domingo, 9 de julho de 2017

Jornalismo: revistas de Rock/Metal – Parte 2




Dando continuidade a matéria: “Jornalismo: revistas de Rock/Metal”, trarei nesta segunda parte revistas que julgo ser de grande importância ao jornalismo Rock no país. Diferente da primeira parte, não farei uma ordem cronológica, mais sim destacarei cada revista isoladamente.
Dynamite
Em abril de 1992 saiu o primeiro exemplar da Revista “Dynamite”, porém a mesma já tinha sido lançada no formato de fanzine duas edições atrás. O fanzine pertencia a um bar Rock que se chamava “Dynamo” e ficava perto do Mackenzie, no centro de São Paulo.
A revista abordava várias vertentes do Rock, com maior destaque ao Indie Rock e Hardcore, destacando sem medo as bandas independentes, principalmente as nacionais.
A “Dynamite” deixou de ser impressa em 2008, passando a ser distribuída gratuitamente em PDF dentro do Portal Dynamite Online.


Metal Head
Nascida em outubro de 1994, a “Metal Head” desde o princípio teve a premissa em cobrir de várias formas tudo relacionado ao mundo do Heavy Metal. Eventualmente outras vertentes “pesadas” do rock como o Punk Rock e o Hard Rock também eram publicadas.
A “Metal Head” foi uma das revistas mais populares do estilo no país, trazendo edições especiais, pôsteres e edições com traduções discográficas.
A revista dispunha de matérias sobre artistas específicos, mesclando novidades com bandas clássicas, trazendo inclusive discografia comentada de uma das bandas homenageadas, e claro, páginas dedicadas à divulgação de bandas iniciantes e fitas/CDs Demo.
A revista ainda manteve durante um tempo duas páginas falando sobre tatuagem, mas o assunto acabou ganhando uma publicação própria, a Metal Head Tattoo.

Metal Massacre
Publicada inicialmente em 2003 pela editora escala (mesma da Metal Head), a “Metal Massacre” se diferenciava das demais revistas de Rock em circulação pela ausência de críticas de CDs, Vídeos ou DVDs. A ideia era frisar mais no artista, trazendo várias páginas falando sobre um musico especifico desenvolvendo mais o texto através de históricos e curiosidades.

Roadie Crew
A “Roadie Crew” com certeza é hoje a revista de Rock/Metal mais importante do país. Lançada em 1997, além de publicações nacionais a “Roadie Crew” também é vendida abertamente em Portugal.
A “Roadie Crew” forjou seu nome na história do jornalismo Rock do país com uma linguagem que atinge todos os públicos dentro do estilo proposto, estilo que logo pela capa pode ser desvendado através de um selo que diz: “Aviso, Heavy Metal explícito”, não deixando dúvidas ao leitor sobre sua temática. Atualmente, por abranger vários estilos dentro do Rock, a revista trocou a famosa frase por: “Heavy Metal e Classic Rock”.
Das 88 páginas coloridas da revista, 30% são de anúncios, em sua grande maioria de gravadoras ou marcas de equipamentos musicais. Do restante, aproximadamente 40% (25 páginas) são ocupadas por entrevistas. Os outros 60% são divididos entre críticas de CDs e DVDs (seis páginas), noticiário do último mês (duas páginas), espaço para bandas independentes e “demos” (uma página), pôster destacável (quatro páginas), cartas (duas páginas), colunas opinativas (duas páginas) e matérias, geralmente duas ou três por edição (seis páginas em média), claro que alguns destes números podem variar, porém não fogem muito desta métrica.

Valhalla Metal Magazine
A “Valhalla” em minha opinião é uma das revistas mais importantes de Rock/Metal a ser lançada aqui em solo Brasileiro, pois foi uma das poucas que atingiu vários feitos, ajudando inclusive o Heavy Metal nacional a chegar onde está hoje em dia. A “Valhalla” também surgiu no formato de fanzine no ano de 1996 e com muita força de vontade conseguiu se manter durante um bom tempo entre as revistas mais populares do estilo no país, inclusive sendo pioneira em trazer grandes bandas para o interior, como por exemplo a primeira vez do ex- Iron Maiden Paul Dianno no Brasil.
A história desta revista é tão rica que farei uma matéria somente com a “Valhalla Metal Magazine”, por enquanto curtam o documentário contando um pouco a história desta grande revista:https://vimeo.com/170790681

Rock Press
Nascida em 1995 inicialmente no formato tabloide preto e branco, a “Rock Press” trazia  uma maior gama de noticias relacionadas a bandas de Indie Rock, além de direcionar uma maior atenção a cena nacional, com resenha dos lançamentos de gravadoras independentes.
A “Rock Press” era vendida nas capitais da região sudeste e para algumas cidades do interior do Rio de Janeiro e São Paulo, fazendo assim uma ponte entre bandas nacionais.

Após o surgimento destas revistas citadas acima, o jornalismo Rock do país com  muito capricho e profissionalismo abriu caminho para que várias outras editoras decidissem lançar revistas dedicadas ao Rock/Metal, um exemplo é a revista “Planet Metal” da editora HMP. A revista dispunha de um super brinde, um CD coletânea com bandas nacionais e internacionais do estilo.
Uma outra revista que ficou bastante popular foi a “Rock Underground” do editor Júlio Cesar Bocater, e também a “Rock in Especial” da editora Sampa. Duas revistas que não posso deixar de citar e a “Comando Rock” Nascida em março de 2004 na editora 9 de julho e a linda “Metal” que foi muito popular, porém não consegui achar quase nada em relação a essa revista. Se você leitor souber algo sobre essa revista (ou alguma importante que deixei de fora) deixa ai nos comentários que rapidamente atualizarei o texto.



Fontes:
-TCC  Rock em revista: “o jornalismo Rock no Brasil” de Rafael Machado Saldanha
(Aluno do Curso de Comunicação Social) Monografia apresentada à banca examinadora na
disciplina Projeto Experimental II.
Orientador acadêmico: Prof. Rodrigo Barbos
-Zinil (2006) O Rock ‘n’ Roll e as revistas : “o casamento perfeito” de Vladimir José Ribeiro


domingo, 18 de junho de 2017

Jornalismo: revistas de Rock/Metal – anos 50, 60, 70, 80 e 90


O Rock/Metal é sem dúvida um dos estilos mais populares do mundo, sua globalização é algo estrondoso, visto que nos quatro cantos do globo podemos encontramos este estilo que tanto amamos. Muito dessa popularidade está ligado ao jornalismo dedicado ao estilo, onde as revistas especializadas tiveram (e ainda tem) um papel de suma importância. Então hoje trarei pra vocês um pequeno histórico das revistas dedicadas ao Rock/Metal lançadas aqui no Brasil.
Anos 50
Muitos acreditam que Rock chegou em nosso país no início dos anos 80, entretanto em meados dos anos 50 já tinha uma grande massa de admiradores do estilo espalhado Brasil a dentro, estes que sofriam horrores para obter informações sobre sua banda favorita. A primeira publicação tupiniquim a trazer informações sobre o mundo do Rock foi a “Revista do Rádio”, no final da década de 50, onde nomes como Sergio Murilo, Tony Campelo e Carlos Gonzaga introduziam o estilo no país.

Anos 60
Mesmo com algumas revistas dedicando pequenas colunas ao estilo, como no caso da revista de letras “Eu Canto”, foi no início dos 60 que a “Revista do Rock”, editada pela jornalista e compositora Janette Adib, definiu um padrão de linguagem dedicado ao estilo, sendo esta a primeira a ser direcionada exclusivamente ao Rock.
Nesta época os aparelhos de televisão ainda não faziam parte da realidade dos Brasileiros, sendo exclusividade de uma minoria, desta forma a “Revista do Rock” teve o papel de personificar às vozes tão conhecidas através da rádio, além de trazer fofocas, pequenas biografias, letras das músicas e traduções de alguns sucessos internacionais.
Algumas outras revistas como a “Baby Face”, “Rock News” e “Os reis do Iê-iê-iê” também seguiram posteriormente esse padrão proposto pela “Revista do Rock”.

Anos 70
Em 1972 o jornalismo Rock do país foi surpreendido com a chegada da versão brasileira da popular revista estadunidense “Rolling Stone”. A versão nacional era chefiada por Luiz Carlos Maciel que tinha em sua equipe nomes iniciantes como, Tárik de Souza, Rose Marie Muraro, Ezequiel Neves e Ana Maria Bahiana. Sem contar que músicos e poetas como Capinan e Jorge Mautner contribuíam tecnicamente e teoricamente com a redação.
Com a chegada da “Rolling Stone” a principal mudança no jornalismo Rock estava ligado a visão crítica. Os editores por julgar o estilo como sendo arte, abordavam o produto como algo que estava longe de ser passageiro, portanto digno de uma avaliação mais complexa.
Composta sobre um papel jornal no formato grande, quase tabloide, a “Rolling Stone” rendeu apenas 36 edições, tendo seu fim em 1973. Mesmo assim foi de suma importância, pois abriu caminho para uma nova geração de jornalistas musicais.
Essa abertura deu origem ao “Jornal de Música e Som” que seguia o mesmo padrão da “Rolling Stone” e foi a primeira a dar oportunidade para artistas iniciantes do Rock Nacional. Outro ponto de destaque era que junto ao jornal vinha encartada a revista “A história e a glória do Rock”, que trazia biografias de grandes artistas ou grupos do Rock’ n’ Roll mundial.

Anos 80
O início dos anos 80 foi marcado pelo surgimento de várias revistas especializadas em Rock, porém muitas delas desapareciam do mercado com a mesma velocidade que eram lançadas, causando pouco impacto no jornalismo do estilo no país. Mesmo assim podemos destacar alguns nomes como, “Intervalo”, “Pipoca Moderna” e “Rock Passion”, que mesmo com pouco tempo de vida foram bastante comercializadas e discutidas.

Um ponto importante na década de 80 em relação ao jornalismo Rock é a explosão dos fanzines. Muitas dessas publicações amadoras eram impressas e divulgadas massivamente em shows e até mesmo em banca de jornais, tanto que uma das mais importantes revistas de Rock do país surgiu inicialmente no formato de fanzine, estou falando da “Rock Brigade”.
A “Rock Brigade” é a revista de música mais duradoura em circulação no Brasil. Lançada em fevereiro de 1981, seu conteúdo jornalístico além de trazer notícias e colunas dedicadas ao mundo do Rock/Metal em geral, também divulgava bandas independentes resenhando fitas e CDs “demo”. Desta forma, com um conteúdo informativo e profissional, a “Rock Brigade” foi durante longos anos a revista mais popular do estilo no país, inclusive ficando conhecida como a primeira a se especializar em Heavy Metal.

Outra revista a se popularizar na década de 80 foi a “Roll” lançada em 1983. A “Roll” era bem desenvolvida e foi usada de inspiração para a criação da importante revista “Bizz” publicada pela Editora Abril.

Anos 90
No início dos anos 90 uma segunda leva de revistas segmentadas surgiram, porém nenhuma delas conseguiu se firmar no mercado, não passando de um ou dois anos de vida, como no caso da “Top Rock” e “Backstage”. Uma exceção foi o jornal “International Magazine” de 1990, que dura, mesmo que timidamente, até os dias atuais.
A “Backstage” começou a circular gratuitamente como um fanzine fotocopiado, dois anos depois passou a ser impresso em formato tabloide e somente em 1992 passou a ser vendida no formato de revista propriamente dita. Já a “Top Rock”, que também foi lançada em 1992, teve desde seu primeiro número um acabamento profissional feito pela editora Trama, porém abordava os mesmos gêneros musicais da “Backstage”.

Na metade da década de 90, cinco revistas importantes nascem, “Dynamite” (1992) “Metalhead” (1994), “Rock Press” (1995), “Valhalla” (1996) e a “Roadie Crew” (1997). Por essas revistas abrirem um caminho grandioso para o jornalismo Rock atual, trarei na segunda parte desta matéria uma abordagem mais detalhada destes cinco nomes, além claro de destacar edições internacionais que tiveram uma publicação nacional.


Fontes:
-TCC  Rock em revista: “o jornalismo Rock no Brasil” de Rafael Machado Saldanha
(Aluno do Curso de Comunicação Social) Monografia apresentada à banca examinadora na
disciplina Projeto Experimental II.
Orientador acadêmico: Prof. Rodrigo Barbos
-Zinil (2006) O Rock ‘n’ Roll e as revistas : “o casamento perfeito” de Vladimir José Ribeiro

sábado, 3 de junho de 2017

Genesis: álbum "Abacab" inspirou cheat do jogo Mortal Kombat



O Rock/Metal aliado a interatividade dos videogames deu origem a vários jogos importantes como por exemplo o nostálgico “Rock N’ Roll Racing” desenvolvido pela Blizzard Entertainment e publicado pela Interplay. O jogo tem em sua trilha bandas como Steppenwolf, Deep Purple e Black Sabbath, mostrando que essa junção traz momentos únicos para o jogador. Sem contar os games encomendados por grupos famosos como no caso do jogo “Ed Hunter” desenvolvido para o Iron Maiden e “Psycho Circus: The Nightmare Child” criado para o Kiss, que dispõem de uma amalgama perfeita entre música e interatividade virtual.
A lista de jogos com  temáticas Rock é bem extensa e atinge várias plataformas, valendo uma matéria mais detalhada que prometo trazer pra vocês em breve. No entanto falarei de uma curiosidade que envolve a banda Genesis e o famoso jogo Mortal Kombat.

No ano de 1993 o game “Mortal Kombat” invadiu os consoles caseiros tornando-se uma febre. A Super Nintendo e o Mega Drive (sega) foram as primeiras plataformas a receber o jogo, porém diferente da versão dos fliperamas o game vinha com algumas censuras devido sua violência.
 A Nintendo não concordando com a sanguinolência do jogo original optou por extirpar o mesmo de sua conversão, trocando o vermelho sangue por um cinza, que dava a impressão de suor. Em contra partida a Sega decidiu dar aos fãs um código (o famoso “blood code”) que liberava completamente em sua plataforma o sangue no jogo.

Muitos ainda devem se lembrar da famigerada sequência “A+B+A+C+A+B+B” que fazia nossos dias mais felizes. porém uma coisa que poucos sabem é que essa sequência foi escolhida por causa de um disco da banda britânica “Genesis” chamado “Abacab”, a diferença entre o nome do álbum e o código está apenas no acréscimo de uma letra, o “B”. O disco foi lançado em 18 de setembro de 1981 e traz em sua formação Phil Collins na bateria, percussão e vocal, Tony Banks nos teclado e Mike Rutherford no baixo e guitarra.
Curiosamente o nome meio dadaísta, Abacab, não tem nenhum significado. Originalmente, a faixa era dividida em seções batizadas com letras. Com algumas mudanças aqui e ali, num certo momento a ordem das seções era a,b,a,c,a,b,. Desta forma, de maneira simplória, surgiu a ideia para o nome do décimo primeiro álbum de estúdio do Genesis.
Confira a faixa autointitulada de Abacab:

Uma outra curiosidade é que o Mega Drive nos EUA era chamado de “Sega Genesis” dando um sentido a mais para a escolha do cheat.
Existe também uma banda americana de Deathcore chamada “Abacabb” que lançou em 2009 o debut “Survivalist”. Além do grupo francês de progressivo “Abacab” que lançou em 2004 o EP  “Les 3 Couleurs” e em 2008 o debut “Mal de Terre”.
Confira ambas as bandas:


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Resenha: Apple Sin – Apple Sin (2017)


O fruto proibido experimentado por Eva trouxe consequências nada agradáveis, porém tal fato, segundo o poeta romano Ovídio, seria inevitável pois esforçamo-nos sempre para alcançar o proibido e desejamos o que nos é negado. Esta frase e até mesmo o ato descrito na Bíblia Sagrada em Gênesis 2:9 e 3:2, geram questionamentos que podemos encontrar com bastante naturalidade no Heavy metal, visto que a história do estilo está coberta de ousadia e desafios as regras vigentes.
Uma banda que usa essa equação, tanto em sua música quando em sua arte visual é a Apple Sin de Barroso-MG. O grupo formado em 2012 é um dos poucos que ainda trazem em suas veias o “veneno” cativante do Heavy Metal Tradicional.
Em 2015 a banda gravou o EP “Fire Star” (com cinco faixas) que já mostrava com bastante exuberância a proposta da banda. Mais foi somente em fevereiro de 2017 que a Apple sin trouxe ao mundo seu primeiro álbum auto-intitulado, no qual falarei adiante:
Com um total de 47 minutos, o full-length abre com uma linda intro que de cara climatiza o enredo vigente do álbum. Um piano muito bem composto e sem exageros, acompanhado de uma trilha digna de filmes épicos dá o tom e pavimenta o caminho para a segunda faixa intitulada “Sea Of Sorrow”.
Através da simbologia do mar, “Sea Of Sorrow” faz questionamentos existenciais. As guitarras cruas executadas por Beto Belchior e Tainan Vilela dão ao canto arrastado um corpo enigmático e por deveras pesado.
A terceira faixa “Darkness of World” continua com a pegada crua apresentada em “Sea Of Sorrow” porém mais veloz. A letra é muito boa contando de forma pessimista o destino caótico de nosso mundo. Gostaria de destacar a ótima linha de baixo que faz desenhos criativos criando um contraponto envolvente com a linha de voz.
A faixa título “Apple Sin” é simplesmente linda e marcante. Confesso que desde quando ouvi pela primeira vez essa música na coletânea Roadie Metal volume 2, vez ou outra ela me vem à mente como num processo de osmose. Destaque mais uma vez para o baixo de Raul Ganso que construiu uma marcante linha muito similar (porém longe de ser cópia) a canção Countdown to Extinction do Megadeth.

“Another Day” volta com a velocidade, porém desta vez somada a uma agressividade digna do puro Heavy Metal tradicional onde a bateria de Eduardo Rodrigues torna-se um destaque inegável. Patric Belchior (voz) está simplesmente impecável, a execução do drive somado ao seu timbre agudo natural deram a faixa um toque a mais, sem contar que a respiração executada por ele foi muito bem divindade entre as pausas da letra, dando um brilho a mais na interpretação.
Como em todo disco de bom gosto não poderia faltar uma balada Heavy. “Respect” vem trazer ao álbum uma brisa reflexiva e poética, onde lindas frases de guitarra finalizadas com ótimos harmônicos dão ao álbum um clima outonal. A canção é uma das mais bonitas do disco e de longe uma de minhas favoritas, e sozinha garantiria uma nota alta no final desta resenha.
Após o clima intelectivo de “Respect” temos uma trinca matadora, “Fire Star”, “Black Hole” e “Roaches Blood”. Todas as faixas cobertas pelo manto do Metal visceral (com pitadas Thrash) e destaques individuais tanto na execução quanto na temática.
Para fechar o trabalho temos uma homenagem ao programa “Roadie Metal a voz do Rock”. A faixa realmente define muito bem o espirito do programa que ama o metal em todas as suas vertentes.
Não posso deixar de destacar a arte gráfica composta por Philippe Belchior (que também gravou os teclados do disco) que é simplesmente linda. O novo design do logotipo chama muito a atenção dando ao material uma representação visual digna das músicas apresentadas no CD.
A Apple Sin se alimenta da fonte motriz do Heavy Metal, e mostrou neste full-length que está apta para desbravar o Metal nacional com mãos inspiradoras. Que venha o próximo trabalho!
Faixas : 
01. Intro
02. Sea Of Sorrow
03. Darkness And World
04. Apple Sin
05. Another Day
06. Respect
07. Fire Star
08. Black Hole
09. Roaches Blood
10. Roadie Metal (bonus-track)
Line-up:
Patric Belchior – vocais
Beto Carlos – guitarras
Tainan Vilela – guitarras
Raul Ganso – baixo
Eduardo Rodruigues – bateria
Phillipe Belchior – teclados (adicional)


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Paul McCartney: Cartas psicografadas comprovariam sua morte



Muitas lendas envolvem o mundo do Rock/Metal. Uma muito discutida é sobre a possível morte de Paul McCartney (Beatles) em um acidente no ano de 1966 e sua substituição por um sósia chamado Willian Campbell. 

Saiba mais sobre a "lenda": A morte de Paul mccartney

Essa "lenda" somada a religiosidade será o tema deste texto, pois segundo a médium e clarividente Cleia de 33 anos, Paul realmente esta morto, porém diferente do enredo proposto ele não morreu num acidente, mais sim foi assassinado.

A médium afirma entrar em contato com o músico em seções espiritas. Cleia junto de mais duas pessoas (a sensitiva Maria Lúcia Borges e a médium vidente e escrevente Lourdes Prioto), estão com cartas psicografadas de Paul que revelam a verdade sobre sua morte.

Antes de detalhar o caso vou explicar aqui o porquê dele ser relevante:

Não é segredo nenhum pra quem acompanha, ou tem ciência do espiritismo, que cartas psicografadas são levadas a sério. Muitas destas cartas chegaram a revelar coisas pessoais para os envolvidos e até mesmo já foram usadas como provas em julgamentos. Mesmo o cenário citado transpassar sentimentos surreais, principalmente para quem não acredita no assunto, é um fato que a Justiça brasileira tem levado em conta (a algum tempo) provas como essas para absolver réus.

Na década 70 o médium Chico Xavier psicografou o depoimento de Henrique Emmanuel Gregoris, assassinado por João Batista França durante uma brincadeira de roleta russa. No mesmo ano, o líder espírita psicografou a carta de Maurício Garcez Henriques, morto acidentalmente por José Divino Gomes. Nos dois casos, o juiz Orimar Pontes aceitou o depoimento póstumo das vítimas e os jurados absolveram os réus.

Em 1980, em Campo Grande, outra vez um escrito de Chico Xavier esteve nos tribunais como prova da inocência de alguém. José Francisco Marcondes Maria foi acusado de matar a sua mulher, Cleide Maria, ex-miss Campo Grande. O médium recebeu o espírito de Cleide. Com o depoimento, José Francisco foi absolvido. Em novo júri, chegou a ser condenado, mas a pena já estava prescrita. (Fonte, site consultor judiciário: http://www.conjur.com.br)

Visto a importância das psicografias e como elas já fizeram parte do nosso judiciário, voltemos ao caso...

A morte de Paul McCartney segundo essas psicografias, além de ser comprovada, adoçam a história com acontecimentos antes desconhecidos. Paul teria sido assassinado em nome de um pacto onde até mesmo a coroa britânica estaria envolvida, e Willian Campbell (o sósia) seria um fantoche consciente da situação. 

Cleia afirma que muitas coisas ainda serão elucidadas, já que Paul quer que a verdade seja esclarecida. Uma nova psicografia foi prometida onde mais detalhes serão revelados.Sendo verdade ou não (pois num caso assim a descrença fala mais alto), um relato de Paul McCartney (ou Willian Campbell) numa entrevista para a BBC me chamou atenção:

O ex-Beatle relatou que obteve a ajuda do espírito de George Harrison, morto em 2001, para escrever a música “Friends To Go”, do álbum “Chaos and Creation In The Backyard”, gravado em 2005.

“Eu simplesmente tive esse sentimento, isso é George. Eu era como George, escrevendo uma de suas músicas. Eu só escrevi com muita facilidade porque não era eu quem estava escrevendo”.

Paul afirma não saber o significado da faixa, porém devido ao verso “I’ve been sliding down a slippy slope, I’ve been climbing up a slowly burning rope” (tenho deslizado em uma descida escorregadia, tenho escalado uma corda que se queima lentamente) Paul julga que realmente a canção é de George, muito devido a semelhança com as canções compostas pelo músico em vida.


Não seria essa frase um aviso de George? Estaria esse sósia “deslizado em uma descida escorregadia e escalando uma corda que se queima lentamente”?  Bom, resta apenas imaginarmos até quando esse pavio sustentará essas histórias e cabe a vocês julgarem se isso é um fato ou simplesmente um conto de fadas surreal. 

Confira a carta de Cleia intitulada "Carta para o mundo Espiritual" direcionada  a"Paul". A carta foi publicada no jornal "Novo Tempo" de Itumbiara:


CARTA PARA O MUNDO ESPIRITUAL

VAI DE CLEIA BORGES PARA O EX BEATLE JAMES PAUL MCCARTNEY DESENCARNADO EM 1966- INGLATERRA.

Meu companheiro e amigo de outras jornadas, queria conseguir lhe dizer tudo que sinto por você nesta carta e  também revelar todas as verdades ocultadas sobre você até hoje,  e que ninguém sabe, mas terei outras oportunidades  para isso.
Alma gêmea de minha alma, sei que estivemos juntos em algum lugar do passado e que até agora nos temos aguardado cada um com sua vida, mesmo que em dimensões diferentes e com outras realidades de experiências vividas. Sinto que te amei muito, a memória não recorda mas meu coração sim e por isso sempre busquei por você, sempre com um vazio e saudade enormes dentro de mim, cega que era nunca pensei que estava desde o início do meu lado. Se soubesse teria evitado tantas coisas
Em algum lugar no tempo ficou escrito que o AMOR é para sempre.  Nasceu no passado, é presente e será eterno não importa se, no momento, você se encontra em outra dimensão e o tempo que ainda falte para te reencontrar, meu amor sempre será seu.
Quero te agradecer pela energia de amor incondicional a qual me envolve cada vez que penso em você. Uma energia rara que toma conta de mim, vibrando e iluminando meu espírito.
Agradeço também pela ajuda e paciência que vem tendo comigo em todos os momentos difíceis da minha vida, sei que não é fácil e que te dou  muito trabalho por ser tão teimosa, mesmo assim nunca desistiu de mim. Fico muito feliz por isso.
Você está me ajudando muito a corrigir minhas  dificuldades interiores. É a força que Jesus me enviou, tudo que precisava para erguer a cabeça e seguir em frente com determinação, coragem e alegria..
Desde o momento em que você se aproximou de mim, toda a tristeza de outrora já não habita mais meu ser, pois estou me sentindo muito amada, protegida e acolhida por você e Jesus.
Formou-se uma ponte entre nossos pensamentos e mesmo estando sozinhos, eu aqui e você do outro lado da vida, estaremos sempre juntos.
Mas nada é por acaso e tudo acontece na hora certa, talvez para que quando nos reencontrar estivéssemos entendendo mais da realidade da vida, com uma capacidade de amar redobrada pela maturidade e assim nos  unir para levar o amor à humanidade.
Ligados por esse amor,  seguiremos sempre juntos nesse propósito de Deus, levando conhecimento, alegria e esperança as pessoas de todo o planeta.
Já houve muitos desencontros entre nós, através dos tempos e imensidão de vidas e situações vivenciadas, mas agora tudo está bem. Unidos novamente pela Providência Divina.
Lutaremos juntos. Estou muito animada e ansiosa para começar os trabalhos de caridade que Jesus está nos enviando. Esse é um dos meus maiores desejos. O primeiro, é ter você perto de mim.
Obrigada por confiar em mim. Prometo a você, a todos da sua equipe e a Jesus que não irei decepciona-los nessa missão. Serei FIEL e farei tudo que estiver ao meu alcance para te deixar satisfeito. Pois sei que Jesus me recompensará no final e minha maior recompensa é  te ver Feliz.
Estou passando por uma grande transformação espiritual, uma verdadeira metamorfose do casulo, de uma lagarta que sou para uma borboleta. Você me fez despertar de meu sono espiritual e agora posso ver com os olhos do Espírito a  verdade  ocultada de muitas coisas neste planeta e que a maioria da humanidade nem imagina. Principalmente a verdade sobre o que aconteceu com você há 50 anos atrás, uma INJUSTIÇA MUITO GRANDE, TUDO POR AMBIÇÃO DE PEGAR O SEU LUGAR. Mas tá chegando a hora dessa verdade ser revelada ao mundo, essa é a vontade de Deus e que assim seja. A JUSTIÇA DE DEUS TARDA MAS NÃO FALHA. A LEI DE CAUSA E EFEITO CHEGOU PARA TODOS AQUELES QUE TIRARAM A TUA VIDA.
Revelações nunca foram fáceis de serem trazidas a esta humanidade. É necessário saber que a maioria ainda vive com a Consciência adormecida, por fascinação material. Ficção? Não. A realidade pode ser mais bizarra do que você pode imaginar, basta observar.
Renegar as verdades ocultas é o mesmo que expor-se às forças invisíveis das trevas, sem desenvolver o conhecimento. Mas, chegou a “hora da verdade”! As máscaras desses irmãos infelizes e diabólicos ,que manipulam o mundo, cairão. Chegou a hora decisiva para os seres humanos: ou estão com a Luz, à direita do Cristo, ou estão com as Trevas, à esquerda do Cristo.
Pois não há nada que esteja oculto que um dia não será revelado. Se a máscara não cai, Deus arranca. A BATALHA COMEÇOU E IREMOS VENCER, POIS JESUS ESTÁ CONOSCO.
Por isso em nome de nós dois, em nome do nosso amor, agradeço ao ALTO a graça de nossa união espiritual e da oportunidade de juntos servirmos a Jesus nessa grande missão  de ajudar a despertar as pessoas para a realidade dessa Terra. Vamos trabalhar em favor dos cegos e dos surdos.
Pois como Jesus disse- CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VÓS LIBERTARÁ.
"Mesmo se você está em uma minoria de um, a verdade ainda é a verdade." David Icke


Grupo “viver e reviver”


Pagina do grupo “viver e reviver”: Facebook Grupo espírita viver e reviver
Contatos:
(64)981078635 – CLEIA ou (64) 992345022 (64)992720783-LOURDES
(64)981182413-MARIA LUCIA



sábado, 29 de abril de 2017

Steelheart: Mili, o guerreiro do coração de aço ( a história do Steelheart)


Um “conto de fadas” tem a premissa de transmitir conhecimentos e valores culturais que são difundidos de geração para geração, onde o herói (ou heroína) acaba tendo seu cotidiano, conflitos, medos e sonhos expostos através de uma oratória. Pelo seu núcleo problemático ser existencial, um “conto de fadas” pode muito bem ser representado através de uma jornada dividida em quatro etapas, onde cada degrau desbravado leva o personagem central a uma autodescoberta. Estas quatro etapas são divididas da seguinte forma: TRAVESSIA, ENCONTRO, CONQUISTA e CELEBRAÇÃO.
TRAVESSIA: “leva o herói ou heroína a uma terra diferente, marcada por acontecimentos mágicos e criaturas estranhas”.
ENCONTRO: “com uma presença diabólica –uma madrasta malévola, um ogro assassino, um mago ameaçador ou outra figura com características de feiticeiro”.
CONQUISTA: “o herói ou heroína mergulha numa luta de vida ou morte com a bruxa, que leva inevitavelmente à morte desta última”.
CELEBRAÇÃO: “um casamento de gala ou uma reunião de família, em que a vitória sobre a bruxa é enaltecida e todos vivem felizes para sempre”.
Nosso vasto mundo musical está repleto de histórias dignas de um conto de fadas, e se fizermos um contraponto emocional entre algumas destas historias, encontraremos com toda certeza oratórias autenticas que facilmente poderiam fazer parte de alguma obra dos irmãos Grimm. Sendo assim, hoje vou contar a histórias de um Croata chamado Miljenko Matijevic, mais conhecido como “Mili”, fundador de umas das melhores bandas de Hard Rock da história.
Era uma vez….
Mili, o guerreiro do coração de aço
Nascido em 29 de novembro de 1964, Mili viveu até os anos 70 com seus avós e seu irmão John na cidade de Zagreb (Croácia), quando então mudaram para Scarsdale, em New York nos Estados Unidos, e posteriormente, já com sete anos, para Greenwich no Connecticut.
Como toda criança curiosa e cheia de energia, Mili junto com seu irmão tinham brincadeiras variadas, dentre elas uma muito especial era o de serem músicos. John aprendeu a tocar guitarra e nosso protagonista cantava para acompanhar seu irmão que adorava tocar temas “country”.
Aos nove anos de idade Mili já dividia seu tempo entre diversão, estudos e compromissos religiosos que eram uma tradição familiar. Foi nesta época que nosso jovem mancebo descobre que as missas e deveres religiosos podiam ter significados mais empolgantes, Mili passa a fazer parte do coral da igreja, e lá tem suas primeiras aulas de canto descobrindo assim seu grande amor, a música.
TRAVESSIA
Após dois anos estudando e cantando junto ao coral, uma banda muda a vida de nosso herói. Numa bela tarde uma voz forte e linda preenche os ares, o canto misturava técnica, sentimento e atitude, era Robert Plant do Led Zeppelin. Absorto, Mili parece não acreditar que a música podia ser expressada desta maneira, vários sentimentos rondam a cabeça de nosso garoto, existia um mundo novo para ser descoberto, um mundo chamado Rock’n’ roll.
Sua TRAVESSIA não foi marcada por acontecimentos mágicos e criaturas estranhas como num conto de fadas tradicional, mais sim por bandas magicas e criaturas magnificas de criatividade incomum. A influência era tão forte e magnética que Mili quase que inconscientemente monta com seu irmão uma banda, batizada por eles de “Teazer”.
O “Teazer” interpretava “covers” do Led Zeppelin e Black Sabbath, além claro de algumas composições próprias. Durante uma apresentação em Nova Iorque, Don Stroh impressionado com o talento de Mili, convida o músico para um ensaio, e lá ele conhece Chris Risola, James Ward e Jack Wilkinson que propõem a formação de uma nova banda, e com 16 anos de idade, Mili, que agora ficaria conhecido como “Mike Matijevic”, aposenta o Teazer e começa sua nova empreitada como vocalista do “Red Alert”.

ENCONTRO
A nova banda de Mike grava uma fita demo de cinco faixas com o guitarrista Chris Risola, o baixista James Ward e o baterista Jack Wilkinson, posteriormente entra ainda o guitarrista Frank Dicostanzo. Na divulgação da demo muitas pessoas ficam impressionadas com o registro vocal de Mike, que sem o recurso do “falsetto” (registro vocal por meio da qual o cantor emite, de modo controlado, não natural, por isso “falso”, sons mais agudos ou mais graves que os da sua faixa de frequência acústica natural), consegue um alcance agudo que oscila entre C2-D6, o que para um interprete masculino é muito difícil. A voz de Mike somado as composições do grupo logo chamam a atenção da “Music Corporation of America” (MCA) que oferece para banda um contrato.
Com um contrato nas mãos e um mundo para desbravar, Mike decide abandonar a faculdade de engenharia mecânica e se dedica à carreira de cantor. Seu ENCONTRO e destino era com um feiticeiro chamado música, cujo a magia poderei levar o enfeitiçado aos céus com a mesma intensidade que poderia derruba-lo.
Devido a uma patente o “Red Alert” é obrigado a mudar de nome, e a escolha fica por conta de STEELHEART. Não se sabe ao certo a origem do nome, porém de modo onírico gosto de pensar que a escolha foi feita de forma saudosa em homenagem ao desenho SilverHawks de 1986 que tanto confortou as manhãs de Mike na infância. No desenho tinha uma personagem chamada “Steelheart” que junto com seu irmão “Steelwill” tinham seus verdadeiros corações orgânicos substituídos por próteses de aço inoxidável.

Em 1990 é lançado o primeiro álbum autointitulado do Steelheart, e com ele a banda emplaca canções incríveis como “I’ll Never Let You Go” e “She’s Gone”, que de cara são transformadas em clássicos do Hard Rock. Mesmo com uma produção excelente onde Mark Opitz deu aos instrumentais peso e destaque, é impossível não evidenciar a voz de Mike, sua performance foi claramente a responsável pelo diferencial do Steelheart elevando a banda a um outro patamar. O álbum foi um marco para nosso herói vendendo mais de um milhão de cópias, ficando entre os top 100 das charts da Billboard, atingindo o velho continente e Ásia, ficando inclusive em primeiro lugar em vários países deste lado do mundo.

A vida sorria para Mike e sua banda, dinheiro, mulheres, fama e reconhecimento transformavam seus dias em poesias quase que perfeitas, e foi sob este clima agradável e miraculoso que em 1992 a banda decide lançar “Tangled in Reins” o segundo registro do grupo.
O disco mantem o alto nível do debut trazendo canções impares como “Mama Don’t You Cry” e “All your Love” que atingiram de imediato o primeiro lugar em alguns países asiáticos. Tudo indicava que “Tangled in Reins” consolidaria o nome Steelheart, a MTV apresentava incessantemente “Sticky Side Up” em sua programação, as vendas batiam recordes, show em toda parte, inclusive em Hong Kong onde a balada “Mama Don’t You Cry” tornou-se um hit, tudo estava de vento em popa, o céu era o limite para o Steelheart.

CONQUISTA
Muitas vezes as areias do destino são transformadas em lamas quando a chuva do acaso vem para afogar a sorte crescente, através desta ampulheta desfigurada, numa noite de Halloween, Mike se depara com seu maior desafio.
Após uma bem sucedida turnê pela Europa o Steelheart foi convidado para tocar na “McNichols Sports Arena” em Denver no Colorado, ao lado do “Slaughter” (que por sinal também vivia um ótimo momento), foi nesta noite, dia 31 de outubro de 1992, que a bruxa deu as caras para Mike, mudando sua vida para sempre.
O show acontecia perfeitamente, o público composto por mais de 13 mil pessoas estava ensandecido, em meio a empolgação da faixa “Dancing in the Fire” Mike decide escalar umas das torres de iluminação, o problema era que a mesma não estava presa no chão e acabou cedendo…
O frontman ainda conseguiu pular do poste e correr, porém não o suficiente para esquivar da meia tonelada de equipamento que acabou caindo sobre sua cabeça. Mike sofreu traumatismo crânio-encefálico grave, fraturas no arco e osso zigomático, nariz, maxilar inferior e várias roturas na coluna cervical, o que acabou causando 28 pontos, fortes dores de cabeça e perda de memória, era o fim do Steelheart.
Realmente nem tudo na vida são flores, muitas vezes os espinhos acabam não apenas protegendo o caule, mais sim ferindo quem apenas admira seu perfume…
O acidente não levou apenas a memória de Mike, mais sim sua fama, dinheiro, casa, sua credibilidade como artista e até mesmo sua família e amigos. Um dia ouvi uma frase que dizia o seguinte:
 “É apenas depois de perder tudo que somos livres para fazer qualquer coisa.”
A meu ver teorias não servem de nada quando a espinha onde o frio percorre não está ligado ao sistema neural do réu, na realidade somente podemos especular a dor da perda sentida por nosso semelhante, ou seja, só Mike pode recitar seus versos futuros, e não nosso otimismo.

Quatro anos após o acidente Mike começa a retomar sua vida, sua memória ainda não estava recuperada 100% porém nosso guerreiro do coração de aço não se deixou abater, trouxe o Steelheart a vida novamente e para a retomada grava em 1996 o álbum “Wait” que apesar de não flertar com os discos antecessores da banda, conseguiu o primeiro lugar em diversos países do oriente. Durante o processo de mixagem Mike simplesmente “desperta”, toda sequela do acidente foram diluídas junto aos acordes de “We All Die Young”, sua memória estava totalmente recuperada, não havia mais demônios em sua mente, tudo era claro como antes.
“Muitas boas lembranças foram apagadas da minha memória. Fiquei numa espécie de transe contínuo por três anos. Às vezes me pegava no meio da noite, dirigindo sem destino, sem saber o porquê daquilo… Ninguém me compreendia, a não ser eu mesmo … Fui diagnosticado com lesão cerebral traumática e tive de reaprender concentração, foco e a reprogramar a mente…”. (Miljenko Matijevic)
CELEBRAÇÃO
Nosso pequeno Mili que para entrar no mercado americano mudou seu nome para “Mike”, exorciza todos seus medos e receios e opta por assumir profissionalmente seu nome de batismo, Miljenko Matijevic. E foi com este epiteto que no ano 2000 recebeu uma ligação de Tom Werman (produtor de vários álbuns clássicos do hard rock e também de Tangled in Reins), que faz uma excelente proposta ao vocalista: “Estou trabalhando em um filme, Metal God, e acho que você é o cara certo pra ele. Você topa fazer um teste?”.
Mili embarca para Los Angeles, faz o teste e é aprovado, os produtores ainda se interessam por uma faixa em particular de Wait “We All Die Young”. O filme contaria a história da ida de Tim “Ripper” Owens para o Judas Priest, porém a banda não aprovou o roteiro e a película passou a se chamar “Rock Star”.
O filme foi dirigido por Stephen Herek e protagonizado por Mark Wahlberg e Jennifer Aniston. Mili registra os vocais dublados por Mark Wahlberg e a faixa “We All Die Young” foi refeita com a ajuda de Zakk Wylde, Jeff Pilson e Jason Bonham (que também contracenaram no filme), e é usada como tema principal da trama.

Mili estava de volta com força total, participando de programas de TV, rádio e aumentando o número de shows do Steelheart. Fora os trabalhos extra como por exemplo o projeto Manzarek-Krieger, formado pelos ex-The Doors Ray Manzarek e Robbie Krieger onde Matijevic foi o vocalista durante duas turnês.
Mesmo reconquistando a popularidade e o respeito artístico, Mili não conseguiu reunir novamente a formação clássica do Steelheart, Wait por exemplo foi gravado com Kenny Kanowski, Vincent Melle e Alex Macarovich. Toda guerra tem suas perdas, a não reunião do Steelheart foi sua cicatriz, principalmente depois da morte do baterista John Fowler.
Em 2008 mais um trabalho do Steelheart conheceu a luz do dia, Good 2B Alive. O disco foi muito bem recebido principalmente pelo sentimento nostálgico, que somado ao trabalho feito em Rock Stars colocou mais uma vez o Steelheart nos trilhos do Hard Rock mundial.

E assim termina a história de “Mili, o guerreiro do coração de aço” que mesmo com muitos percalços conseguiu superar seus limites provando que na vida nem sempre o fel tem de ser a resposta para nossa tristeza. Mais antes do ponto final deste texto gostaria de citar um momento peculiar envolvendo o steelheart:
O ano era 2013, o local Jakarta na Indonésia, em uma noite onde as sombras eram confundidas com sentimentos antigos, o palco principal do festival Java Rockin’land recebe uma figura conhecida dos fãs do Steelheart”, era Chris Risola guitarrista da formação clássica da banda, e de forma quase que poética Risola dá os primeiros acordes da canção“She’s Gone…
O público logo começa a procurar por Mili no palco, porém sem sucesso. Foi então que uma movimentação no o meio da plateia começa a chamar a atenção, era Mili!
Com os braços abertos num momento quase que mediúnico, Mili mostra aos presentes que: Tudo que é verdadeiro, jamais terá fim…

Considerações finais:
Recentemente o selo Frontiers Records anunciou que será responsável pelo lançamento e distribuição de um novo álbum do Steelheart. Mesmo sem um nome definido, o álbum será lançado neste ano(2017), Miljenko Matijevic afirma que tem 41 músicas prontas para esse novo trabalho.
Resta agora adquirir um pacote do café Steelheart lançado por Matijevic, e aguardar esse lançamento que tem tudo para ser espetacular, principalmente se comparado a última composição do vocalista “My love is gone”.

Café Steelheart: