segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Resenha: Revanger – Gladiator (2015)


Munidos de gládios elétricos e prontos para o combate na arena do Heavy Metal nacional, a banda Revanger de Mossoró/RN traz em seu escudo de Riffs um Heavy Metal muito bem executado e expressado com capricho. Seu primeiro trabalho “Gladiator” (2015), lançado pelo selo Rising Records traz seis faixas compostas sobre o verniz da paixão e peso.
Nitidamente temos em “Gladiador” uma temática visual que nos remete aos antigos Gladiadores Romanos. Em questão de curiosidade, os Gladiadores foram escravos que eram forçados a lutar por suas vidas no antigo Império Romano. Durante séculos os Gladiadores lutaram entre si ou contra animais ferozes para o entretenimento dos romanos, para isso foi construída uma arena especial, o Coliseu, que tem em suas ruínas, hoje, um dos principais pontos turísticos da Itália.

Esses lutadores geralmente eram prisioneiros de guerra e escravos, porém alguns deles também eram compostos por criminosos variados. Para que não houvessem injustiças ou desvantagens, os Gladiadores eram divididos por categorias definidas em: Trácios, Murmillos, Retiários, Secutores e Dimachaeri. Sendo assim, usarei essa divisão para resenhas as faixas de “Gladiator”, trazendo junto as musicas um pouco da historia destes antigos lutadores.
Abrindo os portões do coliseu temos a instrumental “Enter Hades”, a canção inicia-se com uma virada de bateria que progride para um Riff pesado e arrastado. A faixa é uma excelente abertura pois consegue mostrar com menos de dois minutos a proposta sonora do grupo.
 Trácios
(Guerreiros vindos da província Trácia, utilizavam um escudo quadrado, uma proteção no braço direito e geralmente empunhava uma espada curva ou angulada (sica). Seu elmo era peculiar: possuía uma crina inclinada para frente, e na ponta era esculpido uma cabeça de grifo e penas.)
A segunda faixa do trabalho “Crazy Words” tem um Riff marcante que faz uma mescla entre Hard Rock e Heavy Metal. Destaque para a voz de Patrick Raniery que sem exageros conseguiu expressar com bastante peculiaridade a letra da canção.
Murmillos
(O Murmillo possui este nome devido ao peixe (murma) esculpido em seu elmo, que é facilmente reconhecido pelas aberturas na frente e pena crina reta na parte superior. Ele lutava principalmente contra Trácios, e como outros gladiadores, lutava com o peito exposto. Empunhava uma gladius, e usava um grande e pesado escudo retangular.)
“Hells Angels” fala sobre estrada, irmandade e motocicletas, uma clara homenagem ao motoclub Hells Angels Motorcycle Club. Tecnicamente vemos claras referencias de Judas Priest na guitarra, fora o refrão coberto por uma aura típica e nostálgica.
Retiários
(Um dos gladiadores mais reconhecíveis, utilizava um tridente e uma rede. Utilizava a rede para imobilizar o oponente, para então atacar com o tridente. Se perdesse a rede, poderia utilizar o tridente para desferir golpes segurando a arma com as duas mãos. Outra característica marcante era o uso do galerus, uma placa de bronze usada no ombro esquerdo.)
Com uma intro linda e um baixo inspirado, “The Evil Song” é a música mais complexa do trabalho até então. A faixa traz o lado maligno da banda e também o mais visceral, destaques para o clima das guitarras e para a marcante linha vocal.
Secutores
(Como costumava lutar contra o Retiarius, o Secutor também era chamado de Contraretiarius. Utilizava uma espada reta e uma elmo pequeno e redondo, sem adornos, para evitar que ficasse preso na rede do Retiarius, e combatia o oponente de perto, uma tática útil contra um inimigo que usava rede e tridente.)
Minha faixa favorita do disco sem dúvida é a “Gladiator”, a canção tem muitas variações nos vocais e um clima que nos remete de imediato as antigas arenas de batalha. Confesso que demorou pra sair da minha cabeça o refrão desta faixa, “A MAN OF HONER- GLADIATOR, PREPARE TO DIE- GLADIATOR, THE GLORIOUS FIGHT- GLADIATOR, HE’S STILL ALIVE”.
Dimachaeri
(Conhecidos por serem os mais bem treinados gladiadores romanos, não usavam capacetes, somente uma armadura leve. Eram inimigos dos secutores e retiários)
Encerrando o combate temos umas das melhores faixas do trabalho, “Chuva de Balas”. A faixa é cantada em português e devido a isso, talvez pela intimidade com a língua, temos aqui a melhor interpretação vocal do disco. A música é tão boa que em minha opinião a banda deveria fazer um disco inteiro cantado em português.
A temática da letra talvez esteja ligado à passagem do cangaceiro Lampião por Mossoró/RN, inclusive o nome da faixa é o mesmo de um espetáculo teatral que narra esse acontecimento e é apresentado em Mossoró todos os anos.
Recomendado.
Formação:
Patrick Raniery (vocal);
Diego Miranda (guitarra);
Diego Sampaio (guitarra);
Guibyson Rodrigues (baixo);
Vicente Mad Butcher (bateria).
Faixas:
Enter Hades
Crazy Words
Hell Angels
The Evil Song
Gladiator
Chuva de Balas


sexta-feira, 28 de julho de 2017

Rage: épicos da banda (de 1998 a 2017)


Os alemães do Rage acabam de lançar mais um incrível álbum o “Season Of The Black”. Com ele uma peculiaridade bastante explorada pela banda voltou a fazer parte da discografia do grupo, estou falando das músicas com continuação, divididas em duas ou mais partes, porém tocadas em sequência no disco.
A primeira vez que o Rage concebeu esse tipo de composição foi em 1998 no disco “VIII” onde a faixa “Chances” foi dividida em três partes: “Sign of Heaven”, “Incomplete” e “Turn the Page”.

Três anos depois no álbum “Welcome to the Other Side” mais uma vez o Rage trouxe esse tipo de “épico”, agora com a ajuda do incrível Victor Smolski. A faixa “Tribute to Dishonour” é dividida em quatro partes: “R.I.P.” (Tribute to Dishonour, Pt. 1) “One More Time” (Tribute to Dishonour, Pt. 2) “Requiem” (instrumental; Tribute to Dishonour, Pt. 3) e “I’m Crucified” (Tribute to Dishonour, Pt. 4).

O álbum “Soundchaser” de 2003 foi o responsável por eternizar os clássicos: “Wake the nightmares” (falling from grace parte1) e “Death is on it’s way” (falling from grace parte2).

Em 2006 com a ajuda da “Lingua Mortis Orchestra” o excelente álbum “Speak of the Dead” trouxe o épico “Suite Lingua Mortis” dividido em oito partes: “Morituri Te Salutant” (Instrumental) “Prelude of Souls” (Instrumental), “Innocent”,”Depression” (Instrumental), “No Regrets”, “Confusion” (Instrumental), “Black” (Instrumental) e “Beauty”.



Quatro anos após o estrondoso sucesso de “Speak of the Dead” o Rage lança mais uma obra de arte, o disco “Strings to a Web”, e com ele mais um épico, a faixa “Empty Hollow”, com cinco partes: “Empty Hollow” – “Strings to a Web”, “Fatal Grace”, “Connected” e “Empty Hollow (Reprise)”.



O mais recente trabalho do grupo “Seasons of the Black” (como dito no início deste texto) trouxe a ótima faixa “The Tragedy Of Man” dividida em quatro partes: “Gaia”, “Justify”, “Bloodshed In Paradise” e “Farewell”.

domingo, 9 de julho de 2017

Jornalismo: revistas de Rock/Metal – Parte 2




Dando continuidade a matéria: “Jornalismo: revistas de Rock/Metal”, trarei nesta segunda parte revistas que julgo ser de grande importância ao jornalismo Rock no país. Diferente da primeira parte, não farei uma ordem cronológica, mais sim destacarei cada revista isoladamente.
Dynamite
Em abril de 1992 saiu o primeiro exemplar da Revista “Dynamite”, porém a mesma já tinha sido lançada no formato de fanzine duas edições atrás. O fanzine pertencia a um bar Rock que se chamava “Dynamo” e ficava perto do Mackenzie, no centro de São Paulo.
A revista abordava várias vertentes do Rock, com maior destaque ao Indie Rock e Hardcore, destacando sem medo as bandas independentes, principalmente as nacionais.
A “Dynamite” deixou de ser impressa em 2008, passando a ser distribuída gratuitamente em PDF dentro do Portal Dynamite Online.


Metal Head
Nascida em outubro de 1994, a “Metal Head” desde o princípio teve a premissa em cobrir de várias formas tudo relacionado ao mundo do Heavy Metal. Eventualmente outras vertentes “pesadas” do rock como o Punk Rock e o Hard Rock também eram publicadas.
A “Metal Head” foi uma das revistas mais populares do estilo no país, trazendo edições especiais, pôsteres e edições com traduções discográficas.
A revista dispunha de matérias sobre artistas específicos, mesclando novidades com bandas clássicas, trazendo inclusive discografia comentada de uma das bandas homenageadas, e claro, páginas dedicadas à divulgação de bandas iniciantes e fitas/CDs Demo.
A revista ainda manteve durante um tempo duas páginas falando sobre tatuagem, mas o assunto acabou ganhando uma publicação própria, a Metal Head Tattoo.

Metal Massacre
Publicada inicialmente em 2003 pela editora escala (mesma da Metal Head), a “Metal Massacre” se diferenciava das demais revistas de Rock em circulação pela ausência de críticas de CDs, Vídeos ou DVDs. A ideia era frisar mais no artista, trazendo várias páginas falando sobre um musico especifico desenvolvendo mais o texto através de históricos e curiosidades.

Roadie Crew
A “Roadie Crew” com certeza é hoje a revista de Rock/Metal mais importante do país. Lançada em 1997, além de publicações nacionais a “Roadie Crew” também é vendida abertamente em Portugal.
A “Roadie Crew” forjou seu nome na história do jornalismo Rock do país com uma linguagem que atinge todos os públicos dentro do estilo proposto, estilo que logo pela capa pode ser desvendado através de um selo que diz: “Aviso, Heavy Metal explícito”, não deixando dúvidas ao leitor sobre sua temática. Atualmente, por abranger vários estilos dentro do Rock, a revista trocou a famosa frase por: “Heavy Metal e Classic Rock”.
Das 88 páginas coloridas da revista, 30% são de anúncios, em sua grande maioria de gravadoras ou marcas de equipamentos musicais. Do restante, aproximadamente 40% (25 páginas) são ocupadas por entrevistas. Os outros 60% são divididos entre críticas de CDs e DVDs (seis páginas), noticiário do último mês (duas páginas), espaço para bandas independentes e “demos” (uma página), pôster destacável (quatro páginas), cartas (duas páginas), colunas opinativas (duas páginas) e matérias, geralmente duas ou três por edição (seis páginas em média), claro que alguns destes números podem variar, porém não fogem muito desta métrica.

Valhalla Metal Magazine
A “Valhalla” em minha opinião é uma das revistas mais importantes de Rock/Metal a ser lançada aqui em solo Brasileiro, pois foi uma das poucas que atingiu vários feitos, ajudando inclusive o Heavy Metal nacional a chegar onde está hoje em dia. A “Valhalla” também surgiu no formato de fanzine no ano de 1996 e com muita força de vontade conseguiu se manter durante um bom tempo entre as revistas mais populares do estilo no país, inclusive sendo pioneira em trazer grandes bandas para o interior, como por exemplo a primeira vez do ex- Iron Maiden Paul Dianno no Brasil.
A história desta revista é tão rica que farei uma matéria somente com a “Valhalla Metal Magazine”, por enquanto curtam o documentário contando um pouco a história desta grande revista:https://vimeo.com/170790681

Rock Press
Nascida em 1995 inicialmente no formato tabloide preto e branco, a “Rock Press” trazia  uma maior gama de noticias relacionadas a bandas de Indie Rock, além de direcionar uma maior atenção a cena nacional, com resenha dos lançamentos de gravadoras independentes.
A “Rock Press” era vendida nas capitais da região sudeste e para algumas cidades do interior do Rio de Janeiro e São Paulo, fazendo assim uma ponte entre bandas nacionais.

Após o surgimento destas revistas citadas acima, o jornalismo Rock do país com  muito capricho e profissionalismo abriu caminho para que várias outras editoras decidissem lançar revistas dedicadas ao Rock/Metal, um exemplo é a revista “Planet Metal” da editora HMP. A revista dispunha de um super brinde, um CD coletânea com bandas nacionais e internacionais do estilo.
Uma outra revista que ficou bastante popular foi a “Rock Underground” do editor Júlio Cesar Bocater, e também a “Rock in Especial” da editora Sampa. Duas revistas que não posso deixar de citar e a “Comando Rock” Nascida em março de 2004 na editora 9 de julho e a linda “Metal” que foi muito popular, porém não consegui achar quase nada em relação a essa revista. Se você leitor souber algo sobre essa revista (ou alguma importante que deixei de fora) deixa ai nos comentários que rapidamente atualizarei o texto.



Fontes:
-TCC  Rock em revista: “o jornalismo Rock no Brasil” de Rafael Machado Saldanha
(Aluno do Curso de Comunicação Social) Monografia apresentada à banca examinadora na
disciplina Projeto Experimental II.
Orientador acadêmico: Prof. Rodrigo Barbos
-Zinil (2006) O Rock ‘n’ Roll e as revistas : “o casamento perfeito” de Vladimir José Ribeiro


domingo, 18 de junho de 2017

Jornalismo: revistas de Rock/Metal – anos 50, 60, 70, 80 e 90


O Rock/Metal é sem dúvida um dos estilos mais populares do mundo, sua globalização é algo estrondoso, visto que nos quatro cantos do globo podemos encontramos este estilo que tanto amamos. Muito dessa popularidade está ligado ao jornalismo dedicado ao estilo, onde as revistas especializadas tiveram (e ainda tem) um papel de suma importância. Então hoje trarei pra vocês um pequeno histórico das revistas dedicadas ao Rock/Metal lançadas aqui no Brasil.
Anos 50
Muitos acreditam que Rock chegou em nosso país no início dos anos 80, entretanto em meados dos anos 50 já tinha uma grande massa de admiradores do estilo espalhado Brasil a dentro, estes que sofriam horrores para obter informações sobre sua banda favorita. A primeira publicação tupiniquim a trazer informações sobre o mundo do Rock foi a “Revista do Rádio”, no final da década de 50, onde nomes como Sergio Murilo, Tony Campelo e Carlos Gonzaga introduziam o estilo no país.

Anos 60
Mesmo com algumas revistas dedicando pequenas colunas ao estilo, como no caso da revista de letras “Eu Canto”, foi no início dos 60 que a “Revista do Rock”, editada pela jornalista e compositora Janette Adib, definiu um padrão de linguagem dedicado ao estilo, sendo esta a primeira a ser direcionada exclusivamente ao Rock.
Nesta época os aparelhos de televisão ainda não faziam parte da realidade dos Brasileiros, sendo exclusividade de uma minoria, desta forma a “Revista do Rock” teve o papel de personificar às vozes tão conhecidas através da rádio, além de trazer fofocas, pequenas biografias, letras das músicas e traduções de alguns sucessos internacionais.
Algumas outras revistas como a “Baby Face”, “Rock News” e “Os reis do Iê-iê-iê” também seguiram posteriormente esse padrão proposto pela “Revista do Rock”.

Anos 70
Em 1972 o jornalismo Rock do país foi surpreendido com a chegada da versão brasileira da popular revista estadunidense “Rolling Stone”. A versão nacional era chefiada por Luiz Carlos Maciel que tinha em sua equipe nomes iniciantes como, Tárik de Souza, Rose Marie Muraro, Ezequiel Neves e Ana Maria Bahiana. Sem contar que músicos e poetas como Capinan e Jorge Mautner contribuíam tecnicamente e teoricamente com a redação.
Com a chegada da “Rolling Stone” a principal mudança no jornalismo Rock estava ligado a visão crítica. Os editores por julgar o estilo como sendo arte, abordavam o produto como algo que estava longe de ser passageiro, portanto digno de uma avaliação mais complexa.
Composta sobre um papel jornal no formato grande, quase tabloide, a “Rolling Stone” rendeu apenas 36 edições, tendo seu fim em 1973. Mesmo assim foi de suma importância, pois abriu caminho para uma nova geração de jornalistas musicais.
Essa abertura deu origem ao “Jornal de Música e Som” que seguia o mesmo padrão da “Rolling Stone” e foi a primeira a dar oportunidade para artistas iniciantes do Rock Nacional. Outro ponto de destaque era que junto ao jornal vinha encartada a revista “A história e a glória do Rock”, que trazia biografias de grandes artistas ou grupos do Rock’ n’ Roll mundial.

Anos 80
O início dos anos 80 foi marcado pelo surgimento de várias revistas especializadas em Rock, porém muitas delas desapareciam do mercado com a mesma velocidade que eram lançadas, causando pouco impacto no jornalismo do estilo no país. Mesmo assim podemos destacar alguns nomes como, “Intervalo”, “Pipoca Moderna” e “Rock Passion”, que mesmo com pouco tempo de vida foram bastante comercializadas e discutidas.

Um ponto importante na década de 80 em relação ao jornalismo Rock é a explosão dos fanzines. Muitas dessas publicações amadoras eram impressas e divulgadas massivamente em shows e até mesmo em banca de jornais, tanto que uma das mais importantes revistas de Rock do país surgiu inicialmente no formato de fanzine, estou falando da “Rock Brigade”.
A “Rock Brigade” é a revista de música mais duradoura em circulação no Brasil. Lançada em fevereiro de 1981, seu conteúdo jornalístico além de trazer notícias e colunas dedicadas ao mundo do Rock/Metal em geral, também divulgava bandas independentes resenhando fitas e CDs “demo”. Desta forma, com um conteúdo informativo e profissional, a “Rock Brigade” foi durante longos anos a revista mais popular do estilo no país, inclusive ficando conhecida como a primeira a se especializar em Heavy Metal.

Outra revista a se popularizar na década de 80 foi a “Roll” lançada em 1983. A “Roll” era bem desenvolvida e foi usada de inspiração para a criação da importante revista “Bizz” publicada pela Editora Abril.

Anos 90
No início dos anos 90 uma segunda leva de revistas segmentadas surgiram, porém nenhuma delas conseguiu se firmar no mercado, não passando de um ou dois anos de vida, como no caso da “Top Rock” e “Backstage”. Uma exceção foi o jornal “International Magazine” de 1990, que dura, mesmo que timidamente, até os dias atuais.
A “Backstage” começou a circular gratuitamente como um fanzine fotocopiado, dois anos depois passou a ser impresso em formato tabloide e somente em 1992 passou a ser vendida no formato de revista propriamente dita. Já a “Top Rock”, que também foi lançada em 1992, teve desde seu primeiro número um acabamento profissional feito pela editora Trama, porém abordava os mesmos gêneros musicais da “Backstage”.

Na metade da década de 90, cinco revistas importantes nascem, “Dynamite” (1992) “Metalhead” (1994), “Rock Press” (1995), “Valhalla” (1996) e a “Roadie Crew” (1997). Por essas revistas abrirem um caminho grandioso para o jornalismo Rock atual, trarei na segunda parte desta matéria uma abordagem mais detalhada destes cinco nomes, além claro de destacar edições internacionais que tiveram uma publicação nacional.


Fontes:
-TCC  Rock em revista: “o jornalismo Rock no Brasil” de Rafael Machado Saldanha
(Aluno do Curso de Comunicação Social) Monografia apresentada à banca examinadora na
disciplina Projeto Experimental II.
Orientador acadêmico: Prof. Rodrigo Barbos
-Zinil (2006) O Rock ‘n’ Roll e as revistas : “o casamento perfeito” de Vladimir José Ribeiro

sábado, 3 de junho de 2017

Genesis: álbum "Abacab" inspirou cheat do jogo Mortal Kombat



O Rock/Metal aliado a interatividade dos videogames deu origem a vários jogos importantes como por exemplo o nostálgico “Rock N’ Roll Racing” desenvolvido pela Blizzard Entertainment e publicado pela Interplay. O jogo tem em sua trilha bandas como Steppenwolf, Deep Purple e Black Sabbath, mostrando que essa junção traz momentos únicos para o jogador. Sem contar os games encomendados por grupos famosos como no caso do jogo “Ed Hunter” desenvolvido para o Iron Maiden e “Psycho Circus: The Nightmare Child” criado para o Kiss, que dispõem de uma amalgama perfeita entre música e interatividade virtual.
A lista de jogos com  temáticas Rock é bem extensa e atinge várias plataformas, valendo uma matéria mais detalhada que prometo trazer pra vocês em breve. No entanto falarei de uma curiosidade que envolve a banda Genesis e o famoso jogo Mortal Kombat.

No ano de 1993 o game “Mortal Kombat” invadiu os consoles caseiros tornando-se uma febre. A Super Nintendo e o Mega Drive (sega) foram as primeiras plataformas a receber o jogo, porém diferente da versão dos fliperamas o game vinha com algumas censuras devido sua violência.
 A Nintendo não concordando com a sanguinolência do jogo original optou por extirpar o mesmo de sua conversão, trocando o vermelho sangue por um cinza, que dava a impressão de suor. Em contra partida a Sega decidiu dar aos fãs um código (o famoso “blood code”) que liberava completamente em sua plataforma o sangue no jogo.

Muitos ainda devem se lembrar da famigerada sequência “A+B+A+C+A+B+B” que fazia nossos dias mais felizes. porém uma coisa que poucos sabem é que essa sequência foi escolhida por causa de um disco da banda britânica “Genesis” chamado “Abacab”, a diferença entre o nome do álbum e o código está apenas no acréscimo de uma letra, o “B”. O disco foi lançado em 18 de setembro de 1981 e traz em sua formação Phil Collins na bateria, percussão e vocal, Tony Banks nos teclado e Mike Rutherford no baixo e guitarra.
Curiosamente o nome meio dadaísta, Abacab, não tem nenhum significado. Originalmente, a faixa era dividida em seções batizadas com letras. Com algumas mudanças aqui e ali, num certo momento a ordem das seções era a,b,a,c,a,b,. Desta forma, de maneira simplória, surgiu a ideia para o nome do décimo primeiro álbum de estúdio do Genesis.
Confira a faixa autointitulada de Abacab:

Uma outra curiosidade é que o Mega Drive nos EUA era chamado de “Sega Genesis” dando um sentido a mais para a escolha do cheat.
Existe também uma banda americana de Deathcore chamada “Abacabb” que lançou em 2009 o debut “Survivalist”. Além do grupo francês de progressivo “Abacab” que lançou em 2004 o EP  “Les 3 Couleurs” e em 2008 o debut “Mal de Terre”.
Confira ambas as bandas:


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Resenha: Apple Sin – Apple Sin (2017)


O fruto proibido experimentado por Eva trouxe consequências nada agradáveis, porém tal fato, segundo o poeta romano Ovídio, seria inevitável pois esforçamo-nos sempre para alcançar o proibido e desejamos o que nos é negado. Esta frase e até mesmo o ato descrito na Bíblia Sagrada em Gênesis 2:9 e 3:2, geram questionamentos que podemos encontrar com bastante naturalidade no Heavy metal, visto que a história do estilo está coberta de ousadia e desafios as regras vigentes.
Uma banda que usa essa equação, tanto em sua música quando em sua arte visual é a Apple Sin de Barroso-MG. O grupo formado em 2012 é um dos poucos que ainda trazem em suas veias o “veneno” cativante do Heavy Metal Tradicional.
Em 2015 a banda gravou o EP “Fire Star” (com cinco faixas) que já mostrava com bastante exuberância a proposta da banda. Mais foi somente em fevereiro de 2017 que a Apple sin trouxe ao mundo seu primeiro álbum auto-intitulado, no qual falarei adiante:
Com um total de 47 minutos, o full-length abre com uma linda intro que de cara climatiza o enredo vigente do álbum. Um piano muito bem composto e sem exageros, acompanhado de uma trilha digna de filmes épicos dá o tom e pavimenta o caminho para a segunda faixa intitulada “Sea Of Sorrow”.
Através da simbologia do mar, “Sea Of Sorrow” faz questionamentos existenciais. As guitarras cruas executadas por Beto Belchior e Tainan Vilela dão ao canto arrastado um corpo enigmático e por deveras pesado.
A terceira faixa “Darkness of World” continua com a pegada crua apresentada em “Sea Of Sorrow” porém mais veloz. A letra é muito boa contando de forma pessimista o destino caótico de nosso mundo. Gostaria de destacar a ótima linha de baixo que faz desenhos criativos criando um contraponto envolvente com a linha de voz.
A faixa título “Apple Sin” é simplesmente linda e marcante. Confesso que desde quando ouvi pela primeira vez essa música na coletânea Roadie Metal volume 2, vez ou outra ela me vem à mente como num processo de osmose. Destaque mais uma vez para o baixo de Raul Ganso que construiu uma marcante linha muito similar (porém longe de ser cópia) a canção Countdown to Extinction do Megadeth.

“Another Day” volta com a velocidade, porém desta vez somada a uma agressividade digna do puro Heavy Metal tradicional onde a bateria de Eduardo Rodrigues torna-se um destaque inegável. Patric Belchior (voz) está simplesmente impecável, a execução do drive somado ao seu timbre agudo natural deram a faixa um toque a mais, sem contar que a respiração executada por ele foi muito bem divindade entre as pausas da letra, dando um brilho a mais na interpretação.
Como em todo disco de bom gosto não poderia faltar uma balada Heavy. “Respect” vem trazer ao álbum uma brisa reflexiva e poética, onde lindas frases de guitarra finalizadas com ótimos harmônicos dão ao álbum um clima outonal. A canção é uma das mais bonitas do disco e de longe uma de minhas favoritas, e sozinha garantiria uma nota alta no final desta resenha.
Após o clima intelectivo de “Respect” temos uma trinca matadora, “Fire Star”, “Black Hole” e “Roaches Blood”. Todas as faixas cobertas pelo manto do Metal visceral (com pitadas Thrash) e destaques individuais tanto na execução quanto na temática.
Para fechar o trabalho temos uma homenagem ao programa “Roadie Metal a voz do Rock”. A faixa realmente define muito bem o espirito do programa que ama o metal em todas as suas vertentes.
Não posso deixar de destacar a arte gráfica composta por Philippe Belchior (que também gravou os teclados do disco) que é simplesmente linda. O novo design do logotipo chama muito a atenção dando ao material uma representação visual digna das músicas apresentadas no CD.
A Apple Sin se alimenta da fonte motriz do Heavy Metal, e mostrou neste full-length que está apta para desbravar o Metal nacional com mãos inspiradoras. Que venha o próximo trabalho!
Faixas : 
01. Intro
02. Sea Of Sorrow
03. Darkness And World
04. Apple Sin
05. Another Day
06. Respect
07. Fire Star
08. Black Hole
09. Roaches Blood
10. Roadie Metal (bonus-track)
Line-up:
Patric Belchior – vocais
Beto Carlos – guitarras
Tainan Vilela – guitarras
Raul Ganso – baixo
Eduardo Rodruigues – bateria
Phillipe Belchior – teclados (adicional)