domingo, 31 de julho de 2016

Manowar: mitologia e música através da faixa “Achilles, Agony and Ecstasy In Eight Parts”


O Manowar lançou em 29 de setembro de 1992 seu sétimo álbum de estúdio, intitulado “The Triumph of Steel”. O álbum é uma verdadeira obra de arte que carrega músicas pesadas e de cunho grandioso. Ele, que traz em sua formação David Shankle e Rhino, dispõe de uma música “homérica” com mais de 28 minutos chamada “Achilles, Agony and Ecstasy In Eight Parts”, na qual falarei um pouco agora.
A música é dividida em oito partes (assim como sugere o nome), e é uma verdadeira aula de interpretação que discorre sobre a história mitológica de Aquiles, o guerreiro “Invulnerável”.
Aquiles era filho da ninfa Tétis e do rei dos mermidões, Peleu, e teve sua formação e treinamento junto a Quíron, o centauro, este que já teve como aprendizes, Hércules, Aristeu, Ajax e Teseu.


Sobre a “invulnerabilidade” de Aquiles, existem duas lendas referentes ao assunto. A primeira diz que Tétis, por não aceitar de forma alguma ter um filho mortal, colocou seu filho, ainda bebê, num poço com chamas mágicas. Segundo a lenda, essas chamas poderiam transformar qualquer humano em imortal. A métrica consistia em colocar diariamente uma parte diferente do corpo de Aquiles sobre as chamas, porém, quando faltavam apenas os calcanhares, Peleu viu a cena e tomou o menino das mãos de Tétis, fugindo com ele. Peleu julgou a cena como sendo uma tentativa de assassinato.  A segunda versão conta que Tétis tentava banhar Aquiles nas águas sagradas do Rio Estige, segurando o bebê apenas pelos calcanhares, porém, da mesma forma que a primeira versão, Peleu apareceu e levou a criança. Isso fez com que o Aquiles ficasse invulnerável, com exceção claro, de seu calcanhar.


Aquiles teve ligação direta na batalha entre gregos e troianos. Tudo começou quando a instabilidade politica na região tornou-se intensa. A guerra por si só era apenas uma questão de tempo. Para que isso acontecesse, faltava apenas um motivo relevante, e foi então que uma disputa entre as deusas, Afrodite, Atena e Hera serviu de estopim. As deusas queriam saber qual delas era a mais bela, então escolheram Páris como juiz, príncipe de Troia. Afrodite foi a vencedora do concurso após ter prometido a Páris a mulher mais bela do mundo, e para cumprir sua promessa, raptou Helena, a esposa do rei da temida Esparta, Menelau.
Troia, que era governada pelo rei Priamo e seus dois filhos Páris e Heitor, entrou em estado de alerta, já que após esse sequestro, a guerra contra Troia era inevitável.
Após algumas recusas por parte de Aquiles e de sua mãe referente a sua participação na guerra, uma conversa com o príncipe Ulisses acaba convencendo o guerreiro de lutar juntos aos Gregos.
Após meses de grandiosas vitorias onde Aquiles com poucos soldados aniquilava muitas cidades, territórios e bases militares dos troianos, uma desavença com Agamenon, rei de Micenas, faz com que Aquiles abandone os campos de batalha, o que deu uma extrema vantagem aos troianos.
Com as tropas gregas à beira da completa destruição, Pátroclo, que era o melhor amigo de Aquiles, decide liderar os mirmidões na batalha fingindo ser o próprio Aquiles, para isso ele vestiu a armadura e usou o carro de batalha de seu amigo. Pátroclo conseguiu expulsar os troianos das praias ocupadas pelos gregos, porém acabou sendo morto por Heitor.
Quando Aquiles sente falta de sua armadura, acaba descobrindo que seu melhor amigo foi morto por Heitor, então, para vingar a morte de Pátroco Aquiles volta a lutar contra os troianos, porém, agora para dar um basta definitivo na guerra.
A música do Manowar é referente a esta vingança de Aquiles, e sua crucial batalha contra Heitor:
Aquiles vai sozinho até as muralhas de Troia e desafia Heitor. Uma luta árdua é travada! Contudo, Aquiles, que carregava muito ódio em seu coração, atravessa uma lança na garganta de Heitor que morre na hora. Não satisfeito, amarra o corpo de Heitor em seu carro e arrasta o defunto durante nove dias pelos campos de batalha.

A música descreve poeticamente esse trecho da historia, dividindo em oito partes os acontecimentos:
“Prelude”
I. “Hector Storms The Wall” (HEITOR ASSALTA A MURALHA)
II. “The Death of Patroclus” (A MORTE DE PATROCLUS)
III. “Funeral March” (MARCHA FUNERÁRIA)
IV. “Armor of The Gods” (ARMADURA DOS DEUSES)
V. “Hector’s Final Hour” (A HORA FINAL DE HEITOR)
VI. “Death Hector’s Reward” (A RECOMPENSA DA MORTE DE HEITOR)
VII. “The Desecration of Hector’s Body (Pt. 1, Pt. 2)” (A PROFANAÇÃO DO CORPO DE HEITOR)
VIII. “The Glory of Achilles” ? (A GLORIA DE AQUILES)
Todas as oito partes são espetaculares, tanto em expressão quanto em execução. Dessas oito, três são instrumentais, no qual inclui solos de bateria e baixo.
Logo após a morte de Heitor, os gregos criam um plano para adentrar as muralhas de Troia. Construíram um gigante cavalo de madeira e deram como presente de paz para os troianos. O cavalo foi então posto pra dentro do reino, e quando a noite chegou, vários gregos saíram de dentro do cavalo, pegando todos de Troia adormecidos. Assim, abriram os portões para que mais soldados entrassem.

Os gregos, com esse golpe de inteligência, transformaram troia em um berço de sangue, vencendo a guerra. Todavia, nos últimos minutos do conflito, Páris atinge um flecha envenenada em um dos calcanhares de Aquiles, o que fez o lendário guerreiro morrer lentamente.


Por causa do conteúdo lírico contido na música do Manowar, a canção acabou atraindo a atenção de um grupo de pesquisadores da Universidade de Bolonha, na Itália. A professora de História Clássica Eleonora Cavallini escreveu o seguinte sobre a canção:
“A letra de Joey DeMaio implica numa cuidadosa e escrupulosa leitura da Ilíada. O compositor focou sua atenção especialmente na batalha crucial entre Heitor e Aquiles, e parafraseou algumas passagens do poema para uma estrutura melódica com certa fluência e parcialmente reinterpretando-a, mas nunca alterando ou distorcendo a história de Homero. O propósito da letra (e também da música) é evocar as características de alguns cenários homéricos: a tempestuosidade da batalha, a barbárie, a feroz exultação do vencedor, a tristeza e a angústia do lutador que pressente a morte sobre ele. Toda a ação se dá sobre Heitor e Aquiles, que são representados como personagens opostos, divididos por um ódio irascível e ainda assim unidos por um destino em comum. Ambos são retratados no momento da maior exaltação, enquanto regozijam sobre o sangue dos inimigos mortos, mas também de mais extrema dor, quando o demônio da guerra finalmente se apossa deles. Mais além, diferentemente do irreverente e iconoclasta Troia, a canção tem o divino como algo sempre presente, determinando os destinos dos humanos com ferocidade inescrutável, e apesar da referência genérica aos “deuses”, o verdadeiro mestre das vidas humanas é Zeus, o único deus ao qual tanto Heitor quanto Aquiles direcionam suas preces”.
— Eleonora Cavallini






Pink Floyd: a relação entre “Animal” e a obra de George Orwell


O Pink Floyd sempre bebeu do rio furtivo da filosofia. Músicas complexas e profundas são expressadas com mãos poéticas pela banda. Dinheiro, ambição, guerra, egoísmo, loucura e política são uns dos temas abordados de forma contundente pelos músicos.
Claro que, para isso, as bases literárias formam o alicerce de seus incríveis álbuns. Um exemplo é o disco “Animal”, de 1977, que foi totalmente inspirado pela obra do escritor George Orwell “Animal Farm”, publicada em 1945.
O livro de George Orwell retrata de forma “alegórica” uma revolução provinda dos animais de uma fazenda. A revolução é arquitetada por um velho porco chamado Major. A intenção do Major era que os animais fossem governados por eles próprios e não pelos humanos que os exploravam. Após a morte do Major, os porcos Napoleão e Bola-de-Neve tomam frente da revolução e expulsam os proprietários da fazenda. A partir daí, os animais passam por um período de prosperidade e bonança, porém, com a ajuda de seu “braço-direito”, Garganta, Napoleão faz acusações sobre a administração de Bola-de-Neve e com a ajuda de nove cachorros o expulsa da fazenda.
Com o comando da fazenda em suas “patas”, Napoleão começa a exercer um pesado regime de produção, explorando ainda mais os animas, tudo em troca de poucas quantidades de ração. Napoleão então passa a morar na residência dos ex- proprietário, estabelece comércio com os agricultores da região e, numa atitude bizarra, começa a andar em duas patas, fato que faz com que os outros animais não mais consigam diferenciar os porcos dos humanos.
O enredo e principalmente os personagens de a “Revolução dos Bichos” fazem um expressivo paralelo com grandes ícones da Revolução Russa de 1917.
Vamos a alguns deles:
Sr. Jones
O primeiro personagem que nos é apresentado é Sr. Jones. O fazendeiro dono da Granja do Solar é cruel com os animais, chicoteando-os e por vezes, deixando os com fome. Assim, como o último czar russo, Nicolau II. O czar foi considerado um líder anêmico e brutal com seus opositores.
Major
Ao cair da noite na fazenda, uma reunião dos bichos acontece e surge então o porco Major. Premiado e respeitado por todos os bichos, o velho porco expressa seus desejos de dias melhores para todos os animais e explica o animalismo para os animais. Major dizia que os animais trabalhavam e os humanos quem gozavam dos benefícios desse trabalho. Por isso, o porco incita uma revolta para que todos os “trabalhadores” possam ter uma vida melhor. Major apresenta um discurso alusivo de Karl Marx e o socialismo científico. Além disso, lembra Lênin, o idealista do início da Revolução Russa.
Bola-de-Neve
Como Major morre antes da revolta acontecer, dois porcos tomam a frente: Napoleão e Bola-de-Neve. Bola-de-Neve é, assim como Major, idealista e inteligente. Este pode ser comparado a Trotski, um dos líderes da Revolução de Outubro, que seguia a risca os ensinamentos de Marx.
Napoleão
De caráter bem mais agressivo e egoísta, não era tão inteligente ou bom orador como Bola-de-Neve e, por isso, arma um golpe com ajuda de nove cachorros ferozes. Obriga Bola-de-Neve a se exilar e, à custa de muita propaganda, transforma-o em inimigo da Granja dos Bichos. Napoleão é uma representação de Stalin: não seguia os ideais socialistas – sua ambição pelo poder lhe fez corrupto. Usou a KGB/cães, além de permitir a volta da igreja ortodoxa/Moisés, para manter o povo sob controle.
Garganta
Napoleão, assim como Stalin, usou do culto a personalidade para se afirmar no poder. Por não ser bom orador, usou da figura de Garganta para convencer os animais que Napoleão era um líder bondoso e corajoso. Sem ética alguma, Garganta manipulou os mandamentos do animalismo para beneficiar Napoleão, se aproveitando que grande parte dos bichos era analfabeta. Garganta representa o departamento de propaganda de Stalin que durante o governo, usou de mentiras para manter a imagem de líder.
Cachorros
Além de Garganta, o controle é mantido com o uso de cachorros. Esses eram responsáveis de oprimir os oponentes de Napoleão. Assim como a KGB, a polícia secreta de Stalin, utilizavam da força bruta para controlar o povo e eram totalmente leais ao governante.
Bichos:
Sansão, cavalo forte e trabalhador, se mantém fiel a Napoleão sem questionar e no fim, se vê traído por ele. As ovelhas, que repetem, sem entender, os lemas e canções em ode a Napoleão.As galinhas, que não se concentram em nada. E Benjamin, o burro sábio que suspeitava da Revolução e garantia que nada iria mudar.
Fonte da descrição dos personagens: Clara Rodrigues – estudante de Jornalismo do 5º período da PUC-Rio.
No álbum, o enredo se desdobra através de cinco músicas: “Pigs On The Wing – Part 1”, “Dogs”, “Pigs (Three Different Ones)”, “Sheep” e “Pigs On The Wing – Part 2”.
Apesar de ser abertamente baseado no livro de Orwell, o álbum não se prende a ele. Não usa o enredo literalmente e sim faz um paralelo com ele. Waters expressa de forma genial seu escarro contra a sociedade capitalista e seus dominadores, estes que oprimem os menos capacitados.
Em “Pigs On The Wings Part 1”, Waters faz uma “previsão”. Caso não se importasse com sua esposa (Caroline), e vice-versa, os dois por consequência viveriam no absoluto tédio e dor, onde apenas observariam a porcos voando.
Na próxima canção “Dogs”, Waters usa o animal para descrever os burgueses, logo de cara Gilmour dá conselhos a um homem sobre o mundo dos negócios, ali em forma de metáfora, ele acaba comparando o sujeito com um cachorro.
Assim como no livro, Waters usa na música “Pigs (Three Different Ones)” a ideia de que porcos dominam os outros animais. Sendo assim, ele elege três tipos de porcos. O primeiro porco representa o homem capitalista, o segundo porco representa Margareth Thatcher. Em 1977 (ano de lançamento do álbum), Thatcher era líder do Partido Conservador do Reino Unido. O terceiro porco é Mary Whitehouse. Mary foi uma ativista britânica conservadora e extremamente cristã que defendia a censura de material que contivesse cenas de sexo, violência e qualquer coisa ligada a grupos sociais referente as causas homossexuais.
As ovelhas sempre foram usadas como símbolo de submissão por parte de alguns pensadores. Waters também usou essa representação na música “Sheep”, os termos “submisso” e “obediente” são expostos sem pautas na música. Uma parte interessante gira em torno do salmo 23 da Bíblia; o trecho é uma clara crítica à Igreja pela forma cujo a qual  usa a religiosidade para criar submissão.
O desfecho do álbum “Pigs On The Wings – Part 2” tem os mesmos padrões da primeira parte, porém, nessa música, Waters afirma saber que sua esposa se importa com ele e ele por ela, portanto, nunca se sentirá sozinho. O contexto demostra ele como um cachorro, se sentindo seguro pois sabe que pode esconder seu osso num abrigo contra porcos.
“Animals” é um disco fantástico que carrega algo mais que músicas, despejando de modo ácido críticas, história e política. Se nunca ouviu o álbum ou mesmo nunca leu “A Revolução dos Bichos”, fica a dica, pois álbuns assim transformam o Rock em algo único dentro da arte.


sábado, 19 de dezembro de 2015

A História Por Trás Da Música "Unit 731" Do Slayer


O slayer lançou em 2 de Novembro de 2009 seu decimo álbum de estúdio intitulado World Painted Blood. O disco veio repleto de excelentes músicas, porem em particular falarei sobre a faixa "Unit 731".

A música retrata o bizarro acontecimento real tristemente ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial e Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945). A unidade 731 era a divisão responsável pelo programa de guerra biológica do Japão e foi a protagonista de uma das maiores atrocidades realizadas pelo exército imperial japonês.

Unidade 731

Localizada no distrito de Pingfang, na cidade de Harbin, no estado fantoche de Manchukuo (nordeste da China), a unidade era comandada pelo médico Shirô Ishi que usava seus prisioneiros (na maioria chineses), como cobaias humanas. Para eles os prisioneiros não eram seres humanos, tanto que os chamavam de "Maruta" (tronco).

Shirô Ishi 

O médico realizava ali experimentos em mulheres, crianças, idosos e até bebês, com o objetivo “cientifico” de desenvolver armas biológicas, entre os testes temos os seguintes:

. Utilização de pessoas em câmaras de vácuo
. Infectar suas cobaias com doenças
. Choques elétricos
. Autópsias e dissecações em indivíduos vivos, sem nenhum tipo de anestesia
. Injeção de ar, para ver a evolução das embolias
. Testes de congelamento, onde alguns prisioneiros eram expostos a temperaturas abaixo de zero. Com os membros completamente congelados eles eram levados ao laboratório para um descongelamento feito por técnicas experimentais, claro que ali os prisioneiros viam seus braços e pernas serem perdidos.

Com muita meticulosidade Shirô Ishi registrava e anotava tudo, Ishi mantinha seus “macacos” (como eram chamado por ele), bem alimentados e os obrigava a se exercitar, já que defendia a ideia de que quanto melhor for a saúde de sua cobaia, melhor seria os resultados.

Quando a guerra foi encerrada a unidade foi completamente destruída para que nunca a verdade fosse revelada, porem em 1989 a descoberta de cadáveres no subsolo da cidade trouxe a tona os acontecimentos no complexo, várias pessoas relataram sua história publicamente e logo já não era mais segredo o que tinha acontecido na unidade 731. 

Um tempo depois da descoberta, o governo chinês decidiu documentar o fato para que o mundo ficasse sabendo das atrocidades realizadas pelo Japão contra seu povo, então deu total apoio para o diretor Tun Fei Mou (um pseudônimo de Godfrey Ho), para fazer um filme relatando detalhadamente os bizarros acontecimentos na unidade 731, o filme chama-se “Men Behind the Sun”, em português “Campo 731: Bactérias – A Maldade Humana” a película  por sinal é quase um “snuff movie” já que traz cadáveres humanos reais.

















Mais uma história cruel e incrível que não pode ser esquecida, então fica a dica pra quem curte histórias surreais e principalmente o SLAYER, ouça a música e assista o filme pois fatos assim nos faz pensar no quão longe a maldade humana pode chegar.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

10 SHOWS DE ROCK/METAL COM ORQUESTRA


Certa vez em uma entrevista Janick Gers (Iron Maiden), disse que o Heavy Metal é a música clássica da atualidade, essa afirmação não deixa de ser verdade, mesmo o estilo portando-se esteticamente o oposto, não é segredo nenhum a influência da música clássica no heavy metal, aliás ela é uma parte peculiar de sua criação.

Os estilos mesmo sendo aparentemente opostos andam musicalmente juntos em vários pontos, principalmente em “feeling” e técnica.


Várias bandas de Rock já fizeram uma fusão com a música clássica, seja em linhas melódicas ou mesmo se apresentando junto a uma orquestra, então hoje vou listar aqui 10 apresentações de bandas dentro do Rock/Metal junto a  uma orquestra. 

1-Jethro Tull

Em 31 de dezembro de 1985 o Jethro Tull gravou junto a Orquestra Sinfônica de Londres o Álbum orquestral “A Classic Case”, o Jethro Tull nunca escondeu sua ligação com a música sinfônica e isso pode ser notado nessa incrível participação de Ian Anderson junto a Nova Filarmônica de Frankfurt executando o clássico Aqualung.


2- Deep Purple

Uma banda  que recorreu a uma orquestra em certos pontos de sua carreira foi o Deep Purple, tanto em 1969 quando Jon Lord (tecladista) compôs o “Concerto para Banda e Orquestra” que teve uma incrível apresentação junto a Royal Philharmonic Orchestra em, quanto em 2011 com a Neue Philharmonie Frankfurt no Live at Montreux, porém não será nenhuma dessas apresentações minha indicação, e sim a excelente performance no Royal Albert Hall em 2000, com a Orquestra Sinfônica de Londres, onde até mesmo Ronnie James Dio teve uma participação.


3- Kiss

Gravado em Telstra Dome, Melbourne, Austrália, o Kiss Symphony Alive IV (2003) é espetacular. A apresentação é dividida em 3 atos:

 Ato 1 o Kiss toca 6 músicas normalmente, no Ato 2 o Kiss toca com uma pequena parte da orquestra 5 músicas em formato acústico, Ato 3 o Kiss toca as outras músicas com a orquestra completa.

Os arranjos foram feitos por David Campbell, maestro da Orquestra Sinfônica de Melbourne participante do projeto.


4- Metallica

Em 1999 o Metallica grava um fenomenal show junto a Sinfônica de San Francisco intitulado, “S&M” (abreviatura para Symphony & Metallica).

O show foi gravado no Berkley's Community Theatre e traz duas músicas inéditas "Minus Human" e "No Leaf Clover".


5- Scorpions

Os alemães do Scorpions em 2000 gravaram o show Moment Of Glory com a Berliner Philharmonicer Orchestra na abertura da EXPO 2000, na cidade de Hanover.

O maestro Christian Kolonovitz refez o arranjo de todas as músicas desse show e transformou esse registro num dos mais emocionantes já gravados com orquestra, um verdadeiro MOMENTO DE GLORIA. 


6- Yngwie J. Malmsteen

Os guitarristas não poderiam ficar fora dessa, e para representar a classe trago Yngwie J. Malmsteen e sua apresentação junto a Orquestra Filarmônica Japonesa em 1998.

A apresentação foi chamada de Concerto Suite for Electric Guitar and Orchestra in E flat minor Opus1. 


7- Dimmu Borgir

Com certeza uma das mais fantásticas apresentações com orquestra que já vi. O Dimmu Borgir em 2011 gravou para uma emissora de TV Norueguesa um show junto a Norwegian Radio Orchestra e mais um elenco com 30 coristas da Schola Cantorum, o vídeo foi chamado de "Forces Of The Northern" e vale muito a pena ser apreciado.



8- Rage

O Rage flerta a muito tempo com orquestras, tanto que gravou lindos álbum com a Lingua Mortis Orchestra, destaque para os discos Speak of the Dead (2006) e Strings to a Web (2010).

Junto a Lingua Mortis Orchestra o Rage fez vários excelentes shows, principalmente no grandioso Wacken Open Air, porem a apresentação que listarei aqui é da Lingua Mortis Orchestra que teve a participação do Rage, o show aconteceu em 2013 e também fez parte do cast do Wacken Open Air, Magnifico.


9- Dream Theater

O metal progressivo do Dream Theater também comungou junto a uma orquestra, o show foi gravado no Boston Opera House em 25 de março de 2014 e teve a participação tanto da orquestra quanto do coral de Berklee College of Music.

O show chama-se Breaking the Fourth Wall e a orquestra e o coral tiveram participação nas faixas "Illumination Theory", "Overture 1928", "Strange Déjà Vu", "The Dance Of Eternity" e "Finally Free".


10- Meat Loaf

Meat Loaf com toda certeza é um cara que merece respeito, não somente por ter gravados umas das melhores “trilogias” do rock (Bat Of Hell 1, 2 ,3), mais sim também por ter superado obstáculos grandiosos desde a infância, então nada mais justo que encerrar essa lista com seu maravilhoso show Live with the Melbourne Symphony Orchestra de 2004, emocionante. 




terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Anos Clássicos – 1981


O ano de 1981 não foi somente o responsável pela estréia do astro dos vídeos games Mario, mas sim foi também um ano de importantes lançamentos no mundo do Heavy Metal. Então liguem seus capacitores de fluxo e sentem-se, pois voltaremos no tempo para listar 5 grandes álbuns lançados em 1981.
Let`s GO !!!
1-IRON MAIDEN – “Killers”

Lançado em 2 de fevereiro de 1981, o segundo trabalho do Iron Maiden veio carregado de temas interessantes, entre eles o purgatório um conto de Edgar Allan Poe alem de uma forte instrumental chamada Genghis Khan. O disco marca a despedida de Paul Di’Anno do Iron Maiden.

2- OZZY OSBOURNE – “Diary Of A Madman”


Diary Of A Madman foi o segundo álbum solo de Ozzy, mesmo não obtendo a mesma repercussão de seu antecessor, Diary Of A Madman vem recheado de ótimas musicas, “Over the Mountain”, “Flying High Again”, S.A.T.O, são algumas delas. As guitarras gravadas por Randy Rhoads são fenomenais, porem foi o ultimo a ser gravado por ele devido sua morte prematura, o disco foi lançado em 7 de novembro de 1981.

3-BLACK SABBATH – “The Mob Rules”


O ano de 81 foi também responsável por mais um lançamento do Black Sabbath com Dio, a bola da vez foi o solido disco “The Mob Rules” lançado em 4 de novembro de 1981. O álbum alcançou a marca de décimo segundo nas paradas britânicas e vigésimo nono nas americanas.

4-VENOM – “Welcome To Hell”


Talvez esse disco seja o grande responsável por influenciar os caminhos futuros do metal extremo. O disco de estréia do Venon foi lançado em 12 de dezembro de 1981 e trazia linhas vocais Punk rock e letras “satânicas”, musicas como “Sons of Satan” e “Welcome to Hell” junto a uma emblemática capa, trouxe ares ocultos e malignos ao ano de 1981.

5- SAXON – “Denim and Leather”



O quarto álbum de estúdio do Saxon é repleto de hinos, “Princess of the Night” , “Play It Loud” e “Never Surrender”  são verdadeiras referencias da NWOBHM.
Lançado em 5 de outubro de 1981 o Álbum colocou na época o Saxon em parâmetro igualitário com Judas Priest e Iron maiden.



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A Influencia Do Escritor H.P lovecraft No Heavy Metal



Não é segredo nenhum o fato que escritores e pensadores sempre foram “luz” de inspiração para bandas de Heavy metal. Aleister Crowley, Friedrich Nietzsche, William Shakespeare, William Blake, Dante Alighieri e vários outros já foram temas ou mesmo tiveram suas teorias representadas através do Heavy metal, porem creio que nenhum deles foi tão explorado quanto H.P LOVECRAFT.
Lovecraft sem duvida nenhuma é um dos escritores de maior imaginação sombria e criativa a pisar na terra, mesmo os críticos o acusando de “pobre” e “repetitivo”, Lovecraft é digno de aplausos por criar uma expressiva e original mitologia, esta que ignora quase que totalmente a religião cristã resenhando um ar sinistro e profano as suas obras.
Na riqueza de seus contos encontramos os famosos deuses alienígenas chamados de “Grandes Antigos”, uma civilização não humana que habitava a terra antes de nossa raça dominar o planeta, CTHULHU , AZATHOT e SHUB- NIGGURATH são os nomes de alguns desses “Grandes Antigos”, tais criaturas tomarão a terra novamente quando formos extintos, os seres nos consideram um simples acidente biológico, onde nossa fraca e limitada mente seria destruída caso soubéssemos a verdade que nos cerca.
Lovecraft não escrevia necessariamente apenas sobre o sobrenatural, porem sua expressividade e criatividade em descrever o obscuro através do prisma das influentes e poderosas forças malignas, logo chamaram a atenção, e muitos músicos de heavy metal viram ali um ótimo berço de inspiração, vamos a alguns exemplos:
-Iron Maiden
Imaginem um livro muito antigo e terrível, onde a simples leitura levaria à loucura. Os conhecimentos nele existente negam toda nossa historia e ciência, os rituais ali descritos podem provocar não somente a morte de quem os pratica, mais sim a destruição massiva de nossa humanidade e realidade. Esse é o livro dos mortos o Necronomicom escrito por volta de 730 d.c por Abdull Alhazred, o nome original do livro era AL AZIF (“Os ruídos das noites”).
Abdull era um grande sábio que após ter voltado de uma jornada a regiões desconhecidas, ficou louco e morreu de forma horrível, tendo sido devorado por um ser invisível em plena praça publica, os conhecimentos adquiridos pelo sábio durante sua viagem foram registrados nesse livro.
Por muito tempo (e até mesmo hoje em dia), varias pessoas acreditavam ser esse livro real, porem a verdade é que ele não passa de uma “invenção” de Lovecraft. O escritor sempre falou pouco sobre essa obra (ele mesmo escondia ter sido o criador da lenda), apenas alguns poemas foram divulgados, entre eles o que vem gravado na lápide de Eddie no disco “LIVE AFTER DEATH” do Iron Maiden:
Não está morto o que pode jazer, e, em estranhas eras, até a morte pode morrer”

-Celtic Frost
Os membros do Celtic Frost nunca negaram sua admiração por Lovecraft
Nós fomos inspirados pelos textos de Robert E. Howard, H.P. Lovecraft, Eliphas Levy, Aleister Crowley (…) e tudo isso acabou entrando nas letras de ‘Morbid Tales’. Tinha muita influência, muita ‘inspiração’ de fora da música naquela época. (Eric Ain)
A capa de “To Mega Therion” também faz uma referencia “tentacular” aos seres de Lovecraft, alem de citar e fazer várias referencias aos “Grandes Antigos” em suas musicas.

Black Sabbath
“Behind the Wall of Sleep” do álbum de estréia da banda é baseada no conto de mesmo nome do autor.

– Mekong Delta
A banda alemã de Thrash metal Mekong Delta gravou em 1988 um disco intitulado “The Music of Erich Zann”, titulo de um conto de Lovecraft sobre um violonista cujo sua musica conseguia atrair para o nosso mundo os “Grandes Antigos”.

– Mercyfull Fate
O Mercyfull Fate no disco “Time” de 1994 gravou uma musica chamada “The Mad Arab” que conta a historia de Abdull Alhazred e de seu livro Necronomicom. Em 1996 no álbum “Into the Unknown” uma continuação para essa musica foi escrita chamada “Kutulu (The Mad Arab Part Two)”.

 Crystal Eyes
Os suecos do Crystal Eyes usaram o “chamado de Cthulhu” como inspiração para o disco “Dead City Dreaming” de 2006 onde uma alusão direta a Cthulhu dormindo e sonhando no interior da cidade de R’Lyeh é feita.

-Cradle of Filth

No disco “Midian” de 2000 o Cradle of Filth traz a musica “Cthulhu Dawn” que fala sobre o despertar de Cthulhu e das conseqüências desse acontecimento para a humanidade.

-Metallica
O falecido baixista Cliff Burton do Metallica era um grande fã da mitologia dos “Grandes Antigos”, tanto que propagou os contos de Lovecraft entre os membros da banda, prova disso é que Kirk Hammet várias vezes se apresentou usando uma camiseta do filme Re-Animator (1985) inspirado na obra de Lovecraft.
Varias letras do Metallica fazem alusão aos contos lovecraftianos, uma bem conhecida esta em “The Thing that should not be” do clássico “Master of Puppets” que fala da entidade “Nyoghtha”. Porem a mais famosa creio ser a instrumental “The Call of Ktulu” do álbum “Ride the Lightning”.

Bandas como Bal Sagoth, Morbid Angel, Hypocrisy, Marduk e várias outras assumiram abertamente sua influencia em Lovecraft, em 1960 existiu também uma banda de rock psicodélico chamado H.P Lovecraft.


Em suma, vale muito a pena conhecer esse escritor e principalmente as musicas inspiradas em seus textos, pois obras assim são sempre uma aula de interpretação e feeling!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Anos Clássicos- 1980


Sabemos da expressividade e força vertentes da veia furtiva do HEAVY METAL. Esse estilo mundialmente propagado é com toda certeza o mais completo e artístico existente. Desde seu surgimento, a auto-estrada de sua historia foi pavimentada com excelentes e grandiosos álbuns.

 Através desta nova coluna, traremos a vocês todas as segundas feiras cinco grandes álbum que formaram o alicerce deste estilo que tanto amamos, pois esses “ANOS CLÁSSICOS” fizeram parte não só de nossas vidas, mais sim da historia musical do nosso planeta!

Faremos aqui uma viagem Alá “John Titor” começando nos áureos anos 80 e assim sucessivamente, essa lista por fim trará vários álbuns que com toda certeza devem ser apreciados antes que a morte velha nos afagar em seu gélido peito!

Let's GO: 

1-MOTORHEAD - "Ace of Spades"


Clássico absoluto, Ace of Spades é com certeza uma das melhores obras metálicas já gravadas. O disco foi o primeiro do Motorhead a ser lançado na terra do Tio Sam, são 36 minutos de musica alta, cru e direta. O petardo foi gravado em 8 de novembro de 1980.

2-OZZY OSBOURNE - "Blizzard of Ozz"


A carreira solo de Ozzy Osbourne é fenomenal, porem tudo começou com o espetacular Blizzard of Ozz lançado em 20 de setembro de 1980 após sua saída do Black Sabbath.

O disco traz Clássicos como "I Don't Know”, "Crazy Train”, "Goodbye To Romance", "Dee” (um tema lindo de violão), e "Mr. Crowley".  

3-BLACK SABBATH - "Heaven and Hell"


Muitos lamentavam a saída de Ozzy do Black Sabbath, porem existem males que vem para bem, e nesse caso isso veio em forma de dois clássicos, o citado acima Blizzard of Ozz e o magnífico Heaven and Hell.

O disco traz ninguém menos que o mítico RONNIE JAMES DIO nos vocais, e é sem duvida uma obra prima metálica. O disco foi lançado dia 25 de abril de 1980 e mostrou para o mundo a força renovada do Black Sabbath, indispensável! 

4-IRON MAIDEN - "Iron Maiden"


Com toda certeza esse é o disco de estréia mais influentes do metal, um disco que carrega musicas acima de seu tempo, tais como "Phantom of the Opera” e "Remember Tomorrow".

Mesmo com os próprios membros criticando a produção do disco, ele agradou (e muito), fãs e critica, tanto que alcançou no Reino Unido a quarta posição do UK Albums Chart.

O disco foi lançado em 14 de abril de 1980 e trouxe para o mundo a maior e mais importante banda de metal de todos os tempos.

5- JUDAS PRIEST - "British Steel"


O dia 14 de abril de 1980 foi realmente um ano marcante, pois alem de ser o dia do lançamento do primeiro álbum do Iron Maiden, também foi o dia do lançamento do clássico British Steel do Judas Priest.

O disco trouxe outros “ares” as composições do Judas Priest comparado aos seus lançamentos na década de 70, sem sombra de duvida British Steel é um dos melhores álbum da banda. Clássicos como "Breaking the Law”, "Metal Gods" e "Living After Midnight", até hoje são cantados a plenos pulmões em shows do Judas Priest ao redor do globo, mostrando a força afiada da lamina britânica. 

Bonus:

-SAXON - "Wells of Steel"


O segundo álbum do Saxon foi lançado em 5 de maio de 1980 e traz composições fenomenais, entre elas “Motorcycle Man”, "747 (Strangers in the Night)" e "Suzie Hold On" .


-ANGEL WITCH - "Angel Witch"


Esse primeiro disco do Angel Witch é considerado um dos mais Cult`s da New Wave of British Heavy Metal. O disco é intenso e repleto de ótimas melodias, alem de um clima pra lá de sombrio.