agressividade espontânea e marcante. Destaque também para expressivo solo e bela timbragem de baixo. 



Chegamos ao ponto mais nostálgico do EP. “Back To The 80'S” musicalmente nos remete (como sugere o nome) ao começo dos anos oitenta, precisamente entre aquela transição do Hard para Heavy Metal. A letra mostra um pouco sobre a gloria destes anos dourados (“you may say i'm living when I sing about the past but I lived the golden years won´t be back anymore”) ao mesmo tempo que faz uma pequena crítica ao modismo atual (“Music was made for ears and not to the eyes”). “Back To The 80'S” porta-se como uma das melhores faixas do disco, principalmente por seu marcante refrão e nostálgico Riff.


Encerrando o trabalho temos o hino “Hail! The True Metal (Will Never Die)”. A musica tem uma base/riff bem solida que serve de alicerce durante quase toda a canção, sendo interrompida somente aos 2:35 minutos quando um dedilhado envolvente seguido por um caprichoso solo enchem nossos ouvidos com técnica e sentimento. A Faixa é um Heavy Metal tradicional que em certos momentos climáticos me lembrou o Metal Church. Destaque desta vez para a precisa execução de bateria que conseguiu ser pesada mesmo nos momentos mais “progressivos” da canção.


Vale lembrar também que o álbum apresenta uma versão da música Rocka Rolla (cover do Judas Priest) que é encontrado somente nas plataformas digitais da banda.

Em suma, se gosta de Heavy Metal tradicional tocado com vontade e expressividade corra atrás da Living Metal e de seu EP “Hail the true Metal and fuck all the posers”. 

 Altamente recomendado! Ansioso pelo Debut!!

Living Metal’s complete line-up:

Pedro Zupo – vocals
Rafael Romanelli – guitar
Jonas – guitar
João Ribeiro– bass guitar
Jean Praeli – drums

Links:



domingo, 19 de maio de 2019

Black Metal – A política do Black Metal Norueguês


Introdução
Após o recente lançamento do filme “Lords of chaos” (que conta os acontecimentos ocorridos nos anos 90 com a chamada “segunda onda do Black Metal” que envolveu queima de igrejas e assassinatos), muitos voltaram a debater sobre os reais motivos pelo qual Varg Vikernes (Burzum) teria assassinado seu “amigo” Euronymous (Mayhem).
Um fato pouco mencionado é o lado político envolvido no meio do Black Metal norueguês, fato este que em minha opinião foi uns dos principais motivos pelo qual tudo tenha acontecido como o registrado. Para darmos prosseguimento a este ponto de vista, primeiro vou resumir a origem do Black Metal norueguês e apresentar para quem ainda não conhece os criadores deste estilo ímpar.
Os primórdios do Black Metal
Quando Aleister Crowley disse: “Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei”. Não imaginou que o hedonismo proposto seria usado por conservadores para chamar de satanistas aqueles que pregavam a liberdade. O Rock é um dos exemplos. A velha máxima “sexo, drogas e Rock N’ Roll” tornou-se uma afronta aos preceitos religiosos e logo ligada ao satanismo devido uma aparente individualidade.
Claro que os argumentos da igreja em relação ao tema são mais profundos, porém a meu ver errôneos. Sabemos que o aspecto libertário, rebelde e contestador se deve apenas a uma forma simbólica que o Rock usa contra padrões impostos. Porém quando o ocultismo passou a fazer parte do enredo lírico de discos e músicas a Igreja logo sentenciou: “O Rock é coisa do Diabo”!
Essa estigma tornou-se tão forte (e rentável), que algumas bandas passaram a adotar abertamente temas satânicos, anticristãos e pagãos em suas letras e temas visuais. Desta forma, tanto musicalmente quanto ideologicamente, muitas bandas lutavam para ser a mais sombria, cru e agressiva, levando vários a uma competição de insanidades, dando origem a estilos mais extremos como o Thrash Metal e o Death metal.
Durante os anos de 1980, um enumerado de bandas de Thrash e Death Metal formaram o alicerce do que viria a ser o Black Metal. Essa chamada “primeira onda do Black Metal” trouxe bandas como Hellhammer, Bathory, Celtic Frost, Mercyful Fate e Venon. 
O termo “Black Metal” foi retirado de um álbum dos ingleses do Venon lançado em 1982, intitulado “Black Metal”. Mesmo o álbum soando mais “Heavy/thrash” o disco fugia dos padrões apresentando temas mais focados no anticristianismo e no satanismo, diferente do que muitos músicos faziam na época. Outra contribuição importante do Venon foi o fato dos membros da banda adotarem pseudônimos, prática que se tornou praticamente lei dentro do Black Metal.
O estilo teve um grande e rápido crescimento, fazendo com que um importante nome do Black Metal mundial surgisse para mudar o estilo para sempre, seu nome: Øystein Aarseth, mais conhecido como Euronymous.

Segunda geração do Black Metal (O Black Metal Norueguês)
Após longos estudos não tem como negar o fato que a Noruega foi sim responsável pela popularidade, estigma e criação do que conhecemos hoje como verdadeiro Black Metal.
 A cena norueguesa era profundamente anticristã e tentava apagar o cristianismo e outras religiões não-escandinavas de sua cultura. Para isso os músicos não usavam apenas sua arte, mas sim atitudes violentas. A banda mais importante para o surgimento deste movimento (a meu ver) foi o “Mayhem”, tanto por sua inovação musical quanto por seus importantes integrantes.
O “Mayhem” foi fundado em 1984 em Oslo, Noruega, pelo já citado guitarrista Euronymous, o baixista Necrobutcher e o baterista Manheim e influenciou fortemente todo o Black Metal sendo fundamental para a evolução do metal extremo mundial.

Podemos definir algumas bandas como propulsores do que se tornou a segunda geração do Black Metal. A musicalidade podemos dizer que nasceu com a Tormentor (Hungria), a estética veio do Bathory (Suécia), o nome do Venon (Reino unido), e a atitude surgiu aqui em terras tupiniquins com o Sarcofago. Juntando tudo isso mais o modo inovador de tocar guitarra desenvolvido por Euronymous, no qual ele tocava acordes completos usando todas as cordas da guitarra ao invés de power chords com apenas duas ou três cordas, estaria definido o que hoje chamamos de “True Norwegian Black Metal”.
Sem contar que também foi no Mayhem que o corpse paint passou a fazer parte do Black Metal. Per Yngve Ohlin (Dead), então vocalista do Mayhem, maquiava-se como um cadáver nos shows e ensaio da banda.
Confira o gráfico:

Claro que várias bandas contribuíram para que o estilo fosse conhecido no mundo todo, além do Mayhem não podemos deixar citar as importantíssimas Burzum, Darkthrone, Emperor, Gorgoroth e Immortal. Porém, as mais proeminentes figuras da cena norueguesa foram mesmo Euronymous do Mayhem e Varg Vikernes do Burzum, muito devido aos bizarros acontecimentos que falarei mais adiante.
Inner Circle e Deathlike Silence Productions  
Grande parte do movimento Black Metal na Noruega era organizado por Euronymous através de um seleto grupo (que era composto por amigos próximos e bandas), que ficou conhecido como “Inner Circle” (ou Black Circle como chamava alguns). A sede do Inner Circle era o sótão da loja de discos de Euronymous, chamada de “Helvete” (ou Inferno). A loja, além de vender exclusivamente discos de Metal, também tinha um estúdio de gravação que pertencia ao selo de Euronymous a Deathlike Silence Productions.
Um importante fato a ressaltar em relação a Deathlike Silence Productions (além claro dos excelentes e icônicos álbuns lançados por ela) é a ideologia por de traz do selo. Euronymous trazia no logo de seu selo as regras do verdadeiro Black Metal:
 “No fun, no core, no mosh and no trends”, traduzido livremente como: Sem diversão, sem core (referente a estilos como hardcore, metalcore, grindcore), sem mosh (o Black metal era pra ser sentido e não divertido a ponto de dar mosh), e sem moda.
Queima de Igrejas, assassinatos e suicídio
Queima de Igrejas:
Para alguns membros do Inner Circle não bastava apenas música para expressar seu ódio contra o cristianismo, mais sim atos. Foi então que uma onda de incêndios a igrejas cristãs começou, até 1996 houve ao menos 50 igrejas queimadas, a mais conhecida foi a de “Fantoft Stave”, queimada por um membro do “Inner Circle” com ajuda de Varg Vikernes que na época era conhecido como Count Grishnackh. O Inner Circle levou até as últimas consequências o fato de viver os reais ideais do Black Metal, queimar igrejas foi só o começo…

Suicídio:
Em Abril de 1991 o vocalista do Mayhem Per Yngve Ohlin, mais conhecido pelo pseudônimo “Dead”, comete suicídio com um tiro de espingarda na cabeça, depois de ter cortado os pulsos e garganta, deixando apenas uma singela carta que dizia: “Desculpem pelo sangue”.
O corpo de Dead foi encontrado por Euronymous. Antes de chamar a polícia, o musico foi a uma loja próxima comprou uma câmera fotográfica e tirou fotos do cadáver. Uma dessas fotografias foi usada pelo guitarrista numa capa do Mayhem o Bootleg “Dawn of the Black Hearts”.
Boatos diziam ainda que Euronymous recolheu pedaços do crânio de Dead e fez colares que distribuiu entre alguns membros do Inner Circle. Dead, que nunca se deu bem com Euronymous, tinha um certo fascínio pela morte e acreditava que a vida era somente um sonho. Nos shows, o musico carregava um saco onde dava periódicas baforadas, no interior deste saco tinha um corvo morto que servia, segundo o vocalista, para sentir a essência da morte.
No final de novembro de 2018, a empresa Serial Killers Ink colocou à venda um pedaço do crânio de Dead por US $ 3.500
Dead vestia roupas que anteriormente tinha enterrado e onde proliferavam vermes e insetos, sem contar que ele costumava se cortar com facas e vidros. Durante um show em Sarpsborg, em 1990, os cortes foram tão profundos que ele teve de ser levado ao hospital por causa da severa perda de sangue.
Assassinatos:
Em 21 de agosto de 1992, Bård ‘Faust’ Eithun (Emperor) esfaqueou até a morte um homossexual chamado Magne Andreassen numa floresta perto de Lillehammer. Em 1994, ele foi sentenciado a cumprir 14 anos na prisão, porém foi liberado em 2003.
O Inner Circle foi totalmente exposto na mídia em 1993 quando Varg Vikernes assassinou Euronymous em sua casa com 23 golpes de faca na cabeça e nas costas. Vikernes foi preso em 19 de agosto de 1993 em Bergen e recebeu liberdade condicional somente em maio de 2009.
Com a morte de Euronymous e a prisão de vários membros do Inner Circle, o movimento chegou a seu fim. Mesmo assim, as bandas do Black Metal norueguês continuaram suas carreiras, destaque para o disco “De Mysteriis Dom Sathanas” do Mayhem, que foi lançado em 1994 contendo gravações tanto de Euronymous quanto de Varg Vikernes que foi o baixista do Mayhem neste álbum.

A política do Black Metal norueguês
Um tema pouco mencionando em matérias nacionais relacionado ao Black Metal norueguês (e que também ficou de fora do filme “Lords of Chaos”), é o fato da ligação de alguns membros do Inner Circle com a extrema direita nazista, em especial vinda de Varg Vikernes. O ambiente de racismo e misoginia existente no Inner Circle eram comumente abraçado abertamente por vários músicos e bandas da cena.

Diferente do Brasil, a Noruega é um pais politizado e seu povo tem ciência das facetas econômicas e históricas de seu governo, bem como as do mundo. Portanto, claro que muitos destes extremistas do Inner Circle sabiam muito bem o que defendiam, um exemplo simples podemos encontrar na contracapa do álbum “Transilvanian Hunger” do Darkthrone (que tem participação de Varg Vikernes) que traz estampado a frase: “Norsk Arisk Black Metal” (Black Metal ariano norueguês).
Porém, nem todos os membros do Inner Circle seguiam essa extrema direita, Euronymous, nome maior do Inner Circle e figura fundamental para o Black Metal como explicado anteriormente, era Comunista!
Euronymous era um estudioso do comunismo e grande admirador de personalidades como Lenin e Stalin. Fez parte durante um tempo da ala juvenil do partido vermelho da Noruega, período que ajudou a moldar sua personalidade discursiva, transformando o guitarrista numa pessoa carismática e eloquente, amado por uns e odiado por outros.
Suas convicções socialistas chegaram inclusive a fazer parte do modo como administrava seu selo. A Deathlike Silence Productions tinha como objetivo ser uma espécie de “multinacional underground socialista”. Em várias cartas trocadas com seus contatos mundo a fora, Euronymous deixava claro a importância da Deathlike Silence Productions trabalhar favorecendo os músicos, levando ao pé da letra o lema socialista que diz “Se a classe operária tudo produz, a ela tudo pertence”. Euronymous também costumava colocar no meio de sua assinatura o desenho da foice e do martelo, símbolo da união dos trabalhadores comunistas.
A liderança de Euronymous dentro do Inner Circle começou a ser desfeita com a entrada de Varg Vikernes no grupo. O inner Circle por fim acabou se dividido em dois e cada um dos principais líderes defendiam acirradamente seus ideais. Euronymous liderava o Inner Circle comunista e satanista, já Varg liderava o Inner Circle nazista e pagão.
Tenho convicção que essa discordância política e ideológica foi sim um dos motivos pelo qual Varg tenha tirado a vida de Euronymous. Alguns especulam que o assassinato foi resultado de uma disputa contratual/financeira sobre as gravações do Burzum, Varg diz ter atacado Euronymous apenas para se defender, pois tinha sido ameaçado anteriormente. Eu fico com duas destas versões, a política e contratual/financeira.
 O fato é que ambos, tanto Varg quanto Euronymous, eram totalitaristas extremistas, portanto, tanto faz posicionamento político defendido por eles (esquerda ou direita), pois o que difere um totalitarista de esquerda ou de direita é a filosofia base que vai formar seu pensamento político e econômico, neste caso capitalismo, socialismo e comunismo.
O que não podemos deixar de lado é essa conivência extremista existente no movimento. Essas posturas tem de ser sim denunciadas e debatidas ao ponto de entender o papel que elas tem inclusive dentro da construção do próprio Black Metal. Tentar entender esse “éthos” do estilo é de suma importância para que possamos compreender como um movimento que busca trevas, desespero, extremismos e desesperança, consegue atrair tantos jovens. Talvez essa questão política seja um dos principais pontos, porém, creio que somente conseguiremos claras respostas se observamos esses acontecimentos pela ótica do próprio Black Metal.