sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Pain of Salvation: “Be” E o Mito Da Criação


O pain of salvation é um dos poucos grupos que faz de sua musica uma verdadeira aula, tanto instrumental quanto teórica, e hoje vou falar da obra máster “BE”.

O álbum foi arquitetado durante oito anos por Daniel Gildenlow, foi uma longa jornada de pesquisas e de elaboração artística. O próprio Daniel no encarte do DVD “Be live” menciona como foi em parte essa jornada conceitual:

“… Eu (Daniel) tinha dois conceitos paralelos que girava em torno quando comecei a colocar esse conceito em ordem no começo do verão de 2003 (nosso inverno folks). Um era a idéia de que se Deus já existiu ele talvez já foi tão perdido e tão curioso como nós somos – criando o mundo como uma imagem dele/dela apenas para simular condições que talvez digam a ele/ela  sua origem. A história era uma história circular onde o homem cria uma sonda inteligente á sua própria imagem para descobrir a origem e respostas para a vida. Ela acaba tornando-se um novo Deus, criando o mundo tudo de novo, argumentando que toda criação vem de um impulso de se entender, e tempo é apenas um lugar onde nós nos “movemos” para sermos capazes de perceber mudanças. É simplesmente como nossos receptores trabalham, como nossos olhos interpretam ondas de energia em cores. Essa é nossa maneira especifica de ver coisas.

O outro conceito derivou de uma sensação que eu tive quando eu estudava história cultural em 1996.  Nós estávamos discutindo mitos e contos da criação como uma forma de entender o desenvolvimento da arte em diferentes civilizações. Tendo esses mitos impressos diante mim, de repente vi algumas evidencias de um padrão profundo. Eu senti essa sensação descer pelas minhas costas enquanto eu dizia para mim mesmo “Hey, algo realmente aconteceu aqui! Essas tentativas de nos contar algo têm tentado sobreviver por centenas, ou talvez milhares de anos, para nos contar algo. Mas o uso de linguagem contextual e definições nos iludem!” Eu não estou falando daquele monte de velhas de similaridades, eu estou falando de padrões que parecem ser totalmente diferentes e acontecem superficialmente, mas quando você tira a linguagem, semântica e imagina as situações como algo mais abstrato, então os valores todos começam a se ordenarem. Eu comecei a jogar com duas diferentes possíveis soluções para isso, (veja, o bom da ficção como discussão para idéias cientificas ou filosóficas, é que ela permite que você faça aquele salto lógico maior. Assim você pode muito eficientemente deixar de lado ou ignorar aqueles tendenciosos e normalmente muito dominantes conjuntos de sistemas de crença e tendências que permeiam sua especifica era contemporânea e contexto social).

O disco faz uma analogia reconstruindo o mito de Deus sob uma nova faceta, usando como base (em sua grande parte), nossa ciência atual. O disco possui 15 faixas que se entrelaçam e trás seus nomes em latim, porem com alguns “trocadilhos”.

O álbum é dividido em 5 blocos:

1-      “BE” (CHINASSIAH)
2-       Machinassiah – Of Gods & Slaves
3-      Machinageddon (Nemo Idoneus Aderat Qui Responderet)
4-      Machinauticus (Of the Ones With no Hopes)
5-      Deus nova mobile … and a God is Born

BE (Chinassiah)
Animae Partus
A primeira “canção” gira em torno do discurso de Deus logo ao surgir, nela podemos ouvir os batimentos cardíacos e o poético “sopro divino”, que é por vez a origem do “ser” (Be), e da alma (Animae). O ser recém “nascido” diz a frase: “EU SOU!” demonstrando ter ciência de si, porém sem conhecer sua origem, apenas que advém do silêncio e da escuridão. A entidade tenta por vez entender a si mesmo, então se denomina Deus e vai à procura de respostas sobre si mesmo.

Diferente do Deus da bíblia que sabe de tudo, o Deus do álbum procura através de sua fome por conhecimento saber de sua própria origem, porém assim como o Deus bíblico Animae fragmenta-se e cria seres à sua imagem e semelhança e promete passar a eternidade tentando saber quem é .


Vale lembrar que na musica as frases são provindas de três vozes (tanto masculina quanto femininas), porem sendo a mesma pessoa, o mesmo Deus no caso, uma ótima analogia a divina trindade (Deus pai, Deus filho, Deus Espírito Santo, mas ainda um único Deus).

Deus Nova
O nome da musica faz uma alusão a não existência de um sexo no Deus, visto que “DEUS” é masculino e “Nova” feminino. Se fossemos seguir corretamente a lei ortográfica seria:

 DEUS NOVUS (masculino) ou DEA NOVA( feminino)

 A escolha do nome é intencional para representar a não existência de sexo no Deus recentemente criado.

A música é carregada e descreve o crescimento populacional da raça, acompanhe a letra:

10.000 a.C. — 1 milhão de pessoas / 9.500 a.C. — 2 milhões de pessoas / 9.000 a.C. — 3 milhões de pessoas / 8.500 a.C. — 4 milhões de pessoas / 8.000 a 5.000 a.C. — 5 milhões de pessoas / 4.500 a.C. — 6 milhões de pessoas / 4.000 a.C. — 7 milhões de pessoas / 3.500 a.C. — 10 milhões de pessoas / 3.000 a.C. — 14 milhões de pessoas / 2.500 a.C. — 20 milhões de pessoas / 2.000 a.C. — 27 milhões de pessoas / 1.500 a.C. — 38 milhões de pessoas / 1.000 a.C. — 50 milhões de pessoas / 500 a.C. — 100 milhões de pessoas / Ano 1 d.C. — 170 milhões de pessoas / 500 d.C. — 190 milhões de pessoas / 1.000 d.C. — 254 milhões de pessoas / 1.500 d.C. — 425 milhões de pessoas / Ano 2.000 d.C. — 6.080 bilhões de pessoas

Depois da contagem, Animae volta e explica o que acabara de fazer:

“eu criei o mundo para ser a imagem de mim mesmo, da minha mente”
“eu tomei para fora para formar uma nova raça (...) e agora eu sou muitos, tantos...

Com a humanidade criada a sua imagem e semelhança Animae espera aprender algo, ali fragmentado em bilhões de pessoas ele espera saber quem é.

Imago (Homines Partus)
Nesta faixa “iniciasse” o ser humano e a humanidade. A música carrega em seu tema ritmos tribais que nos remete aos homens das cavernas. O titulo vem do latim “à imagem de”, e representa o reflexo de Animae, este que divide sua mente em minúsculas “partes”, restos do primeiro pensamento que podem agora interagir estando separadas.

Bem diferente da bíblia cristã, o homem é criado primeiro que mares e animais, somente após a criação humana que se pode assistir a criação das demais “coisas”.

Essa representação é extraordinária na musica, onde as estações do ano são destiladas junto ao raciocínio humano, este que via tudo ser formado e experimentado:

“Primavera trouxe o despertar, trouxe inocência e alegria
Primavera trouxe fascínio e desejo de se fixar
Verão trouxe inquietude e curiosidade
Verão trouxe anseio pelas coisas que não podemos ser”

Logo que tudo ia sendo criado o homem desejava ali “sentir” e estar junto a aquilo tudo:

“Leve-me à floresta, leve-me às árvores
Leve-me a qualquer lugar, contanto que você me leve
Leve-me ao oceano, leve-me ao mar
Leve-me ao Respirar e SER”

Tudo era novo e a fome de conhecimento tão latente em Animae também transborda no homem:

“Ensine-me sobre a floresta, ensine-me sobre as árvores
Ensine-me qualquer coisa, contanto que você me ensine algo
Ensine-me sobre o oceano, ensine-me sobre o mar
Ensine-me sobre o Respirar e SER”

Diferente de Animae o homem parece saber entre (aspas) de onde veio:

“Vejam-me! Eu sou a criação
Ouçam-me! Sou o amor que veio de Animae”

Em minha opinião Imago é a melhor e mais expressiva música do álbum. 

Pluvius Aestivus
A faixa instrumental representa o começo da vida e à fertilização dos campos causada pela chuva, tanto que o nome da faixa vem do latim “chuva de verão”. É incrível como a musica nos transporta para pensamentos de campos sendo germinados e a vida “brotando”.

 Machinassiah Of God & Slaves

Lilium Cruentus (Deus Nova)
Lilium Cruentus é forte e carregada pelo fantasma da morte junto a incapacidade humana de lutar contra ela, o titulo que do latim significa “Lírio manchado de sangue”, expressa perfeitamente essa idéia e comunga junto as questões existências tão discutidas: como tudo se originou? De onde tudo veio? Para onde se vai?

“A vida parece ser muito pequena quando a morte cobra seu pedágio”

O conceito traz o homem moderno em meio ao seu cotidiano exprimindo duvidas existenciais.

Nauticus ( Drifting)
Imerso pelo mar de duvida Nauticus que em latim quer dizer “navegante” ou “marinheiro”, trás os humanos procurando em Deus a resposta para suas duvidas colossais, já que é mais fácil se apegar e achar uma resposta em divindades quando tudo parece perdido.

A música segue com vozes graves muito similar aos cantos gregorianos, demonstrando facetas de preces e suplicas, porém sem obter respostas alguma. desta forma o homem se apega a bens materiais e dinheiro.

Dea Pecuniae
Dividida em três partes Dea Pecuniae (que significa “deusa do dinheiro”), traz um conceito bem humano e tem correntes forjadas com ganância, dinheiro e mulheres fúteis, muito bem representados através dos “personagens” Sr. Dinheiro, Srta. Mediocridade e a Deusa do Dinheiro.

1-Mr. Money
A musica no estilo “Broadway”, traz estampado todos os prazeres momentâneos. Festas e entretenimentos tomam conta do novo ser, este que é observado sem pautas por Animae.
Essa primeira parte da canção traz um dialogo entre o Sr. Dinheiro e a Srta. Mediocridade, onde a soberba capitalista do Sr dinheiro é exibida:

“Eu poderia ter comprado um país de terceiro mundo com as riquezas que gastei”

Após um lindo solo pra lá de Blues temos a “deusa do dinheiro” recitando o que tem a oferecer:

"Se você procura realização um Reino e uma Coroa (...) Te darei os carros sexy`s e um gosto de divindade, Um lampejo das Estrelas, Imortalidade”...

2-Permanere
Após festas e “diversões” regadas a “ouro”, Sr. Dinheiro sente um vazio depressivo, mesmo podendo comprar tudo, algo lhe falta, e o Sr. Dinheiro sente se derrotado, mesmo que essa palavra ( derrota) praticamente não exista em seu vocabulário. 

“Mas quando tudo está calado e as luzes dos bares se apagam, eu preciso de consolo porque em algum lugar aqui no fundo ascendem sentimentos de derrota, E eu odeio perder!” 

 3- I raise my glass
Nessa terceira parte vem os brindes entorpecidos do Sr. Dinheiro, mais suas vulgares revelações:

...Podem apostar que é solitário no topo velhos amigo e hoje eu contarei a vocês idiotas o porquê! (...) Eles afirmam que eu sou pago por minha grande Responsabilidade, mas você sabe...
Que isso é só uma desculpa esfarrapada para minha egocentricidade
Eles dizem que somos iguais, eu e vocês e eu realmente concordo
Veja:
Assim como eu, vocês vivem para mim, até o dia de suas mortes, Por isso eu brindo a todos vocês! (...) Ergo a minha taça para aqueles entre vocês que dão suas fatias do bolo de graça para que eu as jogue na cara da democracia...

Vale lembrar que nesse ponto o homem faz do dinheiro o seu Deus.

Machinageddon (Nemo Idoneus Aderat Qui Responderet)

Vocari Dei (Sordes Aetas — Mess Age)
Com lindos harmônicos de guitarra, Vocari Dei e super criativa e interessante, retrata as suplicas humana a Deus.

Durante a gravação do álbum a banda disponibilizou um número de secretaria eletrônica para que fãs deixassem mensagem a Deus, Gildenlow na época disse que podia ser qualquer coisa desde que fosse de coração. O resultado foi incrível,  algumas pessoas agradeciam a Deus por algo, outras o culpavam por fome, guerras e catástrofes. É muito emocionante, já que são pessoas reais desabafando.

Uma curiosidade sobre essa faixa é a participação do baterista Mike Portnoy ( ex-Dream Theater), que também gravou uma mensagem agradecendo por sua sobriedade e resistência. Mike durante um tempo foi membro dos alcoólicos anônimos ( A.A)

A mensagem de Mike Portnoy pode ser ouvida apenas nos extras do DVD “BE” live.

Essa música representa a escravidão de Animae em relação aos humanos, visto que é depositado nele toda a culpa por enfermidades, crises e erros, todas as guerras travadas pela humanidade são em seu nome.

Diffidentia (Breaching the Core)
Tantas duvidas e cobiça acabam por fazer a humanidade se rebelar contra Animae,  transformando -se em deuses e deixando de ser fragmento da Mente do Ser para tornar-se “indivíduo”. Com o “circulo” sendo quebrado Animae se enfraquece.

A tradução do titulo diz muito sobre o decorrer da canção, “Desconfiança” (Penetrando no âmago).

Animae:

(...) Meus estilhaços viraram estilhaços deles mesmos, pedaços de pedaços, impossíveis de reunir, passando suas vidas na busca de um contexto do qual sempre fizeram parte...

Nihil morari (homines fabula finis)
O titulo dessa é bem sugestivo: “Nada restará” (fim da fábula humana). Contando de forma bela a falha de Animae e de Imago, narrando o começa do fim do “ciclo”.

 A Terra, antes fértil e intacta é deteriorada em meio à discussão pela sobrevivência, a humanidade que conquista a lua e planeja colonizar marte destrói a terra em nome do dinheiro.

No fim da faixa volta o tema musical da canção “Deus nova” acompanhado da seguinte letra:

“The year 2,010 AD: 6,823 Million people
2,020 AD: 7,518 Million people
2,030 AD: 8,140 Million people
2,040 AD: 8,668 Million people
2,050 AD: 9,104 Million people”

Machinauticus (Of the Ones With no Hopes)

Latericius valete
Do latim “Feito de tijolos fortes”, a faixa instrumental é carregada e climática. Simboliza o passar de tempo e apenas uma frase é dita:

2,060 AD: 1.2 Million people…

Representa a diminuição populacional para 1,2 milhão de pessoas e que, comparado á data da última faixa, essa redução ocorreu em uma década.

Omni
O titulo em si é muito interessante, pois Omni é a palavra que dá origem ás palavras “onipresença”, “onipotência”.

A última gota que resta de esperança para descobrir o segredo da vida e do universo é construir uma avançada sonda espacial, esta que ganha o nome de “Nauticus”. Na música pode se ouvir as noticias angustiantes de doenças, mortes e catástrofes que assolam o planeta.

A sonda Nauticus é a maior criação universal e navega no espaço. Seu objetivo é encontrar resposta para poder salvar o planeta terra dele mesmo. Por fim a Humanidade é corroida e Nauticus faz sua busca.


Iter Impius (Martigena, son of Mars) (Obitus Diutinus)
Nesta faixa o Sr, dinheiro renasce através de uma hibernação, dessa vez nosso querido Mr. Money esta imortal e descobre que realmente é dono de TUDO, porém não tem nada pra ele tomar posse, não há nada pra ser dono, o mundo esta em ruínas e foi tomado por algumas maquinas deixada pela humanidade.

Agora ele é o rei do mundo, porém governava RUÍNAS.

A música porta -se como uma das melhores do disco, com muito feeling e pegada. Daniel despeja vocais sensacionais, uma obra de arte.

Martius/Nauticus II
A sonda Nauticus adquire consciência, ela detém todo o conhecimento Humano além do conhecimento sobre todas as “coisas”.

Eu estou na fronteira, eu vejo tudo. Agora eu sou Nauticus e muito mais, eu sou tudo
Estou na fronteira - exatamente na fronteira, uma eternidade num piscar de olhos
Neste lugar chamado tempo
Eu sou todas as coisas
Eu sou todo os lugares
Eu sou todos
Ômni
"SER"

A canção é muito bonita e tem um ar cientifico. Em um certo momento ela volta com as batidas tribal de Imago.

Deus nova mobile … and a God is Born

Animae partus II
Agora temos o desfecho, o final do ciclo, o “nascimento da alma”, o surgimento de um novo Deus personificado como “I AM”.

A historia se repete de forma diferente, porém igualmente em termos filosóficos.

Podemos chamar essa obra de mitológica. “Be” fala da Humanidade e de todas as facetas desfiguradas da mesma. Cobiça, consumismo, materialismo, futilidades, temas religiosos e espirituais. “Be” traz pensamentos que por vezes são deixados de lado devido sua complexidade. Os problemas comuns de nossa sociedade são muito bem expressados através do “Sr. Dinheiro”, com criticas que estão acima do capitalismo falho, exalando conscientemente opiniões e posicionamentos por muitos não entendido.


Fontes:

Alem é claro das letras do álbum, usei um excelente TCC publicado por Jaqueline Pricila dos Reins Franz, que tinha o álbum como base.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Manowar - “Guyana (Cult of the Damned)”


Até onde vai a fé cega e a loucura em nome de Deus? A resposta para essa pergunta é um verdadeiro buraco negro na humanidade, visto que desde a idade media tiranos matam e usurpam vidas e posses em nome de Deus.

Varias são as bandas e musicas que abordam com certa profundidade esse tema, porem hoje em particular falarei do álbum “Sign of the Hammer” gravado em 1984 pelo MANOWAR. O álbum tem em seu desfecho uma musica chamada “Guyana (Cult of the Damned)” que fala sobre o suicídio em massa arquitetado por JIM JONES, líder da seita “templo dos povos”.

Filho de um pai alcoólatra Jim Jones durante a infância foi um garoto perturbado e fascinado por morte e religião. Nos anos 50 fundou em Indiana (EUA) o templo dos povos após ter feito um curso de pastor por correspondência, Jim Jones calcava seus sermões propondo uma sociedade cristã e igualitária, onde não haveria ricos ou pobres e muito menos distinções de raças.


Jones era um sujeito carismático e influente, tanto que até mesmo chegou a ser secretario de habitação. Porem esse carisma aos poucos se revelava ser uma faceta doentia e perigosa, Jones era um verdadeiro tirano que se escondia por trás de boas intenções, ele obrigava a todos os seus seguidores a chamá-lo de pai e pregava que o Deus era ele próprio. Outra característica latente e doentia era o fato de Jones se vangloriar por fazer sexo tanto com homens e mulheres de seu templo, tudo muito bem explicado e posto a todos em pleno “culto”.

Apesar disso os seguidores de Jones só aumentavam, visto que ele ajudava os sem-teto, desempregados e doentes de todas as raças, porem muitos acabavam abandonando a seita devido aos abusos internos, para esconder as patifarias eloqüentes, Jones começou a fazer uma “colônia” nas selvas da Guiana no qual ele chamou de JONESTOWN. 


Jonestown chegou a abrigar no seu auge quase 1000 pessoas, estas que trabalhavam seis dias por semana durante dez horas por dia, tentando cultivar sem sucesso uma terra estéril. A falta de comida aumentava, a higiene era precária, Jones monopolizava todo tipo de informação, a única forma dos fies saberem de algo era através de alto falantes, no qual somente se ouvia a voz de Jones durante as 24 horas do dia, uma verdadeira lavagem cerebral.



Mesmo escondido pela mata, os boatos de abusos eram constantes, uma revista chegou a revelar que a seita tomava dinheiro e propriedade de seus fiéis. O paraíso de terror, isolamento, abusos sexuais, falsos milagres e pressões psicológicas imposto por Jones estavam prestes a sucumbir.

Após um ano de total esquecimento, veio à tona acusações de que Jonestown era na verdade um campo de concentração de trabalho escravo, três jornalistas e o deputado Leo Ryan fizeram uma visita ao paraíso de Jones, lógico que uma investigação era inevitável. Ao chegar ao local, todos os seguidores de Jones pareciam muito felizes com tudo, porem logo a fraude começou a ser descoberta, os jornalistas começaram a receber bilhetes com pedidos de socorro e após muita confusão, onde até mesmo um atentado a faca contra o deputado teve de ser contido, o deputado decide então ir embora levando com eles 15 pessoas que desesperadas tentavam deixar o templo.

Conclusão, os três jornalistas mais o deputado Leo Ryan alem de um dos fugitivos foram mortos a tiro, o atentado ainda deixou onze pessoas feridas.

O desespero então tomou conta de Jones, e é neste ponto que a loucura faz sua pragmática equação, após anunciar a todos nos falantes que o deputado estava morto, Jones munido de sua eloqüência, convence seus seguidores de que “SE NÃO PODEMOS VIVER EM PAZ, VAMOS MORRER EM PAZ”

O pastor manda todos, inclusive as crianças, tomarem um suco com cianeto que ele chamava carinhosamente de “medicamento”, sem saída, o pastor vê como ultimo recurso o suicídio em massa de seus seguidores.

Foram envenenadas 303 crianças, muitas delas tendo recebido o veneno pelas próprias mães, por fim, todos acabam tomando o veneno, menos Jones que acabou morrendo com um tiro na cabeça.


Durante o processo de “unção” junto ao veneno, o fanático dizia nos altos falantes que ninguém ali estava se matando simplesmente, e sim que executavam um suicídio revolucionário contra um mundo desumano, foram mais de 900 mortes.



Esse triste acontecimento foi muito bem expressado através da musica “Guyana (Cult of the Damned)” dos reis do metal MANOWAR, que conseguiu de forma poética eternizar esse terrível fato, alem de cravar nas paginas do heavy metal uma musica prá lá de empolgante e muito bem composta, Guyana tem uma linda linha de baixo e um vocal lindo que desenha de forma pesada os acontecimentos de 18 de novembro de 1978, as frases inicias da musica são de arrepiar:

“Obrigado pelo Kool Aid ( cianeto) Reverendo Jim
Nós estamos contentes de deixar para trás o  mundo de pecado
Nossos corpos sem vida caem em solo sagrado” 

Fica a dica para quem não conhece a canção, pois mais uma vez a arte vem nos trazer fatos e acontecimentos por vezes esquecidos, porem nunca apagados. 



quarta-feira, 21 de outubro de 2015

ORPHANED LAND- O EXPRESSIVO CLIP DE ALL IS ONE


O rock por ser um estilo mundial acaba por difundir em sua musica nomenclaturas regionais e filosóficas, como por exemplo, instrumentos típicos , temas e pensamentos locais.

Uma banda que faz disto uma constante é o ORPHANED LAND, a banda israelita de heavy metal carrega uma forte influencia da musica tradicional do oriente. Criada em 1991 o ORPHANED LAND tem como filosofia temas pesados do seu país, muitos denominam a banda como “oriente metal”.

Em 2013 a banda gravou o álbum ALL IS ONE e fez uma ótima reflexão sobre a religião no qual falaremos um pouco.


Com muita profundidade, o álbum propõe a fusão de três poderosas religiões, cristianismo, islamismo e judaísmo. O álbum é uma forma super criativa e forte de tentar mostrar ao mundo (especialmente ao Oriente Médio), que tudo se une em algum ponto, e que não faz sentido tantas guerras em nome da religião.


O álbum tem uma aura esperançosa que almeja de forma utópica (e artística), unificar o mundo. As musicas refletem um pouco a confusão de se imaginar tal fusão por muitos impossível, tendo entre seus acordes frases sombrias e políticas, porem todas muito bem executadas e inspiradas, o prog metal desenhado em ALL IS ONE é carregado de uma alma coexistente e mostra de forma belíssima como a arte pode ser exuberante e expressiva.

O clip da musica ALL IS ONE é uma verdadeira aula de heavy metal. Repleta de instrumentos típicos e simbologias, o vídeo faz uma excelente critica religiosa que propõem a unificação das mesmas. Uma verdadeira obra de arte que merece ser “estudada” e apreciada.

A magia da arte é exatamente essa, mostrar a realidade acima da fé ou política, pois se tivéssemos a mesma “cabeça” ou conhecimento de tempos atrás, ainda estaríamos evitando navegações com medo de cairmos no abismo de nossa própria ignorância.


Acompanhe o clip de ALL IS ONE legendado e teçam suas próprias opiniões, pois penso que ninguém aqui quer ver a fé ser compartilhada ATRAVÉS DO CANO DE UMA ARMA!



domingo, 18 de outubro de 2015

DISCOS ESQUECIDOS: APHRODITE`S CHILD - 666




Muitos são os discos consumidos pelas areias do tempo, então hoje vou voltar para o ano de 1972 para falar de um dos discos mais importantes (porem esquecido), da historia do rock progressivo.

 O álbum em questão foi muito controverso, polêmico, censurando e absurdamente muito bem composto e inspirado, estou falando do grupo grego Aphrodite’s Child, e de sua obra máster 666 (The Apocalypse of John, 13/18).

Pra quem não conhece, o Aphrodite’s Child era formado por dois populares nomes do rock grego, o vocalista e baixista Demis Roussos e o tecladista Vangelis. Junto ao baterista Lucas Sideras o Aphrodite’s Child fez muito sucesso na década de 60, gravando clássicos como “Rain And Tears” e “Spring, Summer, Winter And Fall”, esta ultima inclusive foi lançada aqui no Brasil.



O conceito do disco 666 (The Apocalypse of John, 13/18), é uma adaptação ao “Livro das Revelações da Bíblia”, baseado no Apocalipse de São João, do Novo Testamento, porem se engana (e muito), quem pensa que o disco é “religioso”.

A "trama" do álbum é inspirada no livro do cineasta grego Costa ferris, o conceito era simples, um grande circo com acrobatas, dançarinos, elefantes, tigres e cavalos mostrando um espetáculo referente ao fim do mundo, no qual corrobora com o tema Bíblico.

A TRAMA:
Durante o decorrer do show, em meio a diversos efeitos de luz e som, algo estranho começa a acontecer fora do circo, era a revelação da destruição do planeta. O público acredita que o que acontece fora do picadeiro faz parte do show, mas o narrador começa a alertar a platéia que aquilo é real. Então, uma imensa e vorás batalha entre o bem e o mal é travada.

O álbum foi totalmente criado por Vangelis e Costa Ferris e se tornou a principal obra do grupo.

O disco foi coberto por polêmicas, a começar pela capa. Originalmente, Vangelis queria que a capa fosse a mesma escolhida para o livro de Costas Ferris, onde o número “666” era escrito com gotas de sangue sobre um fundo totalmente preto, mais não foi aceito causando um grande desgosto em Vangelis, piorando ainda mais os problemas internos da banda, a capa escolhida tinha apenas o “666” gravado em letras brancas sobre um fundo negro e com um preenchimento vermelho em volta. Existe uma versão que saiu apenas nas primeiras edições Inglesas que se assemelha com a capa escolhida por Vangelis, porem com o escrito 666 em branco, essa versão é raríssima. É claro que muitos “temiam” o álbum por trazer estampado o numero da besta.



Muitos diziam que o álbum foi concebido sobre o efeito de uma droga chamada “Sahlep”, e isso causou um grande desconforto entre os produtores, existiam também acusações de realizações de rituais satânicos entre os membros da banda, tudo sobre a influencia do tal “Sahlep”, na verdade Sahlep é um chá turco feito com raiz de orquídea (nada tão profano!).

Outra polêmica latente era em relação a canção “∞” ( infinity), essa musica teve a participação de Irene Papas. Irene cantava num tom meio que “sexual” as frases:

“I was, I am, I am to come” (Eu era, eu sou, eu sou, virei) uma inversão de “who was, is, is to come” ( que era, é, está para vir) contida na Revelação e atribuída a Deus, porem a frase era confundida(ou interpretada), como “I was, I’m and I want your cum” (Eu era, eu sou e eu quero seu esperma).

Claro que o modo histérico cantado por Irene, mais os embalos rítmicos sexuais impostos pela percussão ajudaram e muito nisso, porem não poderia ser deixado de lado, já que o conceito dessa parte era a seguinte:

O demônio começa a utilizar esta frase dentro de seu ego e assim tenta renascer ou então criar outro ego, fazendo amor com ele mesmo até atingir o orgasmo!

Irene Papas


A faixa foi literalmente riscada na Espanha, a venda de 666 (The Apocalypse of John, 13/18), foi proibida por lá durante muitos anos devido a “∞”( infinity).

Mesmo sendo uma obra de arte do rock progressivo, 666 (The Apocalypse of John, 13/18), não vendeu bem, a censura latente sobre o álbum fez a poeira dominar as prateleiras. Roussos e Vangelis disseram que a Mercury podou muito a versão original do álbum, que era para ser lançado em formato quádruplo.

 
Arte da parte interior do disco


Todas as musicas do disco são muito bem executadas e estão a frente do seu tempo, o disco abre com sarcasmo e despeja muita criatividade, System tem polêmicas frases executadas num andamento de “marcha”,“We got the system, to fuck the system”.

Logo após as vozes cessarem, um violão muito bem ritmado da às boas vindas para Babylon, o baixo da musica é muito bem feito e rouba à atenção, a canção é acompanhada por um coro de platéia.

 A próxima musica começa com uma base de piano muito bem proposta por Vangelis, uma voz de criança faz a narração, entre as frases um coro diz, Loud, Loud, Loud, a musica decorre assim bem singela, porem quando se ouve sons de “sininhos” iniciasse a melhor musica do álbum em minha opinião The Four Horsemen começa com um angustiante e marcante vocal de Demis Roussos, a letra fala sobre os quatro cavaleiros:

E quando o Cordeiro abriu o primeiro selo,
Eu vi o primeiro cavalo.
O cavaleiro tinha um arco
Agora, quando o cordeiro abriu o segundo selo,
Eu vi o segundo cavalo
O cavaleiro segurava sua espada…

Outra musica que não posso deixar de citar é o single Break, que é praticamente uma despedida de Roussos, com um piano lindo e um excelente solo de guitarra. Break fecha o álbum de forma magnífica



Em suma, uma obra prima. Corra atrás dessa obra, principalmente se aprecia a arte exuberante do rock progressivo, pois temas como estes,  executado em alto nível, são raros e únicos.

IRON MAIDEN- O CONCEITO DE SEVENTH SON OF A SEVENTH SON




A dama de ferro dispensa apresentações, sua discografia espetacular vem a anos brindando o ouvinte com um verdadeiro orgasmo musical. Apesar da banda sempre ter um tema principal nos álbuns, como por exemplo, os egípcios em powerslave ou mais recentemente os maias em the book of souls, o IRON MAIDEN tem apenas um disco conceitual propriamente dito, o magnífico SEVENTH SON OF A SEVENTH SON.

O disco foi composto de forma “casual”, Harris e Dickinson perceberam que certas musicas escritas separadamente se encaixavam num conceito. E foi assim de forma despretensiosa que surgiu o álbum SEVENTH SON OF A SEVENTH SON no qual falaremos um pouco.

O disco é o sétimo álbum da banda e conta a historia do sétimo filho do sétimo filho, uma criança que detinha poderes paranormais, entre eles, clarividência e cura, tal poder fez com que céu e inferno lutassem para ter o garoto do seu lado.

Moonchild

A musica começa com um violão repleto de uma simplicidade quase que poética, os acordes vêm acompanhado por uma voz linda e profética magistralmente executada por Bruce Dickinson:

Sete pecados mortais
Sete maneiras de vencer
Sete caminhos santos para o inferno
E sua viagem começa

Sete rampas para baixo
Sete esperanças ensanguentadas
Sete são seus fogos que queimam
Sete seus desejos

O trecho da introdução representa as varias formas em que uma pessoa pode condenar sua alma às trevas da perdição.

Quando a musica ganha corpo, a representação lírica vem destilar seu enredo, o demônio tenta impedir o nascimento do garoto, para isso atormenta a mãe da criança, tentando fazê-la matar seu filho:

 Eu sou ele, o que não nasceu
O anjo caído que observa você
Babilônia, a prostituta escarlate
Eu me infiltrarei em sua gratidão
Você não ousa salvar seu filho
Mate-o agora e salve os mais jovens
Seja a mãe de um recém nascido sufocado
Seja propriedade do demônio,
Lúcifer é o meu nome

O demônio percebe que a mãe não ira ceder ao seu paliar, então ele se volta para a alma do sétimo filho, ameaçando o ainda não nascido com sofrimento eterno:

E se você tentar salvar a sua alma
Eu irei atormentá-lo - você não irá crescer
A cada segundo e respiração que passa
Você estará tão sozinho
que sua alma irá sangrar até morrer

Com medo de o céu tomar o garoto para seu lado, o demônio planeja a morte da criança prestes a nascer:

Sete anjos, sete demônios brigam por sua alma
Quando Gabriel está dormindo,
esta criança nasceu para morrer

Infinite Dreams

O tempo passa, o garoto nasce e o temor toma conta tanto do inferno quanto do céu, o jovem já com certa idade começa a desenvolver a clarividência, esta que vem em meio aos seus sonhos, porem sem entender, o jovem teme dormir, tentando evitar seus “pesadelos” perturbadores:

Sonhos infinitos, eu não posso negá-los
O infinito é difícil de compreender
Eu não posso ouvir aqueles gritos
Mesmo nos meus sonhos mais selvagens

Acordando sufocado em suor
Com medo de dormir novamente
Pois o sonho pode começar novamente
Alguém caçando, eu não posso me mover
Paralisado, uma estátua no pesadelo
Que sonho, quando irá terminar?
E eu o irei sobrepujar?

Sono sem descanso, a mente em confusão
Um pesadelo acaba e outro brota
Eu estou ficando com muito medo de dormir
Mas com medo de acordar agora, muito no fundo

As visões constantes fazem com que o jovem indague sobre o que há depois da morte, já que suas visões privam a jovem alma dessa informação:

Não pode ser tudo coincidência
Coisas demais são evidentes
Você me diz que é um ateu
Espiritualista? Bom, eu também não sou
Mas você não gostaria de saber a verdade
Do que está além para ter a prova
E descobrir de que lado você está?
E aonde você irá terminar, no paraíso ou inferno?

...

Tem de haver mais aqui do que isso
Ou diga-me porque nós existimos
Eu gostaria de achar que quando morremos
Eu teria uma chance outra hora
De retornar e viver novamente
Reencarnar, jogar o jogo
Novamente, novamente, novamente


Can I Play With Madness?

Neste ponto o jovem já sabe dos seus poderes, então ele procura por um profeta (um tipo de vidente), para que ele o ajude a ter domínio de seus crescentes poderes:

Dê-me o senso de perguntar
Perguntar se eu sou livre
Dê-me o senso de perguntar
De saber que eu posso ser eu mesmo
Dê-me a força para manter minha cabeça erguida
Cuspir de volta em sua cara
Não preciso de chave para abrir esta porta
Vou derrubar as paredes
Sair deste lugar ruim

Posso brincar com a loucura?
O profeta olha em sua bola de cristal
Posso brincar com a loucura?
não há visão nenhuma lá afinal
Posso brincar com a loucura?
o profeta olhou e riu de mim
Posso brincar com a loucura?
ele disse "você está cego demais para ver"

O profeta ri do sétimo filho, a zombaria faz o jovem se sentir ridicularizado, o ato faz com que ele pense que o profeta na verdade seja um charlatão e desafia o mesmo:

Eu gritei alto para o homem velho
Eu disse "não minta, não diga que não sabe"
Eu disse "você pagará por sua brincadeira
Neste mundo ou no outro"
Oh e então ele me encarou com um olhar frio
E o fogo do inferno queimou em seus olhos

A raiva toma conta do profeta...  Uma ameaça é proferida:

Ele disse "você quer saber da verdade, filho
Eu vou te dizer a verdade
Sua alma vai queimar no lago de fogo"

The Evil That Men Do

O jovem acaba se apaixonando pela filha do profeta que desafiara, o velho sabia do destino amargo e cruel do jovem, desesperado, acaba matando sua própria filha para que ela não case com o sétimo filho:

O amor é uma navalha
e eu caminhei por aquela lâmina prateada
Dormi na poeira com sua filha,
os olhos dela vermelhos com a destruição da inocência
Mas eu rezarei por ela
Eu gritarei seu nome alto
Eu sangraria por ela
Se pelo menos a pudesse ver agora

Vivendo no fio da navalha
Balançando no abismo
Vivendo no fio da navalha

O mal que os homens fazem vive para sempre

O tema lírico do refrão é uma clara referencia a frase de William Shakespeare:

“O mal que os homens fazem sobrevive a eles; o bem
geralmente é sepultado com seus ossos”.

 Quando o jovem vê sua amada morta, ele perde a esperança na humanidade, agora ele sabia do mal que os homens eram capazes de fazer, entre a dor da perda ele escolhe o lado mal para comungar:

Circulo de fogo,
meu batismo de alegria parece terminar

A sétima ovelha morta,
o livro da vida se abre perante mim
Mas eu rezarei por você
E algum dia talvez eu retorne
Não chore por mim
No além é onde aprendi

Seventh Son of a Seventh Son

O lado escuro de sua escolha acaba por ajudar o jovem a ter domínio pleno de seus poderes, agora ele estava ciente de “tudo” e assume seus poderes divinos.

A musica é uma narrativa dos momentos e evolução dos poderes do sétimo filho, desde o nascimento até o alcance Maximo de sua força:

Aqui eles resistem, todos os irmãos
Todos os filhos divididos eles cairiam
Aqui aguardam o nascimento do filho
O sétimo, o santo, o escolhido

Aqui o nascimento de uma linhagem perfeita
Nasce o que cura, o sétimo, a vez dele
Abençoado sem saber, a medida que sua vida se descortina
Vagarosamente expondo o poder que ele detém

Sétimo filho de um sétimo filho
...
Hoje nasce o sétimo
Nascido de uma mulher o sétimo filho
E ele se transformou no sétimo filho
Ele tem o poder para curar
Ele tem o dom da segunda visão
Ele é o escolhido
Então que se escreva
Então que se faça

A musica em si é épica, coberta por riffs climáticos e teclados envolventes, um tema lindo e carregado de uma aura mística e profética.

The Prophecy

Da mesma forma que o sétimo filho julgou ser charlatão o pai de sua amada, após ter uma visão onde uma vila sofreria um desastre iminente, ele tenta avisar de todas as formas os habitantes da vila sobre a tragédia, porem todos dizem que ele é apenas mais um charlatão:

Agora que eu sei que a hora certa chegou
Minha profecia certamente será verdadeira
O desastre eminente agiganta-se
E a vila inteira está destinada
Porque vocês não me escutam?
É tão difícil de entender
Que eu sou o verdadeiro sétimo filho
Sua vida ou morte de mim depende

Sua insistência em alertar os moradores da vila sobre o desastre acaba fazendo dele um portador de mau agouro. O desastre acontece, todos ali culpam o sétimo filho por ter trazido consigo uma maldição:

Agora que eles vêem que o desastre já ocorreu
Agora eles colocam toda a culpa em mim
Eles sentem que eu trouxe uma maldição
Não sabem eles que o tormento
Continua comigo, sabendo que eu ando sozinho
Pelos olhos do futuro eu vejo
Eles nem mesmo sabem o que é o medo
Eles não sabem que sou eu o amaldiçoado

The Clairvoyant

Como uma introdução marcante de baixo THE CLAIRVOYANT é estupenda e mística.
Os poderes do sétimo filho estão cada vez maiores, o grau elevado beira a loucura, ele já não sabe mais distinguir uma visão da realidade:

 Sinto o suor escorrer de minha testa
Sou eu ou são sombras que dançam na parede
Isso é um sonho ou é o presente
É uma visão ou normalidade
o que vejo diante de meus olhos

O sétimo filho esta amedrontado, seus poderes estão realmente fora de controle:

Eu pergunto por que, eu pergunto como
Parece que as forças ficam mais fortes a cada dia
Eu sinto uma força, um fogo interior
Mas eu estou amedrontado,
eu não estarei mais preparado para controlar isto

Mesmo podendo ver o futuro de todos, ele não podia tecer essas visões a si mesmo, o que tem do outro lado? Quando seria sua morte? Estas respostas eram apenas paginas brancas para o escolhido:

Existe tempo de viver e tempo de morrer
Quando é a hora de encontrar o criador
Existe um tempo para viver, mas não é estranho
Que assim que você nasce você esteja morrendo

Apenas olhando por seus olhos
Ele pode ver o futuro
penetrando em sua mente
Ver o futuro e ver suas mentiras
Mas por todo o seu poder
não poderia prever sua própria morte

E nascer novamente?

Only the Good Die Young

Enfim a morte começa a beijar o seu rosto, satã apenas ri, pois desde o começo o sétimo filho foi um fantoche, um peão para o xadrez meticuloso de satanás:

O demônio em sua mente
vai te violentar na sua cama à noite
A sabedoria da velhice,
as mentiras e ultrajes escondidos
O tempo não espera por homem nenhum
Meu futuro é revelado
O tempo não espera por homem nenhum
Meu destino está selado

Se eu cancelar o amanhã
os não-mortos me agradecerão hoje
Zombo da cara de seus profetas,
eu ridicularizo a sua moralidade
A lua está vermelha e sangrando
O sol está queimado e negro
O livro da vida está silencioso
Não há como voltar

No refrão podemos notar o quão desiludido com a humanidade o escolhido se encontra, o mal parece sempre vencer, não importa o quanto batalhe ou se sacrifique:

Apenas os bons morrem jovens
Todo o mal parece viver para sempre
Apenas os bons morrem jovens
Todo o mal parece viver para sempre
Apenas os bons morrem jovens

Mais uma vez a analogia sobre a frase de William Shakespeare e apresentada no refrão.

Por fim o sétimo filho se despede da vida e da desprezível humanidade corrompida e maldosa, o texto é excelente onde uma critica a religião e proposta:

 Andar na águas, são milagres
tudo que você pode acreditar
Meça seu caixão,
cabe nele a sua luxuria?
Então acho que vou te deixar
Com seus bispos e sua culpa
E então até da próxima vez
Tenha um bom pecado

A musica termina como em um circulo musical, os violões da introdução voltam, agora com um ar de despedida:

Sete pecados mortais
Sete maneiras de vencer
Sete caminhos santos para o inferno

Sete ladeiras para baixo
Sete esperanças ensanguentadas
Sete são seus fogos ardentes
Sete seus desejos

Seventh son of a seventh son é um dos melhores álbuns do Iron Maiden, as musicas nele contidas são lindas e carregadas de um clima místico e por vezes profético.

A lenda do sétimo filho do sétimo filho é provinda do folclore e varias regiões tem suas próprias interpretações:

Irlanda
O sétimo filho de um sétimo filho é dotado de um curador. Há vários casos de um curandeiro irlandês em Scranton, Pensilvânia. Paul Joseph Cawley foi um sétimo filho de um sétimo filho e era conhecido na cidade irlandesa de mineração de carvão para curar muitas doenças de pele. O sétimo filho de um sétimo filho é parte de um fenômeno mais geral conhecido como a "cura" (às vezes também chamado de "encanto").

Reino Unido
Acredita-se que o sétimo filho de um sétimo vai nascer com poderes mágicos!

Argentina e América Latina
Acredita-se geralmente que ele será um lobisomem, lobizón ou lobisomem. Entretanto, aplica-se apenas ao sétimo filho, então, o sétimo filho do sétimo filho, resultaria em um lobisomem filho de um lobisom
(Wikipédia)


Deixando o conceito um pouco de lado, as musicas funcionam super bem se ouvidas separadamente, até porque foram compostas assim, a genialidade fica por conta da forma inteligente como foram organizadas dentro do conceito.

Vale lembrar que recentemente um filme chamado “seventh son” foi lançado, o filme conta em parte a lenda do sétimo filho do sétimo filho, vale muito a pena conferir.




quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A MORTE DE PAUL McCARTNEY




Existem varias lendas em torno do rock, uma das mais famosas é sobre a morte de Paul McCartney, muitos acreditam que isso é um fato (e confesso que eu também), então hoje voltarei para o ano de 1966 para falar um pouco sobre a “lenda” da morte de Paul McCartney dos Beatles.

Em meados de 1966 pouco tempo depois da gravação do álbum REVOLVER, os Beatles simplesmente param de excursionar alegando ser muito difícil reproduzir ao vivo os arranjos cada vez mais complexos, nesse mesmo momento Paul McCartney sofre um acidente sem “gravidade”. Muita desconversa rondou esses “boatos” na época, e acabou por dar margem a “lenda” da morte de Paul.

Segundo a "lenda"a data da morte de Paul seria 9 de novembro de 1966, as 5 horas da manhã numa quarta feira, o acidente teria acontecido em um cruzamento e Paul teria morrido na hora, uma rádio noticiou o acidente e a morte de Paul, porem os Beatles abafaram a propagação da noticia.

 Os Beatles estavam no auge e a morte de um membro importante poderia acabar com tudo, então o empresário da banda decidiu recrutar um sósia para substituir o Beatle morto, o sósia tinha sido duble de Paul nas filmagens de “A Hard Day’s Night” e “HELP”, segundo os envolvidos nas filmagens o sósia era idêntico a Paul, o tal sujeito seria um anglo- escocês chamado Willian Campbell (algumas fontes dizem que ele se chama Billy Shears).

Existem varias pistas nos próprios discos dos Beatles que sugerem a morte de Paul, como se os membros se sentissem incomodados perante a farsa e por não poderem falar abertamente sobre isso, decidiram colocar “pistas” nos álbuns.

PISTAS :


Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band:

- Podemos notar na capa que a cena se trata de um enterro, reparem na expressão das pessoas e nas flores típicas de um funeral.


-Um arranjo de flores com o formato do baixo Hofner usado por Paul pode ser visto, alias o baixo esta virado para a direita, uma menção clara a Paul já que ele era canhoto, o baixo também tem 3 cordas uma referencia aos Beatles que agora não eram mais um quarteto.



- A capa também traz outro arranjo que aparentemente trás escrito Beatles, porem se repararmos bem esta escrito “Be At Leso” (Esta em Leso), Paul segundo a lenda teria sido enterrado na ilha de Leso.



-Sobre a cabeça de Paul tem uma mão estendida, em algumas culturas isso representa um tipo de benção para os mortos.



- Uma boneca na parte direita da capa trás em sua mão um carro de brinquedo, o carro seria do mesmo modelo em que Paul foi morto.



-Uma estatua de Shiva também está presente no cenário, Shiva é o Deus hindu da morte.


-Se colocar um espelho horizontalmente bem no meio da escrita “Lonely Heart” do bumbo da bateria e olhar a combinação da parte de cima das letras com o reflexo surge a frase one he die.outras interpretações sugerem lermos a frase como sendo I One IX He ^ Die, O significado surge da conexões de "I One"  (Onze) ,"IX" (nove em numero romanos), e  He Die,Isso revelaria a data da morte de Paul. 




-Em Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, "so let me introduce to you the one and only Billy Shears", ou ("então deixa-me apresentar a vocês o primeiro e único Billy Shears"), o suposto sósia de McCartney.

-Em "With A Little Help From My Friends". Antes da canção começar só se ouve um coro apresentando Billy Shears, referindo-se a o sósia.

-Em "Within You Without You", "we were talking about the space between us all and the people who hide them selves behind a wall of illusion never glimpse the truth then it's far too late when they pass away", ou ("nós estávamos falando sobre o espaço entre todos nós e as pessoas que se escondem atrás de uma parede de ilusão nunca vislumbram a verdade quando é tarde demais quando elas morrem") é outra citação a morte.

-Em "Good Morning Good Morning", "nothing to do to save his life" ou "nada pode ser feito para salvar sua vida". "People running around it's 5 o'clock.." ou "Pessoas andando em volta às 5 da manhã" (a hora do acidente de Paul).

-Em "A Day In The Life", "he blew his mind out in a car, he didn't notice that the lights had changed", ou ("ele estourou a cabeça em um carro, ele não percebeu que o sinal tinha mudado"), outra pista sobre a morte de Paul.


-Este fato é extremamente interessante: na contracapa do álbum, na foto dos Beatles, além do famoso detalhe que mostra Paul virado de costas para a câmera, pode-se notar George Harrison apontando o dedo indicador direito exatamente para a frase de "She´s Leaving Home", que diz "Wednesday morning at five o´clock as the day...". Dia da semana e hora da suposta morte do Beatle.


Revolver:



-Ao invés de uma foto dos Beatles, pela primeira vez foi feito um desenho para evitar que o sósia fosse desmascarado pela foto.

-A música "Taxman" seria, na realidade, sobre um Taxidermista, pessoa responsável por empalhar animais mortos e fazer parecer que eles ainda estão vivos. Na letra há referências ao acidente de Paul ("if you drive a car", "se você dirige um carro") e ao fato de Paul estar morto ("if you get too cold", "se você ficar frio"). A melhor pista é "my advice to those who die -taxman..", ou seja "meu conselho para aqueles que morrem, um taxidermista" (para que o morto continue parecendo vivo).

-Em "Eleanor Rigby", Father McKenzie seria na realidade Father McCartney, note a semelhança entre os nomes. Na letra consta "Father McKenzie wiping the dirt from his hands as he walks from the grave" ou seja "padre McKenzie (Paul McCartney) limpando a sujeira de suas mãos após sair (voltar) do túmulo".

-Na letra de "She Said She Said": "she said I know what it's like to be dead" ou "ela disse: 'eu sei como é estar morta'."

-Dr. Robert teria sido o médico responsável por tentar salvar Paul. Na letra consta: "you're a new and better man" ou "você é um homem novo e melhor" se referindo ao novo Paul. "He does everything he can, Dr. Robert" ou "Dr Robert faz tudo o que pode fazer" se refere ao fato de Dr Robert ter feito todo o possível para tentar salvar Paul.


 Magical Mistery Tour:



-Paul está vestido de leão marinho, um símbolo da morte em algumas culturas.

-Se você olhar a capa do disco em um espelho, as estrelas onde está escrito "Beatles" formam um número de telefone. Quando se ligava para este número, na época em que o disco foi lançado, ouvia-se a mensagem "You're getting closer" ("você está chegando perto"). Na realidade, tratava-se de uma menina bem humorada que havia aderido à brincadeira sobre a morte de Paul.

-No livro que vinha junto com o disco, em sua versão original, havia uma foto dos Beatles, cada um com uma rosa na lapela. Todos tinham rosas vermelhas, a não ser Paul, que usava uma rosa preta.

-Ainda no livro, em todas as fotos Paul está descalço (os mortos são enterrados descalços).

-Na foto central do encarte, na pele de resposta da bateria de Ringo está escrito "Love 3 Beatles", lembrando que os Beatles agora são apenas 3.

-No desenho dos Beatles, presente no interior do álbum, Paul aparece com o gorro cobrindo parcialmente seu rosto, além de estar com os olhos fechados. É curioso também que a poeira de estrelas que os rodeia forma uma espécie de auréola sobre a cabeça de McCartney.

-Ouvindo "I Am The Walrus" (lembre-se que Paul é o leão marinho da capa) surge a mensagem "oh untimely death" ou "oh morte prematura". A frase aparece sem a necessidade de inversão da música junta com muitas outras ao final da música, incluindo: "bury my body" e "what, is he dead?" Estas frases fazem parte de uma execução via rádio da peça King Lear de Shakespeare. Lennon as utilizou na edição com propósito desconhecido... talvez a razão possa ser encontrada se forem verificadas as palavras postas anteriormente em "Paperback Writer", que dizem "...It's based on a novel by a man named Lear..."

-Ao final de "All You Need Is Love", você pode ouvir John dizendo algo semelhante a "yes! he is dead!" O que Lennon realmente fala é "She loves you, yeah, yeah", referindo-se à tradicional canção da primeira fase dos Fab Four.


"Magical Mystery Tour" seria a jornada a que todos os fãs de Paul iriam percorrer para decifrar o enigma de sua morte.



The White Álbum:



-Em "Glass Onion": "I told you about the walrus and me-man/you know that we're as close as can be-man/well here's another clue for you all/the walrus was Paul" ou “eu falei sobre a morsa e eu/você sabe o quanto éramos próximos/aqui vai mais uma pista pra vocês todos/a morsa era o Paul.” O final um tanto quanto sombrio, na qual a música corta repentinamente dando continuidade as mensagens subliminares, e é orquestrada por George Martin.

-Em "I'm So Tired", ao ouvir o trecho final da música ao inverso, surge claramente a voz de John Lennon dizendo "Paul is a dead man, miss him miss him."

-Em "While My Guitar Gently Weeps",  os gemidos de George no final da música seriam lamentações pelo amigo: "Oh, Paul… Paul… Paul…"

-Na frase “sorry that I doubted you, I was so unfair, You were in a car crash and you lost your hair”, ou ("eu lamento ter duvidado de você, eu fui tão injusto, você sofreu um acidente de carro e perdeu o seu cabelo'') é outra citação.

-A música "Revolution #9" seria sobre a morte de McCartney (o sobrenome tem 9 letras). "My fingers are broken and so is my hair" ou "meus dedos estão quebrados e meu cabelo também". Ao ouvir o verso "number nine" ao contrário, surge a mensagem "turn me on dead man" (me transformar em homem morto). Ainda ao contrário, podem-se ouvir outras pistas, incluindo "Let me out!" (Deixe-me sair). Seria McCartney gritando para sair de seu automóvel?


-Nas fotos colocadas em várias partes do álbum duplo algumas curiosidades. Paul em uma banheira, com a cabeça para fora da água dando uma impressão assustadora de decapitação. Paul entrando em um trem ou em um ônibus e duas mãos "fantasmagóricas" prontas para levá-lo para o "outro lado" podem ser vistas atrás dele. Nas fotos em close dos 4 integrantes a de Paul revela a cicatriz da cirurgia plástica de Willian "Billy Shears" Campbell para aperfeiçoar sua semelhança com Paul. Mas obviamente a cicatriz faz parte do pequeno acidente de moto que Paul sofrera, cicatriz responsável também pelo bigode em Sgt Pepper's.



Yellow Submarine:



-Na capa, aparece novamente uma mão aberta sobre a cabeça de Paul.

-O submarino na capa se assemelha a um caixão enterrado sobre a montanha.

-Em "Only A Northern Song": "and it told you there's no one there" ou ("e ele disse que não há ninguém lá."). Referência ao Paul não estar mais com os três Beatles restantes.


Abbey Road:



-Na capa com os Beatles atravessando a rua, Paul está com o passo trocado em relação aos outros, é o único fumando e está descalço (os mortos são enterrados descalços), além de estar com os olhos fechados.

-Lennon, de branco, representaria Deus ou Jesus Cristo; Ringo, o agente funerário; Paul, o cadáver e George, o coveiro.

-O cigarro que Paul segura está na mão direita. o Paul verdadeiro era canhoto, estaria com o cigarro na outra mão.

-A placa do fusca branco estacionado na rua que é chamado de "Beetle" é "LMW" referindo se as iniciais de "Linda McCartney Widow" ou "Linda McCartney Viúva" e abaixo o "281F", supostamente referindo-se ao fato de que McCartney teria 28 anos se (if em inglês) estivesse vivo.

-Na letra de "Come Together", "one and one and one is three" ou "um mais um mais um são três", referência aos três Beatles restantes.

-Na contracapa, ao lado direito da palavra Beatles, uma imagem feita de luzes e sombras aparece. Trata-se de uma caveira, claramente, com dois olhos e boca e ao lado esquerdo haveria 8 pontos formando o número 3 (sendo então "3 Beatles").

                                                     
                                                                     




"Paul e Faul"








 Essas “pistas” podem muito bem ter sido um GRANDE golpe de marketing, porem não podemos negar o fato da mudança física e “emocional” de Paul depois do “fatídico” dia. Uma coisa latente pra mim e a mudança de voz de Paul, apesar de ser muito parecida não foge a um ouvido treinado as diferenças, os trejeitos ao tocar também me chamam a atenção pela mudança. 

Sendo verdade ou não, essa lenda é umas das que mais se perduraram, eu particularmente acredito que o Paul realmente morreu, mais sei que muitos discordam da minha opinião, o fato é que essa “lenda” ainda nos trará muitas especulações.





fonte das "pistas" -Wikipédia.