quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Megadeth: análise temática do álbum “Rust In Peace”


A história do Heavy Metal é repleta de capítulos fenomenais. Nos primórdios, quando ainda chamávamos esse estilo de Rock ’n’ Roll, os padrões comportados de nossa sociedade ficaram chocados com a forma libertária e por vezes provocativa no qual o Rock destilava suas músicas. Os anos foram passando, o som foi evoluindo, e os velhos problemas e temas já não eram os mesmos, porém, muitos deles se transformaram, assim como o próprio Rock. Hoje em dia, o estilo tem muitas ramificações e nomes, tematicamente ainda carrega as mesmas críticas de outrora, a diferença é que agora ela corrobora junto a propagação de conhecimento e apego culturais.
Lançado em 24 de setembro de 1990 “Rust In Peace”, do Megadeth, veio repleto deste tipo de crítica e conhecimento. Religião, guerra, política e problemas sociais são muito bem pintados através do conceito pessoal de Dave Mustaine. O álbum em questão nos presenteia com temas carregados e um instrumental pra lá de inspirado e técnico. O disco ganhou platina em 1994, além de indicações ao Grammy em 1991 e 1992 por “Melhor Performance de Metal”.
 A superioridade técnica e temática de “Rust In Peace” são muito bem retratadas através das nove faixas existentes no álbum, tanto que tais músicas colocaram o Megadeth no apogeu cultural do Heavy Metal. Vamos então adentrar um pouco no tema de cada faixa desta insana obra de arte.
Holy Wars… The Punishment Due
O álbum abre com a clássica “Holy Wars… The Punishment Due”. Instrumentalmente a faixa é estupenda e destila muita técnica e sentimento. O cromatismo usado por Mustaine é de uma pegada estonteante e viciante. A letra fala sobre as chamadas “guerras santas”, estas que há anos dividem países e usurpam vidas, principalmente entre o povo de Israel e Palestina. Apesar de não ter nada de santa numa guerra, conflitos internos e políticos sempre são triplicados quando se coloca a religião na equação. “Holy Wars… The Punishment Due” faz uma ótima analogia em torno dessa ideia, mostrando o quanto é alienante e perigoso transformar o púlpito em um palanque.
Hangar 18
Com um riff inicial empolgante e marcante, a exuberante “Hangar 18” se porta extremamente técnica e objetiva. A faixa contém onze solos em pouco mais de cinco minutos. Tecnicamente falando, podemos dividir a canção em três partes dentro do campo harmônico de ré menor. Na primeira parte, temos o riff da introdução; na segunda parte, inicia-se então o canto acompanhado de quatro pequenos solos; e para finalizar, na terceira parte, a faixa se torna praticamente instrumental, com sete solos intercalados por pesadíssimos interlúdios.
A letra de “Hangar 18” é uma insinuação a famosa Área 51, e também a existência de alienígenas no complexo. A chamada Área 51 é uma área militar restrita no deserto de Nevada, próxima ao Groom Lake, Estados Unidos. Ela é tão secreta que o governo estadunidense só admitiu sua existência oficialmente em 1994, porém, com muitas restrições.


Take No Prisoners
Com um riff potente acompanhado por uma bateria muito bem composta por Nick Menza, “Take No Prisoner” tem seu enredo baseado em guerras. A faixa faz claras menções à Batalha da Normandia, que ocorreu em 6 de junho de 1944, onde aliados ocidentais deram início a uma operação chamada “Overlord”. Estados Unidos, Reino Unido e França Livre tinham como objetivo livrar a França do domínio alemão. A invasão da Normandia até hoje é considerada a maior invasão marítima da história.

A faixa num todo faz críticas indiretas à guerras, citando inclusive um trecho do lema do Grande Irmão (personagem do livro 1984 de George Orwell), que dizia: “Guerra é paz”. Outra frase famosa, que neste caso acabou sendo invertida na música, fica por conta de John F. Kennedy: “não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país”.
Five Magics
Com um baixo muito climático, “Five Magics” destila muita peculiaridade e nos remete aos tempos áureos da magia. Com pouco mais de dois minutos de introdução, a faixa descreve um homem que anseia e acaba conseguindo dominar as cinco magias: alquimia, bruxaria, feitiçaria, termatologia e eletricidade.
A magia sempre foi muito estudada e por vezes ligada a ciência, tanto que antigamente era chamada de “Grande Ciência Sagrada”. A primeira mágica citada por Mustaine é a alquimia, esta que na verdade era a química da Idade Média, que procurava (assim como a ciência atual), descobrir a cura para todos os males, tanto físicos quanto morais. A alquimia também tentava criar a chamada “pedra filosofal”, que transformaria qualquer metal em ouro.
Na sequência, temos a bruxaria e a feitiçaria, ambas as artes são ligadas uma a outra, porém a bruxaria tem um cunho religioso, já a feitiçaria, que por sua vez tem como intuito interferir no estado mental, “astral”, físico e/ou perceptivo da realidade, não tem necessariamente essa ligação religiosa. Tanto o bruxo, como o feiticeiro executam magias (incluindo, claro, a feitiçaria). A diferença é que o bruxo reverencia um deus, deusa, deuses ou deusas.
A termatologia mencionada na música como a quarta magia é o uso do calor como remédio ou terapia médica. O termo é também chamado de “termo-terapia”.  A termo-terapia é usada no tratamento das doenças articulares pela aplicação do calor, tanto superficialmente como profundamente.
Para finalizar, temos a eletricidade. Curiosamente, a eletricidade no princípio foi ligada a magia e ao sobrenatural. Sua descoberta foi feita por um filósofo grego chamado Tales de Mileto que, ao esfregar um âmbar a um pedaço de pele de carneiro, observou que pedaços de palha e ciscos de madeira começaram a ser atraídas pelo âmbar.
Nikola Tesla (que, entre as suas contribuições para a humanidade, temos:  os sistemas de potência elétrica em corrente alternada, sistemas polifásicos de distribuição de energia, o efeito Tesla de transmissão sem fio de energia, a robótica, o controle remoto, o radar, a ciência computacional e a balística), era considerado um verdadeiro mago em sua época. Tesla viajou para os Estados Unidos e toda a Europa demostrando suas teorias e invenções. Ele era famoso por fazer demonstrações artísticas, agindo quase como um mágico. Tesla que era conhecido como “o mestre dos raios”, se negava a palestrar caso não tivesse presente na sala sua bobina emitindo raios.

Poison Was The Cure
Não é segredo pra ninguém que Dave Mustaine sempre teve problemas com drogas (inclusive já foi preso portando oito tipos de drogas injetáveis). Apesar de hoje em dia esse problema não fazer parte do cotidiano do músico, várias músicas do Megadeth com certeza foram compostas através de influencias químicas. “Poison Was The Cure”, que tem uma introdução de baixo bem densa e criativa, retrata de forma artística os problemas que o frontman tinha com o vício da heroína. De uma forma representativa, Mustaine usa uma serpente para simbolizar a droga que corria em sua veia.
Lucretia
Com um riff inspiradíssimo, “Lucretia” (Lucrécia), traz excelentes solos e um clima carregado e narrativo. A música fala sobre um suposto fantasma que vive no sótão da casa de Dave Mustaine. No início da canção, uma risada estranha dá as boas-vindas à faixa. Seria essa a risada de Lucrécia?
Na história da humanidade tivemos duas figuras famosas chamadas Lucrécia: uma foi Lucrécia Bórgia, esta que foi a filha ilegítima de Rodrigo Bórgia, importante personagem italiano do Renascimento, que viria a se tornar o papa Alexandre VI, e a Lucrécia de Roma, que foi uma lendária dama romana, filha de Espúrio Lucrécio Tricipitino, prefeito de Roma, e mulher de Lúcio Tarquínio Colatino.

Tornado of Souls
“Tornado of Souls” é simplesmente impecável – riff, base, solos e linhas vocais excelentes compõem com grandeza essa obra que se tornou um clássico absoluto do Megadeth. A letra retrata o momento emocional de Mustaine após o termino com sua noiva Diana, com quem aliás ficou junto por seis anos. De forma extremamente rancorosa e por vezes aliviada, a canção traz frases como: “mas agora eu estou salvo no olho do tornado” e “você não se esquecerá dos meus lábios/ você sentirá minha respiração fria, é o beijo da morte”.
Dawn Patrol
Com uma ótima introdução de baixo criada por Ellefson, e letras declamadas ao invés de cantadas, a oitava música do álbum trata de forma contundente o problema da destruição ambiental causada pelo aquecimento global e também como seria nossa vida caso passássemos por uma guerra nuclear. “Dawn Patrol” é quase que uma introdução para a faixa de encerramento do disco.
Rust In Peace… Polaris
A última música do disco encerra com grandeza o clássico álbum. É desnecessário frisar a qualidade técnica da faixa, visto que isso é uma constante durante o disco todo. A temática, que mais uma vez fala sobre guerra nuclear, ocorreu a Mustaine quando ele estava dirigindo pra casa vindo da cidade de Lake Elsinore, Califórnia, quando reparou num veículo que seguia a frente. No para-choque tinha um adesivo que dizia o seguinte: “tomara que todas as ogivas nucleares enferrujem em paz”. Imaginou então aquelas velhas ogivas estocadas numa praia qualquer com crianças fazendo pichação nelas. O nome original da música seria “Child Sin”, e Dave a compôs ainda quando estava no Metallica, porém, somente em 1990 a canção saiu da gaveta. (Fonte: Site Megadeth Brasil).
Para se entender melhor a canção, é preciso saber que na época do lançamento do álbum existia um acordo entre as potências mundiais sobre o desarmamento nuclear. Aliás, há uma ótima alusão a isso na capa do disco. A arte da capa que foi elaborada pelo artista Ed Repka, conta com o mascote do Megadeth, Vic Rattlehead, mais os cinco líderes da chamada “five major world powers”, do início dos anos noventa. Os cinco líderes representados na capa são os seguintes: o ex-primeiro ministro britânico John Major, o ex-primeiro ministro japonês Toshiki Kaifu, o ex-presidente da Alemanha Richard von Weizsäcker, o ex-secretário geral da União Soviética Mikhail Gorbachev, e o ex-presidente dos Estados Unidos George H. W. Bush.

A música é dividida em duas partes: a primeira chamada “Rust In Peace”, e a segunda “Polaris”. “Polaris” foi o nome do primeiro projeto SLBM (Submarine-Launched Ballistic Missile – Míssil Balístico de Lançamento Submarino), liberado pela marinha estadunidense. Financiado e desenvolvido por volta dos anos 50 durante a Guerra Fria e tendo como intuito substituir o antigo míssil Regulus, tornou-se uma das mais importantes contribuições bélicas para os EUA desde então.

Se tem um disco que podemos considerar o Magnum Opus do Megadeth, com certeza ele é o “Rust In Peace”. Muitos, aliás, julgam essa obra como sendo a melhor de toda história do Thrash Metal, ao lado de “Master of Puppets” do Metallica, “Reign In Blood” do Slayer e “Among The Living” do Anthrax.
“Rust In Peace” é um quadro pintado com o mais alto nível de técnica, suas cores transpassam expressões fortes e de apego emocionais, causando inveja aos mais egocêntricos e orgulho aos mais observadores, além de servir de refúgio cultural aos admiradores da verdadeira arte chamada Heavy Metal.
Formação:Dave Mustaine (vocal, guitarra);
Marty Friedman (guitarra);
David Ellefson (baixo);
Nick Menza (bateria).


Malefactor: o contexto histórico existente na faixa “300 From Sparta”



O Malefactor lançou em 2003 um expressivo álbum intitulado “Barbarian”. O disco foi produzido por Jerônimo Cravo e conta com músicas pesadas e técnicas, destilando um Death/Black Metal digno de atenção, visto o capricho nas composições. “Echoes of Lemuria”, “Barbarian Wrath” e “Followers of The Fallen” são uns dos excelentes destaques. Ele ainda conta com um brutal cover da canção “A Touch Of Evil”, do Judas Priest, porém, em particular, hoje falarei da marcante faixa “300 From Sparta”.
A canção de pouco mais de quatro minutos retrata de forma musical a real batalha no desfiladeiro das Termópilas, entre gregos e persas. O confronto aconteceu por volta de agosto em 480 a. C. e ficou conhecido como a Segunda Guerra Médica.
A invasão, que partiu dos persas, foi um tipo de “resposta” contra a Primeira Guerra Médica, vencida pelos atenienses na batalha de Maratona. Xerxes, o então rei persa, que dispunha de um numeroso exército além de uma temida marinha, partiu então para sua ambiciosa “conquista”, porém, em resposta à iminente invasão, um general ateniense chamado Temístocles propôs que os aliados gregos anulassem o avanço do exército Persa em Termópilas, enquanto outros bloqueavam o avanço da marinha de Xerxes no estreito de Artemísio.

A aliança entre as pólis Gregas, deu a Esparta o comando da batalha, porém, devido a uns empecilhos burocráticos e religiosos, Leônidas, rei e general espartano, não pôde levar seu exército para a batalha. Sendo assim, Leônidas, que sabia da importância do combate, juntou sua guarda pessoal de 300 homens e partiu rumo ao estreito de Termópilas, com o intuito de retardar o avanço persa.
O exército de Leônidas dispunha de uma técnica de formação chamada “falange” (Phalanx), onde os soldados eram alinhados em colunas coesas, protegidos por escudos e lanças apontadas para frente. A falange era praticamente uma barreira virtual intransponível. Essa força, junto ao terreno estreito de Termópilas, anularia a vantagem numérica de Xerxes. Leônidas, além de seus bravos 300, também contava com o apoio de 7.000 soldados formados por aliados gregos. Xerxes, por sua vez, administrava uma massa colossal com mais de 300 mil homens.
Xerxes esperou quatro dias pela desistência dos espartanos devido sua minoria, porém, quando viu que ninguém estava disposto a sair de lá sem antes lutar, ordenou então um ataque. Durante a batalha, a falange espartana se portou intransponível. A técnica superior, somada à vantagem do terreno, acabou por dar uma incrível vitória aos 300 espartanos. Humilhado, Xerxes manda no segundo dia de luta seus melhores soldados: a elite persa denominada “Imortais”.
Mas a falange espartana mais uma vez se mostrou superior. Os soldados da elite persa caíram um a um, e mais uma vez, Xerxes observa seus soldados serem massacrados por “míseros” 300 homens. Ali, sobre o manto da derrota e da vergonha, Xerxes é agraciado com uma informação que daria fim ao exército de Leônidas: Ephialtes, um dos gregos, desertou para o lado persa e informou Xerxes de uma passagem alternativa por Termópilas. A passagem era uma antiga trilha de bodes. Sendo assim, os espartanos foram cercados e arrastados para uma pequena montanha, onde, enfim, foram mortos.
A música do Malefactor começa com um pequeno solo de bateria (detalhe para o efeito de ‘flanger’ no instrumento), então, um riff potente junto a um tapete de teclados climáticos enchem o ar, dando um toque grandioso a faixa. Após a mudança de ritmo, o canto se inicia de forma expressiva e por vezes narrativa, até explodir em um espetacular pré-refrão. A faixa descreve alguns dos acontecimentos históricos em Termópilas, e um exemplo é o trecho que cita o mês da batalha: “agora é agosto, a lua cheia está brilhando para nós, Xerxes está sorrindo”.
A bravura dos 300 de Esparta conseguiu causar um grande impacto sob as tropas de Xerxes, enfraquecendo vigorosamente a força invasora, tanto que, nas batalhas posteriores, os persas foram facilmente derrotados, tanto em terra quando em mar.
Existem alguns filmes que retratam esses acontecimentos. Um deles é “Os 300 de Esparta”, lançado em 1962. Contudo, creio que o mais conhecido por nossa geração seja o famoso “300”, lançado em 2007, co-escrito e dirigido por Zack Snyder, que trazia Gerard Butler no papel do rei Leônidas.

O filme recebeu críticas mistas. Alguns, aliás, acusam a obra de ser caricata. Porém, isso é devido a fonte “gráfica” usada por Snyder. O filme foi totalmente inspirado visualmente nas HQ’s de Frank Miller lançadas em 1998.
Compare algumas cenas:

A história dos 300 destila toda a perseverança e coragem em nome da liberdade. Leônidas e seus bravos 300 provaram para o mundo que a opressão e o misticismo podem sim ser combatidos de forma contundentes. Ali, no estreito de Termópilas, a história registrou uma batalha onde homens livres enfrentaram um poderoso tirano, que poucos enfrentaram muitos, e no fim, até mesmo um “deus rei” sangrou pela lança da esperança.
Vale muito apena conferir o disco “Barbarian” do Malefactor, e principalmente mergulhar entre os acordes de “300 From Sparta”, pois músicas assim são praticamente uma aula de história.


domingo, 31 de julho de 2016

Iron Maiden: a influência de Umberto Eco na canção “Sign of The Cross"


Recentemente o mundo da literatura ficou de luto devido à morte do grandioso escritor e pensador Umberto Eco, aos 84 anos. Eco, que nasceu em Alexandria, na Itália, foi uma das principais referências no estudo da semiótica, além de ter escrito vários romances aclamados pela crítica especializada – “Pêndulo de Foucault”, “A Ilha do Dia Anterior”, “Baudolino” e “O Nome da Rosa” entre eles.


Claro que um escritor deste calibre não poderia deixar de influenciar a música pesada. Um exemplo é a canção “Sign of The Cross” do Iron Maiden, que foi baseada na obra “O Nome da Rosa”, lançada em 1980.
O enredo se passa durante a Idade Média e gira em torno de investigações referentes a vários crimes cometidos dentro de uma abadia medieval. O frade franciscano Willian de Baskerville mais o noviço Adso de Melk são os responsáveis por estas investigações. Mesmo com uma forte resistência por parte de uns religiosos, os investigadores acabam descobrindo que a causa dos crimes são ligadas a existência de uma biblioteca que escondia obras apócrifas.

A música do Iron Maiden, referente a esta obra, abre o disco “The X Factor” de forma magnífica. “Sign of The Cross”, em seu tema inicial, traz cantos gregorianos nos remetendo aos monastérios da Idade Média. As primeiras frases cantadas por Blaze Bayley recitam de forma expressiva o ritual da “santa” inquisição, com onze homens, um após o outro, onde um à frente dos demais traz uma cruz levantada. Os homens estão ali para livrar o mundo de um pecador.
A letra não conta de forma narrativa a história do livro, mas sim faz um paralelo com ele. Num todo, o texto faz simples menções à obra de Umberto Eco, como por exemplo, no refrão, onde é cantada a frase “O sinal da cruz, O NOME DA ROSA, um fogo no céu, o sinal da cruz”.

O mundo do Heavy Metal sempre foi ligado à literatura mundial, e “Sign of The Cross” é apenas um dos inúmeros exemplos. Sendo assim, a morte de Umberto Eco também foi uma grande perda para nós, amantes do Heavy Metal, visto que nossa cultura sempre andou de mãos dadas com escritores deste porte.





Manowar: mitologia e música através da faixa “Achilles, Agony and Ecstasy In Eight Parts”


O Manowar lançou em 29 de setembro de 1992 seu sétimo álbum de estúdio, intitulado “The Triumph of Steel”. O álbum é uma verdadeira obra de arte que carrega músicas pesadas e de cunho grandioso. Ele, que traz em sua formação David Shankle e Rhino, dispõe de uma música “homérica” com mais de 28 minutos chamada “Achilles, Agony and Ecstasy In Eight Parts”, na qual falarei um pouco agora.
A música é dividida em oito partes (assim como sugere o nome), e é uma verdadeira aula de interpretação que discorre sobre a história mitológica de Aquiles, o guerreiro “Invulnerável”.
Aquiles era filho da ninfa Tétis e do rei dos mermidões, Peleu, e teve sua formação e treinamento junto a Quíron, o centauro, este que já teve como aprendizes, Hércules, Aristeu, Ajax e Teseu.


Sobre a “invulnerabilidade” de Aquiles, existem duas lendas referentes ao assunto. A primeira diz que Tétis, por não aceitar de forma alguma ter um filho mortal, colocou seu filho, ainda bebê, num poço com chamas mágicas. Segundo a lenda, essas chamas poderiam transformar qualquer humano em imortal. A métrica consistia em colocar diariamente uma parte diferente do corpo de Aquiles sobre as chamas, porém, quando faltavam apenas os calcanhares, Peleu viu a cena e tomou o menino das mãos de Tétis, fugindo com ele. Peleu julgou a cena como sendo uma tentativa de assassinato.  A segunda versão conta que Tétis tentava banhar Aquiles nas águas sagradas do Rio Estige, segurando o bebê apenas pelos calcanhares, porém, da mesma forma que a primeira versão, Peleu apareceu e levou a criança. Isso fez com que o Aquiles ficasse invulnerável, com exceção claro, de seu calcanhar.


Aquiles teve ligação direta na batalha entre gregos e troianos. Tudo começou quando a instabilidade politica na região tornou-se intensa. A guerra por si só era apenas uma questão de tempo. Para que isso acontecesse, faltava apenas um motivo relevante, e foi então que uma disputa entre as deusas, Afrodite, Atena e Hera serviu de estopim. As deusas queriam saber qual delas era a mais bela, então escolheram Páris como juiz, príncipe de Troia. Afrodite foi a vencedora do concurso após ter prometido a Páris a mulher mais bela do mundo, e para cumprir sua promessa, raptou Helena, a esposa do rei da temida Esparta, Menelau.
Troia, que era governada pelo rei Priamo e seus dois filhos Páris e Heitor, entrou em estado de alerta, já que após esse sequestro, a guerra contra Troia era inevitável.
Após algumas recusas por parte de Aquiles e de sua mãe referente a sua participação na guerra, uma conversa com o príncipe Ulisses acaba convencendo o guerreiro de lutar juntos aos Gregos.
Após meses de grandiosas vitorias onde Aquiles com poucos soldados aniquilava muitas cidades, territórios e bases militares dos troianos, uma desavença com Agamenon, rei de Micenas, faz com que Aquiles abandone os campos de batalha, o que deu uma extrema vantagem aos troianos.
Com as tropas gregas à beira da completa destruição, Pátroclo, que era o melhor amigo de Aquiles, decide liderar os mirmidões na batalha fingindo ser o próprio Aquiles, para isso ele vestiu a armadura e usou o carro de batalha de seu amigo. Pátroclo conseguiu expulsar os troianos das praias ocupadas pelos gregos, porém acabou sendo morto por Heitor.
Quando Aquiles sente falta de sua armadura, acaba descobrindo que seu melhor amigo foi morto por Heitor, então, para vingar a morte de Pátroco Aquiles volta a lutar contra os troianos, porém, agora para dar um basta definitivo na guerra.
A música do Manowar é referente a esta vingança de Aquiles, e sua crucial batalha contra Heitor:
Aquiles vai sozinho até as muralhas de Troia e desafia Heitor. Uma luta árdua é travada! Contudo, Aquiles, que carregava muito ódio em seu coração, atravessa uma lança na garganta de Heitor que morre na hora. Não satisfeito, amarra o corpo de Heitor em seu carro e arrasta o defunto durante nove dias pelos campos de batalha.

A música descreve poeticamente esse trecho da historia, dividindo em oito partes os acontecimentos:
“Prelude”
I. “Hector Storms The Wall” (HEITOR ASSALTA A MURALHA)
II. “The Death of Patroclus” (A MORTE DE PATROCLUS)
III. “Funeral March” (MARCHA FUNERÁRIA)
IV. “Armor of The Gods” (ARMADURA DOS DEUSES)
V. “Hector’s Final Hour” (A HORA FINAL DE HEITOR)
VI. “Death Hector’s Reward” (A RECOMPENSA DA MORTE DE HEITOR)
VII. “The Desecration of Hector’s Body (Pt. 1, Pt. 2)” (A PROFANAÇÃO DO CORPO DE HEITOR)
VIII. “The Glory of Achilles” ? (A GLORIA DE AQUILES)
Todas as oito partes são espetaculares, tanto em expressão quanto em execução. Dessas oito, três são instrumentais, no qual inclui solos de bateria e baixo.
Logo após a morte de Heitor, os gregos criam um plano para adentrar as muralhas de Troia. Construíram um gigante cavalo de madeira e deram como presente de paz para os troianos. O cavalo foi então posto pra dentro do reino, e quando a noite chegou, vários gregos saíram de dentro do cavalo, pegando todos de Troia adormecidos. Assim, abriram os portões para que mais soldados entrassem.

Os gregos, com esse golpe de inteligência, transformaram troia em um berço de sangue, vencendo a guerra. Todavia, nos últimos minutos do conflito, Páris atinge um flecha envenenada em um dos calcanhares de Aquiles, o que fez o lendário guerreiro morrer lentamente.


Por causa do conteúdo lírico contido na música do Manowar, a canção acabou atraindo a atenção de um grupo de pesquisadores da Universidade de Bolonha, na Itália. A professora de História Clássica Eleonora Cavallini escreveu o seguinte sobre a canção:
“A letra de Joey DeMaio implica numa cuidadosa e escrupulosa leitura da Ilíada. O compositor focou sua atenção especialmente na batalha crucial entre Heitor e Aquiles, e parafraseou algumas passagens do poema para uma estrutura melódica com certa fluência e parcialmente reinterpretando-a, mas nunca alterando ou distorcendo a história de Homero. O propósito da letra (e também da música) é evocar as características de alguns cenários homéricos: a tempestuosidade da batalha, a barbárie, a feroz exultação do vencedor, a tristeza e a angústia do lutador que pressente a morte sobre ele. Toda a ação se dá sobre Heitor e Aquiles, que são representados como personagens opostos, divididos por um ódio irascível e ainda assim unidos por um destino em comum. Ambos são retratados no momento da maior exaltação, enquanto regozijam sobre o sangue dos inimigos mortos, mas também de mais extrema dor, quando o demônio da guerra finalmente se apossa deles. Mais além, diferentemente do irreverente e iconoclasta Troia, a canção tem o divino como algo sempre presente, determinando os destinos dos humanos com ferocidade inescrutável, e apesar da referência genérica aos “deuses”, o verdadeiro mestre das vidas humanas é Zeus, o único deus ao qual tanto Heitor quanto Aquiles direcionam suas preces”.
— Eleonora Cavallini






Pink Floyd: a relação entre “Animal” e a obra de George Orwell


O Pink Floyd sempre bebeu do rio furtivo da filosofia. Músicas complexas e profundas são expressadas com mãos poéticas pela banda. Dinheiro, ambição, guerra, egoísmo, loucura e política são uns dos temas abordados de forma contundente pelos músicos.
Claro que, para isso, as bases literárias formam o alicerce de seus incríveis álbuns. Um exemplo é o disco “Animal”, de 1977, que foi totalmente inspirado pela obra do escritor George Orwell “Animal Farm”, publicada em 1945.
O livro de George Orwell retrata de forma “alegórica” uma revolução provinda dos animais de uma fazenda. A revolução é arquitetada por um velho porco chamado Major. A intenção do Major era que os animais fossem governados por eles próprios e não pelos humanos que os exploravam. Após a morte do Major, os porcos Napoleão e Bola-de-Neve tomam frente da revolução e expulsam os proprietários da fazenda. A partir daí, os animais passam por um período de prosperidade e bonança, porém, com a ajuda de seu “braço-direito”, Garganta, Napoleão faz acusações sobre a administração de Bola-de-Neve e com a ajuda de nove cachorros o expulsa da fazenda.
Com o comando da fazenda em suas “patas”, Napoleão começa a exercer um pesado regime de produção, explorando ainda mais os animas, tudo em troca de poucas quantidades de ração. Napoleão então passa a morar na residência dos ex- proprietário, estabelece comércio com os agricultores da região e, numa atitude bizarra, começa a andar em duas patas, fato que faz com que os outros animais não mais consigam diferenciar os porcos dos humanos.
O enredo e principalmente os personagens de a “Revolução dos Bichos” fazem um expressivo paralelo com grandes ícones da Revolução Russa de 1917.
Vamos a alguns deles:
Sr. Jones
O primeiro personagem que nos é apresentado é Sr. Jones. O fazendeiro dono da Granja do Solar é cruel com os animais, chicoteando-os e por vezes, deixando os com fome. Assim, como o último czar russo, Nicolau II. O czar foi considerado um líder anêmico e brutal com seus opositores.
Major
Ao cair da noite na fazenda, uma reunião dos bichos acontece e surge então o porco Major. Premiado e respeitado por todos os bichos, o velho porco expressa seus desejos de dias melhores para todos os animais e explica o animalismo para os animais. Major dizia que os animais trabalhavam e os humanos quem gozavam dos benefícios desse trabalho. Por isso, o porco incita uma revolta para que todos os “trabalhadores” possam ter uma vida melhor. Major apresenta um discurso alusivo de Karl Marx e o socialismo científico. Além disso, lembra Lênin, o idealista do início da Revolução Russa.
Bola-de-Neve
Como Major morre antes da revolta acontecer, dois porcos tomam a frente: Napoleão e Bola-de-Neve. Bola-de-Neve é, assim como Major, idealista e inteligente. Este pode ser comparado a Trotski, um dos líderes da Revolução de Outubro, que seguia a risca os ensinamentos de Marx.
Napoleão
De caráter bem mais agressivo e egoísta, não era tão inteligente ou bom orador como Bola-de-Neve e, por isso, arma um golpe com ajuda de nove cachorros ferozes. Obriga Bola-de-Neve a se exilar e, à custa de muita propaganda, transforma-o em inimigo da Granja dos Bichos. Napoleão é uma representação de Stalin: não seguia os ideais socialistas – sua ambição pelo poder lhe fez corrupto. Usou a KGB/cães, além de permitir a volta da igreja ortodoxa/Moisés, para manter o povo sob controle.
Garganta
Napoleão, assim como Stalin, usou do culto a personalidade para se afirmar no poder. Por não ser bom orador, usou da figura de Garganta para convencer os animais que Napoleão era um líder bondoso e corajoso. Sem ética alguma, Garganta manipulou os mandamentos do animalismo para beneficiar Napoleão, se aproveitando que grande parte dos bichos era analfabeta. Garganta representa o departamento de propaganda de Stalin que durante o governo, usou de mentiras para manter a imagem de líder.
Cachorros
Além de Garganta, o controle é mantido com o uso de cachorros. Esses eram responsáveis de oprimir os oponentes de Napoleão. Assim como a KGB, a polícia secreta de Stalin, utilizavam da força bruta para controlar o povo e eram totalmente leais ao governante.
Bichos:
Sansão, cavalo forte e trabalhador, se mantém fiel a Napoleão sem questionar e no fim, se vê traído por ele. As ovelhas, que repetem, sem entender, os lemas e canções em ode a Napoleão.As galinhas, que não se concentram em nada. E Benjamin, o burro sábio que suspeitava da Revolução e garantia que nada iria mudar.
Fonte da descrição dos personagens: Clara Rodrigues – estudante de Jornalismo do 5º período da PUC-Rio.
No álbum, o enredo se desdobra através de cinco músicas: “Pigs On The Wing – Part 1”, “Dogs”, “Pigs (Three Different Ones)”, “Sheep” e “Pigs On The Wing – Part 2”.
Apesar de ser abertamente baseado no livro de Orwell, o álbum não se prende a ele. Não usa o enredo literalmente e sim faz um paralelo com ele. Waters expressa de forma genial seu escarro contra a sociedade capitalista e seus dominadores, estes que oprimem os menos capacitados.
Em “Pigs On The Wings Part 1”, Waters faz uma “previsão”. Caso não se importasse com sua esposa (Caroline), e vice-versa, os dois por consequência viveriam no absoluto tédio e dor, onde apenas observariam a porcos voando.
Na próxima canção “Dogs”, Waters usa o animal para descrever os burgueses, logo de cara Gilmour dá conselhos a um homem sobre o mundo dos negócios, ali em forma de metáfora, ele acaba comparando o sujeito com um cachorro.
Assim como no livro, Waters usa na música “Pigs (Three Different Ones)” a ideia de que porcos dominam os outros animais. Sendo assim, ele elege três tipos de porcos. O primeiro porco representa o homem capitalista, o segundo porco representa Margareth Thatcher. Em 1977 (ano de lançamento do álbum), Thatcher era líder do Partido Conservador do Reino Unido. O terceiro porco é Mary Whitehouse. Mary foi uma ativista britânica conservadora e extremamente cristã que defendia a censura de material que contivesse cenas de sexo, violência e qualquer coisa ligada a grupos sociais referente as causas homossexuais.
As ovelhas sempre foram usadas como símbolo de submissão por parte de alguns pensadores. Waters também usou essa representação na música “Sheep”, os termos “submisso” e “obediente” são expostos sem pautas na música. Uma parte interessante gira em torno do salmo 23 da Bíblia; o trecho é uma clara crítica à Igreja pela forma cujo a qual  usa a religiosidade para criar submissão.
O desfecho do álbum “Pigs On The Wings – Part 2” tem os mesmos padrões da primeira parte, porém, nessa música, Waters afirma saber que sua esposa se importa com ele e ele por ela, portanto, nunca se sentirá sozinho. O contexto demostra ele como um cachorro, se sentindo seguro pois sabe que pode esconder seu osso num abrigo contra porcos.
“Animals” é um disco fantástico que carrega algo mais que músicas, despejando de modo ácido críticas, história e política. Se nunca ouviu o álbum ou mesmo nunca leu “A Revolução dos Bichos”, fica a dica, pois álbuns assim transformam o Rock em algo único dentro da arte.


sábado, 19 de dezembro de 2015

A História Por Trás Da Música "Unit 731" Do Slayer


O slayer lançou em 2 de Novembro de 2009 seu decimo álbum de estúdio intitulado World Painted Blood. O disco veio repleto de excelentes músicas, porem em particular falarei sobre a faixa "Unit 731".

A música retrata o bizarro acontecimento real tristemente ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial e Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945). A unidade 731 era a divisão responsável pelo programa de guerra biológica do Japão e foi a protagonista de uma das maiores atrocidades realizadas pelo exército imperial japonês.

Unidade 731

Localizada no distrito de Pingfang, na cidade de Harbin, no estado fantoche de Manchukuo (nordeste da China), a unidade era comandada pelo médico Shirô Ishi que usava seus prisioneiros (na maioria chineses), como cobaias humanas. Para eles os prisioneiros não eram seres humanos, tanto que os chamavam de "Maruta" (tronco).

Shirô Ishi 

O médico realizava ali experimentos em mulheres, crianças, idosos e até bebês, com o objetivo “cientifico” de desenvolver armas biológicas, entre os testes temos os seguintes:

. Utilização de pessoas em câmaras de vácuo
. Infectar suas cobaias com doenças
. Choques elétricos
. Autópsias e dissecações em indivíduos vivos, sem nenhum tipo de anestesia
. Injeção de ar, para ver a evolução das embolias
. Testes de congelamento, onde alguns prisioneiros eram expostos a temperaturas abaixo de zero. Com os membros completamente congelados eles eram levados ao laboratório para um descongelamento feito por técnicas experimentais, claro que ali os prisioneiros viam seus braços e pernas serem perdidos.

Com muita meticulosidade Shirô Ishi registrava e anotava tudo, Ishi mantinha seus “macacos” (como eram chamado por ele), bem alimentados e os obrigava a se exercitar, já que defendia a ideia de que quanto melhor for a saúde de sua cobaia, melhor seria os resultados.

Quando a guerra foi encerrada a unidade foi completamente destruída para que nunca a verdade fosse revelada, porem em 1989 a descoberta de cadáveres no subsolo da cidade trouxe a tona os acontecimentos no complexo, várias pessoas relataram sua história publicamente e logo já não era mais segredo o que tinha acontecido na unidade 731. 

Um tempo depois da descoberta, o governo chinês decidiu documentar o fato para que o mundo ficasse sabendo das atrocidades realizadas pelo Japão contra seu povo, então deu total apoio para o diretor Tun Fei Mou (um pseudônimo de Godfrey Ho), para fazer um filme relatando detalhadamente os bizarros acontecimentos na unidade 731, o filme chama-se “Men Behind the Sun”, em português “Campo 731: Bactérias – A Maldade Humana” a película  por sinal é quase um “snuff movie” já que traz cadáveres humanos reais.

















Mais uma história cruel e incrível que não pode ser esquecida, então fica a dica pra quem curte histórias surreais e principalmente o SLAYER, ouça a música e assista o filme pois fatos assim nos faz pensar no quão longe a maldade humana pode chegar.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

10 SHOWS DE ROCK/METAL COM ORQUESTRA


Certa vez em uma entrevista Janick Gers (Iron Maiden), disse que o Heavy Metal é a música clássica da atualidade, essa afirmação não deixa de ser verdade, mesmo o estilo portando-se esteticamente o oposto, não é segredo nenhum a influência da música clássica no heavy metal, aliás ela é uma parte peculiar de sua criação.

Os estilos mesmo sendo aparentemente opostos andam musicalmente juntos em vários pontos, principalmente em “feeling” e técnica.


Várias bandas de Rock já fizeram uma fusão com a música clássica, seja em linhas melódicas ou mesmo se apresentando junto a uma orquestra, então hoje vou listar aqui 10 apresentações de bandas dentro do Rock/Metal junto a  uma orquestra. 

1-Jethro Tull

Em 31 de dezembro de 1985 o Jethro Tull gravou junto a Orquestra Sinfônica de Londres o Álbum orquestral “A Classic Case”, o Jethro Tull nunca escondeu sua ligação com a música sinfônica e isso pode ser notado nessa incrível participação de Ian Anderson junto a Nova Filarmônica de Frankfurt executando o clássico Aqualung.


2- Deep Purple

Uma banda  que recorreu a uma orquestra em certos pontos de sua carreira foi o Deep Purple, tanto em 1969 quando Jon Lord (tecladista) compôs o “Concerto para Banda e Orquestra” que teve uma incrível apresentação junto a Royal Philharmonic Orchestra em, quanto em 2011 com a Neue Philharmonie Frankfurt no Live at Montreux, porém não será nenhuma dessas apresentações minha indicação, e sim a excelente performance no Royal Albert Hall em 2000, com a Orquestra Sinfônica de Londres, onde até mesmo Ronnie James Dio teve uma participação.


3- Kiss

Gravado em Telstra Dome, Melbourne, Austrália, o Kiss Symphony Alive IV (2003) é espetacular. A apresentação é dividida em 3 atos:

 Ato 1 o Kiss toca 6 músicas normalmente, no Ato 2 o Kiss toca com uma pequena parte da orquestra 5 músicas em formato acústico, Ato 3 o Kiss toca as outras músicas com a orquestra completa.

Os arranjos foram feitos por David Campbell, maestro da Orquestra Sinfônica de Melbourne participante do projeto.


4- Metallica

Em 1999 o Metallica grava um fenomenal show junto a Sinfônica de San Francisco intitulado, “S&M” (abreviatura para Symphony & Metallica).

O show foi gravado no Berkley's Community Theatre e traz duas músicas inéditas "Minus Human" e "No Leaf Clover".


5- Scorpions

Os alemães do Scorpions em 2000 gravaram o show Moment Of Glory com a Berliner Philharmonicer Orchestra na abertura da EXPO 2000, na cidade de Hanover.

O maestro Christian Kolonovitz refez o arranjo de todas as músicas desse show e transformou esse registro num dos mais emocionantes já gravados com orquestra, um verdadeiro MOMENTO DE GLORIA. 


6- Yngwie J. Malmsteen

Os guitarristas não poderiam ficar fora dessa, e para representar a classe trago Yngwie J. Malmsteen e sua apresentação junto a Orquestra Filarmônica Japonesa em 1998.

A apresentação foi chamada de Concerto Suite for Electric Guitar and Orchestra in E flat minor Opus1. 


7- Dimmu Borgir

Com certeza uma das mais fantásticas apresentações com orquestra que já vi. O Dimmu Borgir em 2011 gravou para uma emissora de TV Norueguesa um show junto a Norwegian Radio Orchestra e mais um elenco com 30 coristas da Schola Cantorum, o vídeo foi chamado de "Forces Of The Northern" e vale muito a pena ser apreciado.



8- Rage

O Rage flerta a muito tempo com orquestras, tanto que gravou lindos álbum com a Lingua Mortis Orchestra, destaque para os discos Speak of the Dead (2006) e Strings to a Web (2010).

Junto a Lingua Mortis Orchestra o Rage fez vários excelentes shows, principalmente no grandioso Wacken Open Air, porem a apresentação que listarei aqui é da Lingua Mortis Orchestra que teve a participação do Rage, o show aconteceu em 2013 e também fez parte do cast do Wacken Open Air, Magnifico.


9- Dream Theater

O metal progressivo do Dream Theater também comungou junto a uma orquestra, o show foi gravado no Boston Opera House em 25 de março de 2014 e teve a participação tanto da orquestra quanto do coral de Berklee College of Music.

O show chama-se Breaking the Fourth Wall e a orquestra e o coral tiveram participação nas faixas "Illumination Theory", "Overture 1928", "Strange Déjà Vu", "The Dance Of Eternity" e "Finally Free".


10- Meat Loaf

Meat Loaf com toda certeza é um cara que merece respeito, não somente por ter gravados umas das melhores “trilogias” do rock (Bat Of Hell 1, 2 ,3), mais sim também por ter superado obstáculos grandiosos desde a infância, então nada mais justo que encerrar essa lista com seu maravilhoso show Live with the Melbourne Symphony Orchestra de 2004, emocionante.