segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Resenha: DVD Roadie Metal – Volume 1 (2017)


Em 1950 Nora Ney grava a canção “Rock Around the Clock”, de Bill Haley & His Comets (trilha do filme Sementes da Violência), sendo a mesma considerada a primeira música de Rock a ser gravada aqui no Brasil.
A primeira canção Rock 100 % brasileira foi composta por “Miguel Gustavo” (autor da marchinha “Pra Frente Brasil”, que embalou a seleção de futebol na Copa de 1970) e foi gravada por ninguém menos que Cauby Peixoto, “Rock and Roll em Copacabana”.
Em 1982, trinta e dois anos depois do primeiro Rock gravado no país, o “Stress” (banda de heavy metal tradicional da região amazônica de Belém-PA) lança o primeiro disco de Heavy Metal Brasileiro, o clássico “Stress I”. De lá pra cá, várias momentos de pioneirismo envolvendo o Heavy Metal nacional fez parte da história do estilo no país, transformando o mesmo em algo grandioso.
Quando se imaginava que nada de inovador poderia surgir, eis que Gleison Júnior (idealizador do programa de rádio e assessoria de imprensa Roadie Metal) tem uma simples, porém inédita ideia, lançar uma coletânea em DVD reunindo videoclipes de diversas bandas de Metal Brasileira, proposta nunca antes executada no país.
Com um nome já consolidado através do programa “Roadie Metal a voz do Rock” e das coletâneas físicas distribuídas gratuitamente para todo o Brasil (que já alcançou nove edições), a Roadie Metal decide então juntar 32 bandas de nosso vasto cenário nacional para participar da inédita coletânea Roadie Metal em DVD.
A obra áudio visual vem numa belíssima caixa digipack que traz uma expressiva arte composta por Marcelo Nespoli. Dentro encontramos dois DVD’s mais um luxuoso e detalhado encarte especificando cada clip existente no trabalho, como formação, breve histórico da banda, foto, capa do disco, letra da música, conceito visual, dados técnicos do clipe e contatos.
Ao dar play no DVD encontramos no primeiro disco bandas mais extremas, como Thrash, Death, Black. Já no segundo uma gama de bandas de Heavy Metal tradicional, Hard Rock e Progressivo são destacadas.
Disco 01:
VOODOOPRIEST
Abrindo o trabalho temos a “Voodoopriest”, banda de Vitor Rodrigues (ex-Torture Squad) que traz o clip da faixa “Juggernaut”. O vídeo reproduz imagens do show de estreia do grupo em são Paulo.
Destaque: cortes muito bem executados que dá a impressão de estarmos realmente no show.
TELLUS TERROR
Os criadores do M.M.S. (Mixed Metal Styles) “Tellus Terror” presenteia os ouvintes com um clip muito bem produzido e criativo. “Blood Vision” é repleto de efeitos especiais mostrando com bastante expressividade a característica e capricho da banda.
Destaque: Roteiro e produção
DEATH CHAOS
Com um ar psicopata, o clip “House of Madness” da “Death Chaos” porta- se como um terror clássico e psicológico, muito disso devido ao enredo que descreve uma família de assassinos.
Aos três minutos e 53 segundos, a faixa traz sussurros na letra, dando a interpretação um clima doentio. Com certeza o trecho agradaria e muito à Sawney Bean e sua família canibal.
Destaque: devido à ausência de efeitos especiais, o vídeo seguiu um padrão antigo de se filmar terror, dando ao clip um ar clássico.
KRUCIPHA
Com um clima agoniante, a “Krucipha” viola os mandamentos com uma percussão muito criativa, dando a faixa “Reason Lost” um toque surpreendente.
O vídeo traz uma mulher numa cela tendo alucinações, e a banda faz parte dessas alucinações.
Destaque: o destaque fica por conta do desfecho do vídeo que mostra que a situação da mulher não é tão agoniante e real quanto parece.
DIVISION HELL
Simples e direto o clip de “Bleeding Hate” da “Division Hell” traz a banda tocando em meio a escombros e matagal.
Destaque: um ponto que chama a atenção são as chamas que vez por outra aparece diante dos músicos dando ao vídeo um ar visceral.
TRIBAL
Com muita modernidade e técnica a banda “Tribal” trouxe para a coletânea o clip “Broken” que imersa em densidade traz um toque progressivo ao DVD.
Destaque: a banda toca num fundo preto, o que dá as montagens uma ar mais cru, já que takes com sangue e algumas seringas compoem o clima denso do vídeo.
NO TRAUMA
A praça pública XV, zona portuária do Rio de Janeiro foi o cenário escolhido pelos cariocas do “No Trauma” para a gravação do clip “Fuga”. O cenário junto a mescla de Metalcore, Hardcore, Djent e Groove Metal dão ao vídeo uma pegada urbana e violenta.
Destaque: interação das pessoas na praça com a banda.
CORE DIVIDER
Com uma letra que faz claras críticas a guerra, o clip “No War” da “Core Divider” mostra um personagem, interpretado pelo vocalista Jorge Mohamed, amarrado à beira da loucura devido a guerra, seus olhos totalmente brancos fazem referência a cegueira da população.
Destaque: conceito e iluminação.
MONSTRACTOR
A “Monstractor” com seu excelente Thrash Metal trouxe para a coletânea o vídeo “Immortal Blood”. Gravado no escuro com iluminação apenas no rosto dos músicos, o clip é bastante visceral e agressivo.
Destaque: tremida da câmera junto ao peso dos riffs.
VORGOK
A “Vorgok” o com clip “Hunger” traz uma de suas melhores letras. O vídeo em preto e branco trata do direito dos povos do terceiro mundo a segurança alimentar, e foi baseada no “FAO Statistical Yearbook 2013 – World food and agriculture”.
Destaque: sutilmente são colocados efeitos sobre o vídeo da banda tocando no estúdio, tipo uma layer de distorção.
HEAVENLESS
Também em preto e branco o clip “Hatred” da banda “Heavenless” traz imagens, tanto em vídeo quanto em fotos, de vários núcleos religiosos e suas contribuições negativas para sociedade, como imposição, doutrinação, fanatismo e corrupção.
Destaque: cortes e escolha das imagens na montagem.
MATRICIDIUM
Com um Death/Thrash recheado de cadencia e um baixo inspirado, a “Matricium” apresenta o clip “The Beating Never Stops”. Assim como sugere o nome da faixa, o clipe mescla imagens da banda tocando junto a um espancamento.
Destaque: maquiagem e os efeitos de flash sobre a banda.
FORKILL
Gravado inteiramente ao vivo, o vídeo “Vendetta” traz toda a pegada característica da banda, um Thrash Metal oitentista e muito bem executado.
Destaque: cortes e execução.
NINETIETH STORM
O clip “Death Before Dishonor” é um dos que mais gostei do gênero no dvd. A mistura de Deathcore e Metalcore junto a uma crueza digna de estilos como o Hardcore são executados com bastante frieza pela “Ninetieth Storm”. O clip é composto de vídeos de guerra e ataques, a própria banda parece estar tocando num acampamento militar, com lonas pretas envolta dos músicos. A faixa é uma homenagem aos três soldados Brasileiros mortos na segunda guerra mundial, Arlindo Lúcio da Silva, Geraldo Baeta da Cruz e Geraldo Rodrigues de Souza.
Uma curiosidade da faixa é o áudio do personagem “Raiden” do jogo “Mortal Kombat” dando seu golpe “HAGEEBABARAYYYY”.
Destaque: efeitos de VHS e o entrosamento entre os vídeos de guerra e a música.
USINA
Narrando a falência do sistema carcerário nacional, a banda “Usina” com o clip “Destruição e morte” traz um Thrash Metal bruto e muito bem executado.
Destaque: a máscara de efeito foi tão bem colocada que parece que as cenas reais dos presídios foram filmados pela mesma câmera.
CURSED COMMENT
Gravado ao vivo, o clipe “Luftwaffe” (que foi o ramo aéreo da Wehrmacht durante a Alemanha Nazista na segunda guerra mundial) tem uma letra muito bem construída e uma pegada “Thrash Metal” digna de grandes bandas.
Destaque: legenda com a tradução da música.
Disco 2:
ELEPHANT CASINO
“Believe” da “Elephant Casino” abre o segundo DVD com muito capricho. O Hard Rock com pinceladas de Progressivo proposto pela banda enche a tela com um clipe muito bem produzido.
Destaque: efeitos muito bem colocados junto a takes criativos.
SUPERSONIC BREWER
Com influências de Country e Southern Rock, a banda de Heavy/Thrash “Supersonic Brewer” com o clipe “Blood Washed Hands” surpreende e traz um vídeo no formato acústico.
Destaque: o grupo conseguiu unir com perfeição o clima técnico do estúdio junto as cenas do sertão sem parecer clichê.
DEMONS INSIDE
O vídeo “Remorse, Effect Of Traumas… Remains” da “Demons Inside” é repleto por uma aura melancólica e pesada, atributos que transformam seu Heavy/Speed Metal em algo diferenciado.
Destaque: efeito de aceleração no ator muito bem executado junto ao bpm da música.
JÄILBÄIT
A Jäilbäit (atual PRISON BÄIT) com o clipe “Take it easy” apresenta um excelente e criativo vídeo que mostra a pressão, stress e empecilhos do cotidiano de uma mulher.
Destaque: jogo do São Paulo no local de trabalho da personagem principal (brincadeira rs), montagens e roteiro.
APPLE SIN
O vídeo autointitulado da “Apple Sin” traz em seu enredo uma metáfora referente às tentações e o peso na consciência que acabam influenciando nossas vidas diárias. Musicalmente gostaria de destacar o baixo de Raul Ganso que construiu uma marcante linha muito similar (porém longe de ser cópia) a canção Countdown to Extinction do Megadeth.
Destaque: efeito especiais e roteiro.
CERVICAL
O clipe de “Arquétipo” da “Cervical” também foi produzido no formato ao “vivo” é devido a isso traz muita energia e um Thrash/Crossover executado com muita maturidade.
Destaque: cortes e montagens.
GALO AZHUU
O “Galo Azhuu” com uma pegada pesada e setentista compôs um clipe, digamos, pagão para a faixa “Bruxa”. O vídeos tem uma pegada mística que traz a amarra entre a feminilidade da terra com as energias transcendentais.
Destaque: roteiro e os ótimos takes noturnos.
EXORDDIUM
Cantando em português, o grupo “Exorddium” faz uma homenagem (sem frescura) ao nosso amado Heavy Metal.
Destaque: cortes e efeitos que acontecem em um corredor com o vocalista ao centro.
MAGNÉTICA
Com um Rock’n’roll empolgante a “Magnética” trouxe um carismático clipe para a faixa “Super Aquecendo”.
Destaque: cortes e captação das imagens.
BASTTARDOS
É indiscutível a qualidade técnica e autoral da “Basttardos”, a banda é sem dúvidas uma das mais expressivas do estilo no país, uma prova disso é o clipe que o “bando” trouxe para a coletânea Roadie Metal em DVD. O vídeo de “Despertar do Parto” traz um enredo que retrata o nascimento do filho de Alex Campos (vocal e guitarra), a faixa faz um contraponto entre a emoção de ser pai e o amor que o vocalista sente pelo próprio pai, a música é uma excelente homenagem as geração paternas de uma família.
Destaque: roteiro, cortes e efeitos.
HELLMOTZ
Com muito cuidado aos detalhes, o grupo “Hellmotz” com seu Heavy/Thrash compôs um ótimo clipe para a faixa “Wielding The Axe”. O vídeo traz um bom uso dos efeitos de camadas e também na capitação das imagens, muitas delas se enquadrando na regra dos terços.
Destaque: iluminação, captação das imagens e enquadramento.
BURNKILL
Criticando a política brasileira, a “Burnkill” com o clipe “Cadáver do Brasil” trouxe junto a seu   Thrash/Death Metal cantado em português imagens de manifestações populares.
Destaque: escolha das imagens de manifestação e efeitos.
FALLEN IDOL
A “Fallen Idol” é uma das gratas revelações do Metal nacional, especificamente do Doom Metal nacional. O clipe “The Boy And The Sea” apresentado pelo grupo, narra a complicada situação dos refugiados que arriscam a própria vida para fugir da guerra no Oriente Médio.
Destaque: efeito “marca d’agua” entre os refugiados e a banda alem da legenda com a letra.
THE PHANTOMS OF THE MIDNIGHT
O Gothic Metal está presente na coletânea através da banda “Phantons of the Midnight” com o clipe “Nightmare”. O vídeo traz uma dualidade muito expressiva entre preto e branco que salta ao olhos.
Destaque: efeito “marca d’agua” de uma casa assombrada sobre os músicos.
DUST COMMANDO
Com seu Stoner Metal a banda “Dust Commando” mostra um som pesado e climático. O clipe “P.O.T.U.S.” mostra com bastante ênfase a proposta criativa da banda.
Destaque: gráfico e efeito “marca d’agua”.
RAZORBLADE
O clipe “Cuts Like A Razor” da “Razorblade” foi o responsável por fechar a primeira coletânea em DVD da história do metal nacional. Com um ar oitentista, a banda conseguiu através de pinceladas, digamos, engraçadas (com cenas dos músicos no banheiro e ventiladores para dar efeito de vento no cabelo do guitarrista) trazer um clima bem peculiar e característico para o vídeo.
Destaque: tonalidade da imagem que passou com bastante fidelidade o clima oitentista.
A coletânea em DVD da Roadie Metal além de ser pioneira conseguiu provar que o Metal em todas as suas vertentes continua forte aqui em terras tupiniquins. Bandas dignas de respeito e cobertas pelo manto da criatividade se multiplicam Brasil afora, mostrando que esse estilo que tanto amamos JAMAIS ira morrer, principalmente se ideias impares como as de Gleison Junior continuarem fazendo parte da trajetória do estilo no pais!
Extremamente recomendado!!

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Resenha: Revanger – Gladiator (2015)


Munidos de gládios elétricos e prontos para o combate na arena do Heavy Metal nacional, a banda Revanger de Mossoró/RN traz em seu escudo de Riffs um Heavy Metal muito bem executado e expressado com capricho. Seu primeiro trabalho “Gladiator” (2015), lançado pelo selo Rising Records traz seis faixas compostas sobre o verniz da paixão e peso.
Nitidamente temos em “Gladiador” uma temática visual que nos remete aos antigos Gladiadores Romanos. Em questão de curiosidade, os Gladiadores foram escravos que eram forçados a lutar por suas vidas no antigo Império Romano. Durante séculos os Gladiadores lutaram entre si ou contra animais ferozes para o entretenimento dos romanos, para isso foi construída uma arena especial, o Coliseu, que tem em suas ruínas, hoje, um dos principais pontos turísticos da Itália.

Esses lutadores geralmente eram prisioneiros de guerra e escravos, porém alguns deles também eram compostos por criminosos variados. Para que não houvessem injustiças ou desvantagens, os Gladiadores eram divididos por categorias definidas em: Trácios, Murmillos, Retiários, Secutores e Dimachaeri. Sendo assim, usarei essa divisão para resenhas as faixas de “Gladiator”, trazendo junto as musicas um pouco da historia destes antigos lutadores.
Abrindo os portões do coliseu temos a instrumental “Enter Hades”, a canção inicia-se com uma virada de bateria que progride para um Riff pesado e arrastado. A faixa é uma excelente abertura pois consegue mostrar com menos de dois minutos a proposta sonora do grupo.
 Trácios
(Guerreiros vindos da província Trácia, utilizavam um escudo quadrado, uma proteção no braço direito e geralmente empunhava uma espada curva ou angulada (sica). Seu elmo era peculiar: possuía uma crina inclinada para frente, e na ponta era esculpido uma cabeça de grifo e penas.)
A segunda faixa do trabalho “Crazy Words” tem um Riff marcante que faz uma mescla entre Hard Rock e Heavy Metal. Destaque para a voz de Patrick Raniery que sem exageros conseguiu expressar com bastante peculiaridade a letra da canção.
Murmillos
(O Murmillo possui este nome devido ao peixe (murma) esculpido em seu elmo, que é facilmente reconhecido pelas aberturas na frente e pena crina reta na parte superior. Ele lutava principalmente contra Trácios, e como outros gladiadores, lutava com o peito exposto. Empunhava uma gladius, e usava um grande e pesado escudo retangular.)
“Hells Angels” fala sobre estrada, irmandade e motocicletas, uma clara homenagem ao motoclub Hells Angels Motorcycle Club. Tecnicamente vemos claras referencias de Judas Priest na guitarra, fora o refrão coberto por uma aura típica e nostálgica.
Retiários
(Um dos gladiadores mais reconhecíveis, utilizava um tridente e uma rede. Utilizava a rede para imobilizar o oponente, para então atacar com o tridente. Se perdesse a rede, poderia utilizar o tridente para desferir golpes segurando a arma com as duas mãos. Outra característica marcante era o uso do galerus, uma placa de bronze usada no ombro esquerdo.)
Com uma intro linda e um baixo inspirado, “The Evil Song” é a música mais complexa do trabalho até então. A faixa traz o lado maligno da banda e também o mais visceral, destaques para o clima das guitarras e para a marcante linha vocal.
Secutores
(Como costumava lutar contra o Retiarius, o Secutor também era chamado de Contraretiarius. Utilizava uma espada reta e uma elmo pequeno e redondo, sem adornos, para evitar que ficasse preso na rede do Retiarius, e combatia o oponente de perto, uma tática útil contra um inimigo que usava rede e tridente.)
Minha faixa favorita do disco sem dúvida é a “Gladiator”, a canção tem muitas variações nos vocais e um clima que nos remete de imediato as antigas arenas de batalha. Confesso que demorou pra sair da minha cabeça o refrão desta faixa, “A MAN OF HONER- GLADIATOR, PREPARE TO DIE- GLADIATOR, THE GLORIOUS FIGHT- GLADIATOR, HE’S STILL ALIVE”.
Dimachaeri
(Conhecidos por serem os mais bem treinados gladiadores romanos, não usavam capacetes, somente uma armadura leve. Eram inimigos dos secutores e retiários)
Encerrando o combate temos umas das melhores faixas do trabalho, “Chuva de Balas”. A faixa é cantada em português e devido a isso, talvez pela intimidade com a língua, temos aqui a melhor interpretação vocal do disco. A música é tão boa que em minha opinião a banda deveria fazer um disco inteiro cantado em português.
A temática da letra talvez esteja ligado à passagem do cangaceiro Lampião por Mossoró/RN, inclusive o nome da faixa é o mesmo de um espetáculo teatral que narra esse acontecimento e é apresentado em Mossoró todos os anos.
Recomendado.
Formação:
Patrick Raniery (vocal);
Diego Miranda (guitarra);
Diego Sampaio (guitarra);
Guibyson Rodrigues (baixo);
Vicente Mad Butcher (bateria).
Faixas:
Enter Hades
Crazy Words
Hell Angels
The Evil Song
Gladiator
Chuva de Balas


sexta-feira, 28 de julho de 2017

Rage: épicos da banda (de 1998 a 2017)


Os alemães do Rage acabam de lançar mais um incrível álbum o “Season Of The Black”. Com ele uma peculiaridade bastante explorada pela banda voltou a fazer parte da discografia do grupo, estou falando das músicas com continuação, divididas em duas ou mais partes, porém tocadas em sequência no disco.
A primeira vez que o Rage concebeu esse tipo de composição foi em 1998 no disco “VIII” onde a faixa “Chances” foi dividida em três partes: “Sign of Heaven”, “Incomplete” e “Turn the Page”.

Três anos depois no álbum “Welcome to the Other Side” mais uma vez o Rage trouxe esse tipo de “épico”, agora com a ajuda do incrível Victor Smolski. A faixa “Tribute to Dishonour” é dividida em quatro partes: “R.I.P.” (Tribute to Dishonour, Pt. 1) “One More Time” (Tribute to Dishonour, Pt. 2) “Requiem” (instrumental; Tribute to Dishonour, Pt. 3) e “I’m Crucified” (Tribute to Dishonour, Pt. 4).

O álbum “Soundchaser” de 2003 foi o responsável por eternizar os clássicos: “Wake the nightmares” (falling from grace parte1) e “Death is on it’s way” (falling from grace parte2).

Em 2006 com a ajuda da “Lingua Mortis Orchestra” o excelente álbum “Speak of the Dead” trouxe o épico “Suite Lingua Mortis” dividido em oito partes: “Morituri Te Salutant” (Instrumental) “Prelude of Souls” (Instrumental), “Innocent”,”Depression” (Instrumental), “No Regrets”, “Confusion” (Instrumental), “Black” (Instrumental) e “Beauty”.



Quatro anos após o estrondoso sucesso de “Speak of the Dead” o Rage lança mais uma obra de arte, o disco “Strings to a Web”, e com ele mais um épico, a faixa “Empty Hollow”, com cinco partes: “Empty Hollow” – “Strings to a Web”, “Fatal Grace”, “Connected” e “Empty Hollow (Reprise)”.



O mais recente trabalho do grupo “Seasons of the Black” (como dito no início deste texto) trouxe a ótima faixa “The Tragedy Of Man” dividida em quatro partes: “Gaia”, “Justify”, “Bloodshed In Paradise” e “Farewell”.

domingo, 9 de julho de 2017

Jornalismo: revistas de Rock/Metal – Parte 2




Dando continuidade a matéria: “Jornalismo: revistas de Rock/Metal”, trarei nesta segunda parte revistas que julgo ser de grande importância ao jornalismo Rock no país. Diferente da primeira parte, não farei uma ordem cronológica, mais sim destacarei cada revista isoladamente.
Dynamite
Em abril de 1992 saiu o primeiro exemplar da Revista “Dynamite”, porém a mesma já tinha sido lançada no formato de fanzine duas edições atrás. O fanzine pertencia a um bar Rock que se chamava “Dynamo” e ficava perto do Mackenzie, no centro de São Paulo.
A revista abordava várias vertentes do Rock, com maior destaque ao Indie Rock e Hardcore, destacando sem medo as bandas independentes, principalmente as nacionais.
A “Dynamite” deixou de ser impressa em 2008, passando a ser distribuída gratuitamente em PDF dentro do Portal Dynamite Online.


Metal Head
Nascida em outubro de 1994, a “Metal Head” desde o princípio teve a premissa em cobrir de várias formas tudo relacionado ao mundo do Heavy Metal. Eventualmente outras vertentes “pesadas” do rock como o Punk Rock e o Hard Rock também eram publicadas.
A “Metal Head” foi uma das revistas mais populares do estilo no país, trazendo edições especiais, pôsteres e edições com traduções discográficas.
A revista dispunha de matérias sobre artistas específicos, mesclando novidades com bandas clássicas, trazendo inclusive discografia comentada de uma das bandas homenageadas, e claro, páginas dedicadas à divulgação de bandas iniciantes e fitas/CDs Demo.
A revista ainda manteve durante um tempo duas páginas falando sobre tatuagem, mas o assunto acabou ganhando uma publicação própria, a Metal Head Tattoo.

Metal Massacre
Publicada inicialmente em 2003 pela editora escala (mesma da Metal Head), a “Metal Massacre” se diferenciava das demais revistas de Rock em circulação pela ausência de críticas de CDs, Vídeos ou DVDs. A ideia era frisar mais no artista, trazendo várias páginas falando sobre um musico especifico desenvolvendo mais o texto através de históricos e curiosidades.

Roadie Crew
A “Roadie Crew” com certeza é hoje a revista de Rock/Metal mais importante do país. Lançada em 1997, além de publicações nacionais a “Roadie Crew” também é vendida abertamente em Portugal.
A “Roadie Crew” forjou seu nome na história do jornalismo Rock do país com uma linguagem que atinge todos os públicos dentro do estilo proposto, estilo que logo pela capa pode ser desvendado através de um selo que diz: “Aviso, Heavy Metal explícito”, não deixando dúvidas ao leitor sobre sua temática. Atualmente, por abranger vários estilos dentro do Rock, a revista trocou a famosa frase por: “Heavy Metal e Classic Rock”.
Das 88 páginas coloridas da revista, 30% são de anúncios, em sua grande maioria de gravadoras ou marcas de equipamentos musicais. Do restante, aproximadamente 40% (25 páginas) são ocupadas por entrevistas. Os outros 60% são divididos entre críticas de CDs e DVDs (seis páginas), noticiário do último mês (duas páginas), espaço para bandas independentes e “demos” (uma página), pôster destacável (quatro páginas), cartas (duas páginas), colunas opinativas (duas páginas) e matérias, geralmente duas ou três por edição (seis páginas em média), claro que alguns destes números podem variar, porém não fogem muito desta métrica.

Valhalla Metal Magazine
A “Valhalla” em minha opinião é uma das revistas mais importantes de Rock/Metal a ser lançada aqui em solo Brasileiro, pois foi uma das poucas que atingiu vários feitos, ajudando inclusive o Heavy Metal nacional a chegar onde está hoje em dia. A “Valhalla” também surgiu no formato de fanzine no ano de 1996 e com muita força de vontade conseguiu se manter durante um bom tempo entre as revistas mais populares do estilo no país, inclusive sendo pioneira em trazer grandes bandas para o interior, como por exemplo a primeira vez do ex- Iron Maiden Paul Dianno no Brasil.
A história desta revista é tão rica que farei uma matéria somente com a “Valhalla Metal Magazine”, por enquanto curtam o documentário contando um pouco a história desta grande revista:https://vimeo.com/170790681

Rock Press
Nascida em 1995 inicialmente no formato tabloide preto e branco, a “Rock Press” trazia  uma maior gama de noticias relacionadas a bandas de Indie Rock, além de direcionar uma maior atenção a cena nacional, com resenha dos lançamentos de gravadoras independentes.
A “Rock Press” era vendida nas capitais da região sudeste e para algumas cidades do interior do Rio de Janeiro e São Paulo, fazendo assim uma ponte entre bandas nacionais.

Após o surgimento destas revistas citadas acima, o jornalismo Rock do país com  muito capricho e profissionalismo abriu caminho para que várias outras editoras decidissem lançar revistas dedicadas ao Rock/Metal, um exemplo é a revista “Planet Metal” da editora HMP. A revista dispunha de um super brinde, um CD coletânea com bandas nacionais e internacionais do estilo.
Uma outra revista que ficou bastante popular foi a “Rock Underground” do editor Júlio Cesar Bocater, e também a “Rock in Especial” da editora Sampa. Duas revistas que não posso deixar de citar e a “Comando Rock” Nascida em março de 2004 na editora 9 de julho e a linda “Metal” que foi muito popular, porém não consegui achar quase nada em relação a essa revista. Se você leitor souber algo sobre essa revista (ou alguma importante que deixei de fora) deixa ai nos comentários que rapidamente atualizarei o texto.



Fontes:
-TCC  Rock em revista: “o jornalismo Rock no Brasil” de Rafael Machado Saldanha
(Aluno do Curso de Comunicação Social) Monografia apresentada à banca examinadora na
disciplina Projeto Experimental II.
Orientador acadêmico: Prof. Rodrigo Barbos
-Zinil (2006) O Rock ‘n’ Roll e as revistas : “o casamento perfeito” de Vladimir José Ribeiro


domingo, 18 de junho de 2017

Jornalismo: revistas de Rock/Metal – anos 50, 60, 70, 80 e 90


O Rock/Metal é sem dúvida um dos estilos mais populares do mundo, sua globalização é algo estrondoso, visto que nos quatro cantos do globo podemos encontramos este estilo que tanto amamos. Muito dessa popularidade está ligado ao jornalismo dedicado ao estilo, onde as revistas especializadas tiveram (e ainda tem) um papel de suma importância. Então hoje trarei pra vocês um pequeno histórico das revistas dedicadas ao Rock/Metal lançadas aqui no Brasil.
Anos 50
Muitos acreditam que Rock chegou em nosso país no início dos anos 80, entretanto em meados dos anos 50 já tinha uma grande massa de admiradores do estilo espalhado Brasil a dentro, estes que sofriam horrores para obter informações sobre sua banda favorita. A primeira publicação tupiniquim a trazer informações sobre o mundo do Rock foi a “Revista do Rádio”, no final da década de 50, onde nomes como Sergio Murilo, Tony Campelo e Carlos Gonzaga introduziam o estilo no país.

Anos 60
Mesmo com algumas revistas dedicando pequenas colunas ao estilo, como no caso da revista de letras “Eu Canto”, foi no início dos 60 que a “Revista do Rock”, editada pela jornalista e compositora Janette Adib, definiu um padrão de linguagem dedicado ao estilo, sendo esta a primeira a ser direcionada exclusivamente ao Rock.
Nesta época os aparelhos de televisão ainda não faziam parte da realidade dos Brasileiros, sendo exclusividade de uma minoria, desta forma a “Revista do Rock” teve o papel de personificar às vozes tão conhecidas através da rádio, além de trazer fofocas, pequenas biografias, letras das músicas e traduções de alguns sucessos internacionais.
Algumas outras revistas como a “Baby Face”, “Rock News” e “Os reis do Iê-iê-iê” também seguiram posteriormente esse padrão proposto pela “Revista do Rock”.

Anos 70
Em 1972 o jornalismo Rock do país foi surpreendido com a chegada da versão brasileira da popular revista estadunidense “Rolling Stone”. A versão nacional era chefiada por Luiz Carlos Maciel que tinha em sua equipe nomes iniciantes como, Tárik de Souza, Rose Marie Muraro, Ezequiel Neves e Ana Maria Bahiana. Sem contar que músicos e poetas como Capinan e Jorge Mautner contribuíam tecnicamente e teoricamente com a redação.
Com a chegada da “Rolling Stone” a principal mudança no jornalismo Rock estava ligado a visão crítica. Os editores por julgar o estilo como sendo arte, abordavam o produto como algo que estava longe de ser passageiro, portanto digno de uma avaliação mais complexa.
Composta sobre um papel jornal no formato grande, quase tabloide, a “Rolling Stone” rendeu apenas 36 edições, tendo seu fim em 1973. Mesmo assim foi de suma importância, pois abriu caminho para uma nova geração de jornalistas musicais.
Essa abertura deu origem ao “Jornal de Música e Som” que seguia o mesmo padrão da “Rolling Stone” e foi a primeira a dar oportunidade para artistas iniciantes do Rock Nacional. Outro ponto de destaque era que junto ao jornal vinha encartada a revista “A história e a glória do Rock”, que trazia biografias de grandes artistas ou grupos do Rock’ n’ Roll mundial.

Anos 80
O início dos anos 80 foi marcado pelo surgimento de várias revistas especializadas em Rock, porém muitas delas desapareciam do mercado com a mesma velocidade que eram lançadas, causando pouco impacto no jornalismo do estilo no país. Mesmo assim podemos destacar alguns nomes como, “Intervalo”, “Pipoca Moderna” e “Rock Passion”, que mesmo com pouco tempo de vida foram bastante comercializadas e discutidas.

Um ponto importante na década de 80 em relação ao jornalismo Rock é a explosão dos fanzines. Muitas dessas publicações amadoras eram impressas e divulgadas massivamente em shows e até mesmo em banca de jornais, tanto que uma das mais importantes revistas de Rock do país surgiu inicialmente no formato de fanzine, estou falando da “Rock Brigade”.
A “Rock Brigade” é a revista de música mais duradoura em circulação no Brasil. Lançada em fevereiro de 1981, seu conteúdo jornalístico além de trazer notícias e colunas dedicadas ao mundo do Rock/Metal em geral, também divulgava bandas independentes resenhando fitas e CDs “demo”. Desta forma, com um conteúdo informativo e profissional, a “Rock Brigade” foi durante longos anos a revista mais popular do estilo no país, inclusive ficando conhecida como a primeira a se especializar em Heavy Metal.

Outra revista a se popularizar na década de 80 foi a “Roll” lançada em 1983. A “Roll” era bem desenvolvida e foi usada de inspiração para a criação da importante revista “Bizz” publicada pela Editora Abril.

Anos 90
No início dos anos 90 uma segunda leva de revistas segmentadas surgiram, porém nenhuma delas conseguiu se firmar no mercado, não passando de um ou dois anos de vida, como no caso da “Top Rock” e “Backstage”. Uma exceção foi o jornal “International Magazine” de 1990, que dura, mesmo que timidamente, até os dias atuais.
A “Backstage” começou a circular gratuitamente como um fanzine fotocopiado, dois anos depois passou a ser impresso em formato tabloide e somente em 1992 passou a ser vendida no formato de revista propriamente dita. Já a “Top Rock”, que também foi lançada em 1992, teve desde seu primeiro número um acabamento profissional feito pela editora Trama, porém abordava os mesmos gêneros musicais da “Backstage”.

Na metade da década de 90, cinco revistas importantes nascem, “Dynamite” (1992) “Metalhead” (1994), “Rock Press” (1995), “Valhalla” (1996) e a “Roadie Crew” (1997). Por essas revistas abrirem um caminho grandioso para o jornalismo Rock atual, trarei na segunda parte desta matéria uma abordagem mais detalhada destes cinco nomes, além claro de destacar edições internacionais que tiveram uma publicação nacional.


Fontes:
-TCC  Rock em revista: “o jornalismo Rock no Brasil” de Rafael Machado Saldanha
(Aluno do Curso de Comunicação Social) Monografia apresentada à banca examinadora na
disciplina Projeto Experimental II.
Orientador acadêmico: Prof. Rodrigo Barbos
-Zinil (2006) O Rock ‘n’ Roll e as revistas : “o casamento perfeito” de Vladimir José Ribeiro