domingo, 18 de outubro de 2015

DISCOS ESQUECIDOS: APHRODITE`S CHILD - 666




Muitos são os discos consumidos pelas areias do tempo, então hoje vou voltar para o ano de 1972 para falar de um dos discos mais importantes (porem esquecido), da historia do rock progressivo.

 O álbum em questão foi muito controverso, polêmico, censurando e absurdamente muito bem composto e inspirado, estou falando do grupo grego Aphrodite’s Child, e de sua obra máster 666 (The Apocalypse of John, 13/18).

Pra quem não conhece, o Aphrodite’s Child era formado por dois populares nomes do rock grego, o vocalista e baixista Demis Roussos e o tecladista Vangelis. Junto ao baterista Lucas Sideras o Aphrodite’s Child fez muito sucesso na década de 60, gravando clássicos como “Rain And Tears” e “Spring, Summer, Winter And Fall”, esta ultima inclusive foi lançada aqui no Brasil.



O conceito do disco 666 (The Apocalypse of John, 13/18), é uma adaptação ao “Livro das Revelações da Bíblia”, baseado no Apocalipse de São João, do Novo Testamento, porem se engana (e muito), quem pensa que o disco é “religioso”.

A "trama" do álbum é inspirada no livro do cineasta grego Costa ferris, o conceito era simples, um grande circo com acrobatas, dançarinos, elefantes, tigres e cavalos mostrando um espetáculo referente ao fim do mundo, no qual corrobora com o tema Bíblico.

A TRAMA:
Durante o decorrer do show, em meio a diversos efeitos de luz e som, algo estranho começa a acontecer fora do circo, era a revelação da destruição do planeta. O público acredita que o que acontece fora do picadeiro faz parte do show, mas o narrador começa a alertar a platéia que aquilo é real. Então, uma imensa e vorás batalha entre o bem e o mal é travada.

O álbum foi totalmente criado por Vangelis e Costa Ferris e se tornou a principal obra do grupo.

O disco foi coberto por polêmicas, a começar pela capa. Originalmente, Vangelis queria que a capa fosse a mesma escolhida para o livro de Costas Ferris, onde o número “666” era escrito com gotas de sangue sobre um fundo totalmente preto, mais não foi aceito causando um grande desgosto em Vangelis, piorando ainda mais os problemas internos da banda, a capa escolhida tinha apenas o “666” gravado em letras brancas sobre um fundo negro e com um preenchimento vermelho em volta. Existe uma versão que saiu apenas nas primeiras edições Inglesas que se assemelha com a capa escolhida por Vangelis, porem com o escrito 666 em branco, essa versão é raríssima. É claro que muitos “temiam” o álbum por trazer estampado o numero da besta.



Muitos diziam que o álbum foi concebido sobre o efeito de uma droga chamada “Sahlep”, e isso causou um grande desconforto entre os produtores, existiam também acusações de realizações de rituais satânicos entre os membros da banda, tudo sobre a influencia do tal “Sahlep”, na verdade Sahlep é um chá turco feito com raiz de orquídea (nada tão profano!).

Outra polêmica latente era em relação a canção “∞” ( infinity), essa musica teve a participação de Irene Papas. Irene cantava num tom meio que “sexual” as frases:

“I was, I am, I am to come” (Eu era, eu sou, eu sou, virei) uma inversão de “who was, is, is to come” ( que era, é, está para vir) contida na Revelação e atribuída a Deus, porem a frase era confundida(ou interpretada), como “I was, I’m and I want your cum” (Eu era, eu sou e eu quero seu esperma).

Claro que o modo histérico cantado por Irene, mais os embalos rítmicos sexuais impostos pela percussão ajudaram e muito nisso, porem não poderia ser deixado de lado, já que o conceito dessa parte era a seguinte:

O demônio começa a utilizar esta frase dentro de seu ego e assim tenta renascer ou então criar outro ego, fazendo amor com ele mesmo até atingir o orgasmo!

Irene Papas


A faixa foi literalmente riscada na Espanha, a venda de 666 (The Apocalypse of John, 13/18), foi proibida por lá durante muitos anos devido a “∞”( infinity).

Mesmo sendo uma obra de arte do rock progressivo, 666 (The Apocalypse of John, 13/18), não vendeu bem, a censura latente sobre o álbum fez a poeira dominar as prateleiras. Roussos e Vangelis disseram que a Mercury podou muito a versão original do álbum, que era para ser lançado em formato quádruplo.

 
Arte da parte interior do disco


Todas as musicas do disco são muito bem executadas e estão a frente do seu tempo, o disco abre com sarcasmo e despeja muita criatividade, System tem polêmicas frases executadas num andamento de “marcha”,“We got the system, to fuck the system”.

Logo após as vozes cessarem, um violão muito bem ritmado da às boas vindas para Babylon, o baixo da musica é muito bem feito e rouba à atenção, a canção é acompanhada por um coro de platéia.

 A próxima musica começa com uma base de piano muito bem proposta por Vangelis, uma voz de criança faz a narração, entre as frases um coro diz, Loud, Loud, Loud, a musica decorre assim bem singela, porem quando se ouve sons de “sininhos” iniciasse a melhor musica do álbum em minha opinião The Four Horsemen começa com um angustiante e marcante vocal de Demis Roussos, a letra fala sobre os quatro cavaleiros:

E quando o Cordeiro abriu o primeiro selo,
Eu vi o primeiro cavalo.
O cavaleiro tinha um arco
Agora, quando o cordeiro abriu o segundo selo,
Eu vi o segundo cavalo
O cavaleiro segurava sua espada…

Outra musica que não posso deixar de citar é o single Break, que é praticamente uma despedida de Roussos, com um piano lindo e um excelente solo de guitarra. Break fecha o álbum de forma magnífica



Em suma, uma obra prima. Corra atrás dessa obra, principalmente se aprecia a arte exuberante do rock progressivo, pois temas como estes,  executado em alto nível, são raros e únicos.

IRON MAIDEN- O CONCEITO DE SEVENTH SON OF A SEVENTH SON




A dama de ferro dispensa apresentações, sua discografia espetacular vem a anos brindando o ouvinte com um verdadeiro orgasmo musical. Apesar da banda sempre ter um tema principal nos álbuns, como por exemplo, os egípcios em powerslave ou mais recentemente os maias em the book of souls, o IRON MAIDEN tem apenas um disco conceitual propriamente dito, o magnífico SEVENTH SON OF A SEVENTH SON.

O disco foi composto de forma “casual”, Harris e Dickinson perceberam que certas musicas escritas separadamente se encaixavam num conceito. E foi assim de forma despretensiosa que surgiu o álbum SEVENTH SON OF A SEVENTH SON no qual falaremos um pouco.

O disco é o sétimo álbum da banda e conta a historia do sétimo filho do sétimo filho, uma criança que detinha poderes paranormais, entre eles, clarividência e cura, tal poder fez com que céu e inferno lutassem para ter o garoto do seu lado.

Moonchild

A musica começa com um violão repleto de uma simplicidade quase que poética, os acordes vêm acompanhado por uma voz linda e profética magistralmente executada por Bruce Dickinson:

Sete pecados mortais
Sete maneiras de vencer
Sete caminhos santos para o inferno
E sua viagem começa

Sete rampas para baixo
Sete esperanças ensanguentadas
Sete são seus fogos que queimam
Sete seus desejos

O trecho da introdução representa as varias formas em que uma pessoa pode condenar sua alma às trevas da perdição.

Quando a musica ganha corpo, a representação lírica vem destilar seu enredo, o demônio tenta impedir o nascimento do garoto, para isso atormenta a mãe da criança, tentando fazê-la matar seu filho:

 Eu sou ele, o que não nasceu
O anjo caído que observa você
Babilônia, a prostituta escarlate
Eu me infiltrarei em sua gratidão
Você não ousa salvar seu filho
Mate-o agora e salve os mais jovens
Seja a mãe de um recém nascido sufocado
Seja propriedade do demônio,
Lúcifer é o meu nome

O demônio percebe que a mãe não ira ceder ao seu paliar, então ele se volta para a alma do sétimo filho, ameaçando o ainda não nascido com sofrimento eterno:

E se você tentar salvar a sua alma
Eu irei atormentá-lo - você não irá crescer
A cada segundo e respiração que passa
Você estará tão sozinho
que sua alma irá sangrar até morrer

Com medo de o céu tomar o garoto para seu lado, o demônio planeja a morte da criança prestes a nascer:

Sete anjos, sete demônios brigam por sua alma
Quando Gabriel está dormindo,
esta criança nasceu para morrer

Infinite Dreams

O tempo passa, o garoto nasce e o temor toma conta tanto do inferno quanto do céu, o jovem já com certa idade começa a desenvolver a clarividência, esta que vem em meio aos seus sonhos, porem sem entender, o jovem teme dormir, tentando evitar seus “pesadelos” perturbadores:

Sonhos infinitos, eu não posso negá-los
O infinito é difícil de compreender
Eu não posso ouvir aqueles gritos
Mesmo nos meus sonhos mais selvagens

Acordando sufocado em suor
Com medo de dormir novamente
Pois o sonho pode começar novamente
Alguém caçando, eu não posso me mover
Paralisado, uma estátua no pesadelo
Que sonho, quando irá terminar?
E eu o irei sobrepujar?

Sono sem descanso, a mente em confusão
Um pesadelo acaba e outro brota
Eu estou ficando com muito medo de dormir
Mas com medo de acordar agora, muito no fundo

As visões constantes fazem com que o jovem indague sobre o que há depois da morte, já que suas visões privam a jovem alma dessa informação:

Não pode ser tudo coincidência
Coisas demais são evidentes
Você me diz que é um ateu
Espiritualista? Bom, eu também não sou
Mas você não gostaria de saber a verdade
Do que está além para ter a prova
E descobrir de que lado você está?
E aonde você irá terminar, no paraíso ou inferno?

...

Tem de haver mais aqui do que isso
Ou diga-me porque nós existimos
Eu gostaria de achar que quando morremos
Eu teria uma chance outra hora
De retornar e viver novamente
Reencarnar, jogar o jogo
Novamente, novamente, novamente


Can I Play With Madness?

Neste ponto o jovem já sabe dos seus poderes, então ele procura por um profeta (um tipo de vidente), para que ele o ajude a ter domínio de seus crescentes poderes:

Dê-me o senso de perguntar
Perguntar se eu sou livre
Dê-me o senso de perguntar
De saber que eu posso ser eu mesmo
Dê-me a força para manter minha cabeça erguida
Cuspir de volta em sua cara
Não preciso de chave para abrir esta porta
Vou derrubar as paredes
Sair deste lugar ruim

Posso brincar com a loucura?
O profeta olha em sua bola de cristal
Posso brincar com a loucura?
não há visão nenhuma lá afinal
Posso brincar com a loucura?
o profeta olhou e riu de mim
Posso brincar com a loucura?
ele disse "você está cego demais para ver"

O profeta ri do sétimo filho, a zombaria faz o jovem se sentir ridicularizado, o ato faz com que ele pense que o profeta na verdade seja um charlatão e desafia o mesmo:

Eu gritei alto para o homem velho
Eu disse "não minta, não diga que não sabe"
Eu disse "você pagará por sua brincadeira
Neste mundo ou no outro"
Oh e então ele me encarou com um olhar frio
E o fogo do inferno queimou em seus olhos

A raiva toma conta do profeta...  Uma ameaça é proferida:

Ele disse "você quer saber da verdade, filho
Eu vou te dizer a verdade
Sua alma vai queimar no lago de fogo"

The Evil That Men Do

O jovem acaba se apaixonando pela filha do profeta que desafiara, o velho sabia do destino amargo e cruel do jovem, desesperado, acaba matando sua própria filha para que ela não case com o sétimo filho:

O amor é uma navalha
e eu caminhei por aquela lâmina prateada
Dormi na poeira com sua filha,
os olhos dela vermelhos com a destruição da inocência
Mas eu rezarei por ela
Eu gritarei seu nome alto
Eu sangraria por ela
Se pelo menos a pudesse ver agora

Vivendo no fio da navalha
Balançando no abismo
Vivendo no fio da navalha

O mal que os homens fazem vive para sempre

O tema lírico do refrão é uma clara referencia a frase de William Shakespeare:

“O mal que os homens fazem sobrevive a eles; o bem
geralmente é sepultado com seus ossos”.

 Quando o jovem vê sua amada morta, ele perde a esperança na humanidade, agora ele sabia do mal que os homens eram capazes de fazer, entre a dor da perda ele escolhe o lado mal para comungar:

Circulo de fogo,
meu batismo de alegria parece terminar

A sétima ovelha morta,
o livro da vida se abre perante mim
Mas eu rezarei por você
E algum dia talvez eu retorne
Não chore por mim
No além é onde aprendi

Seventh Son of a Seventh Son

O lado escuro de sua escolha acaba por ajudar o jovem a ter domínio pleno de seus poderes, agora ele estava ciente de “tudo” e assume seus poderes divinos.

A musica é uma narrativa dos momentos e evolução dos poderes do sétimo filho, desde o nascimento até o alcance Maximo de sua força:

Aqui eles resistem, todos os irmãos
Todos os filhos divididos eles cairiam
Aqui aguardam o nascimento do filho
O sétimo, o santo, o escolhido

Aqui o nascimento de uma linhagem perfeita
Nasce o que cura, o sétimo, a vez dele
Abençoado sem saber, a medida que sua vida se descortina
Vagarosamente expondo o poder que ele detém

Sétimo filho de um sétimo filho
...
Hoje nasce o sétimo
Nascido de uma mulher o sétimo filho
E ele se transformou no sétimo filho
Ele tem o poder para curar
Ele tem o dom da segunda visão
Ele é o escolhido
Então que se escreva
Então que se faça

A musica em si é épica, coberta por riffs climáticos e teclados envolventes, um tema lindo e carregado de uma aura mística e profética.

The Prophecy

Da mesma forma que o sétimo filho julgou ser charlatão o pai de sua amada, após ter uma visão onde uma vila sofreria um desastre iminente, ele tenta avisar de todas as formas os habitantes da vila sobre a tragédia, porem todos dizem que ele é apenas mais um charlatão:

Agora que eu sei que a hora certa chegou
Minha profecia certamente será verdadeira
O desastre eminente agiganta-se
E a vila inteira está destinada
Porque vocês não me escutam?
É tão difícil de entender
Que eu sou o verdadeiro sétimo filho
Sua vida ou morte de mim depende

Sua insistência em alertar os moradores da vila sobre o desastre acaba fazendo dele um portador de mau agouro. O desastre acontece, todos ali culpam o sétimo filho por ter trazido consigo uma maldição:

Agora que eles vêem que o desastre já ocorreu
Agora eles colocam toda a culpa em mim
Eles sentem que eu trouxe uma maldição
Não sabem eles que o tormento
Continua comigo, sabendo que eu ando sozinho
Pelos olhos do futuro eu vejo
Eles nem mesmo sabem o que é o medo
Eles não sabem que sou eu o amaldiçoado

The Clairvoyant

Como uma introdução marcante de baixo THE CLAIRVOYANT é estupenda e mística.
Os poderes do sétimo filho estão cada vez maiores, o grau elevado beira a loucura, ele já não sabe mais distinguir uma visão da realidade:

 Sinto o suor escorrer de minha testa
Sou eu ou são sombras que dançam na parede
Isso é um sonho ou é o presente
É uma visão ou normalidade
o que vejo diante de meus olhos

O sétimo filho esta amedrontado, seus poderes estão realmente fora de controle:

Eu pergunto por que, eu pergunto como
Parece que as forças ficam mais fortes a cada dia
Eu sinto uma força, um fogo interior
Mas eu estou amedrontado,
eu não estarei mais preparado para controlar isto

Mesmo podendo ver o futuro de todos, ele não podia tecer essas visões a si mesmo, o que tem do outro lado? Quando seria sua morte? Estas respostas eram apenas paginas brancas para o escolhido:

Existe tempo de viver e tempo de morrer
Quando é a hora de encontrar o criador
Existe um tempo para viver, mas não é estranho
Que assim que você nasce você esteja morrendo

Apenas olhando por seus olhos
Ele pode ver o futuro
penetrando em sua mente
Ver o futuro e ver suas mentiras
Mas por todo o seu poder
não poderia prever sua própria morte

E nascer novamente?

Only the Good Die Young

Enfim a morte começa a beijar o seu rosto, satã apenas ri, pois desde o começo o sétimo filho foi um fantoche, um peão para o xadrez meticuloso de satanás:

O demônio em sua mente
vai te violentar na sua cama à noite
A sabedoria da velhice,
as mentiras e ultrajes escondidos
O tempo não espera por homem nenhum
Meu futuro é revelado
O tempo não espera por homem nenhum
Meu destino está selado

Se eu cancelar o amanhã
os não-mortos me agradecerão hoje
Zombo da cara de seus profetas,
eu ridicularizo a sua moralidade
A lua está vermelha e sangrando
O sol está queimado e negro
O livro da vida está silencioso
Não há como voltar

No refrão podemos notar o quão desiludido com a humanidade o escolhido se encontra, o mal parece sempre vencer, não importa o quanto batalhe ou se sacrifique:

Apenas os bons morrem jovens
Todo o mal parece viver para sempre
Apenas os bons morrem jovens
Todo o mal parece viver para sempre
Apenas os bons morrem jovens

Mais uma vez a analogia sobre a frase de William Shakespeare e apresentada no refrão.

Por fim o sétimo filho se despede da vida e da desprezível humanidade corrompida e maldosa, o texto é excelente onde uma critica a religião e proposta:

 Andar na águas, são milagres
tudo que você pode acreditar
Meça seu caixão,
cabe nele a sua luxuria?
Então acho que vou te deixar
Com seus bispos e sua culpa
E então até da próxima vez
Tenha um bom pecado

A musica termina como em um circulo musical, os violões da introdução voltam, agora com um ar de despedida:

Sete pecados mortais
Sete maneiras de vencer
Sete caminhos santos para o inferno

Sete ladeiras para baixo
Sete esperanças ensanguentadas
Sete são seus fogos ardentes
Sete seus desejos

Seventh son of a seventh son é um dos melhores álbuns do Iron Maiden, as musicas nele contidas são lindas e carregadas de um clima místico e por vezes profético.

A lenda do sétimo filho do sétimo filho é provinda do folclore e varias regiões tem suas próprias interpretações:

Irlanda
O sétimo filho de um sétimo filho é dotado de um curador. Há vários casos de um curandeiro irlandês em Scranton, Pensilvânia. Paul Joseph Cawley foi um sétimo filho de um sétimo filho e era conhecido na cidade irlandesa de mineração de carvão para curar muitas doenças de pele. O sétimo filho de um sétimo filho é parte de um fenômeno mais geral conhecido como a "cura" (às vezes também chamado de "encanto").

Reino Unido
Acredita-se que o sétimo filho de um sétimo vai nascer com poderes mágicos!

Argentina e América Latina
Acredita-se geralmente que ele será um lobisomem, lobizón ou lobisomem. Entretanto, aplica-se apenas ao sétimo filho, então, o sétimo filho do sétimo filho, resultaria em um lobisomem filho de um lobisom
(Wikipédia)


Deixando o conceito um pouco de lado, as musicas funcionam super bem se ouvidas separadamente, até porque foram compostas assim, a genialidade fica por conta da forma inteligente como foram organizadas dentro do conceito.

Vale lembrar que recentemente um filme chamado “seventh son” foi lançado, o filme conta em parte a lenda do sétimo filho do sétimo filho, vale muito a pena conferir.




quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A MORTE DE PAUL McCARTNEY




Existem varias lendas em torno do rock, uma das mais famosas é sobre a morte de Paul McCartney, muitos acreditam que isso é um fato (e confesso que eu também), então hoje voltarei para o ano de 1966 para falar um pouco sobre a “lenda” da morte de Paul McCartney dos Beatles.

Em meados de 1966 pouco tempo depois da gravação do álbum REVOLVER, os Beatles simplesmente param de excursionar alegando ser muito difícil reproduzir ao vivo os arranjos cada vez mais complexos, nesse mesmo momento Paul McCartney sofre um acidente sem “gravidade”. Muita desconversa rondou esses “boatos” na época, e acabou por dar margem a “lenda” da morte de Paul.

Segundo a "lenda"a data da morte de Paul seria 9 de novembro de 1966, as 5 horas da manhã numa quarta feira, o acidente teria acontecido em um cruzamento e Paul teria morrido na hora, uma rádio noticiou o acidente e a morte de Paul, porem os Beatles abafaram a propagação da noticia.

 Os Beatles estavam no auge e a morte de um membro importante poderia acabar com tudo, então o empresário da banda decidiu recrutar um sósia para substituir o Beatle morto, o sósia tinha sido duble de Paul nas filmagens de “A Hard Day’s Night” e “HELP”, segundo os envolvidos nas filmagens o sósia era idêntico a Paul, o tal sujeito seria um anglo- escocês chamado Willian Campbell (algumas fontes dizem que ele se chama Billy Shears).

Existem varias pistas nos próprios discos dos Beatles que sugerem a morte de Paul, como se os membros se sentissem incomodados perante a farsa e por não poderem falar abertamente sobre isso, decidiram colocar “pistas” nos álbuns.

PISTAS :


Sgt. Pepper`s Lonely Hearts Club Band:

- Podemos notar na capa que a cena se trata de um enterro, reparem na expressão das pessoas e nas flores típicas de um funeral.


-Um arranjo de flores com o formato do baixo Hofner usado por Paul pode ser visto, alias o baixo esta virado para a direita, uma menção clara a Paul já que ele era canhoto, o baixo também tem 3 cordas uma referencia aos Beatles que agora não eram mais um quarteto.



- A capa também traz outro arranjo que aparentemente trás escrito Beatles, porem se repararmos bem esta escrito “Be At Leso” (Esta em Leso), Paul segundo a lenda teria sido enterrado na ilha de Leso.



-Sobre a cabeça de Paul tem uma mão estendida, em algumas culturas isso representa um tipo de benção para os mortos.



- Uma boneca na parte direita da capa trás em sua mão um carro de brinquedo, o carro seria do mesmo modelo em que Paul foi morto.



-Uma estatua de Shiva também está presente no cenário, Shiva é o Deus hindu da morte.


-Se colocar um espelho horizontalmente bem no meio da escrita “Lonely Heart” do bumbo da bateria e olhar a combinação da parte de cima das letras com o reflexo surge a frase one he die.outras interpretações sugerem lermos a frase como sendo I One IX He ^ Die, O significado surge da conexões de "I One"  (Onze) ,"IX" (nove em numero romanos), e  He Die,Isso revelaria a data da morte de Paul. 




-Em Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, "so let me introduce to you the one and only Billy Shears", ou ("então deixa-me apresentar a vocês o primeiro e único Billy Shears"), o suposto sósia de McCartney.

-Em "With A Little Help From My Friends". Antes da canção começar só se ouve um coro apresentando Billy Shears, referindo-se a o sósia.

-Em "Within You Without You", "we were talking about the space between us all and the people who hide them selves behind a wall of illusion never glimpse the truth then it's far too late when they pass away", ou ("nós estávamos falando sobre o espaço entre todos nós e as pessoas que se escondem atrás de uma parede de ilusão nunca vislumbram a verdade quando é tarde demais quando elas morrem") é outra citação a morte.

-Em "Good Morning Good Morning", "nothing to do to save his life" ou "nada pode ser feito para salvar sua vida". "People running around it's 5 o'clock.." ou "Pessoas andando em volta às 5 da manhã" (a hora do acidente de Paul).

-Em "A Day In The Life", "he blew his mind out in a car, he didn't notice that the lights had changed", ou ("ele estourou a cabeça em um carro, ele não percebeu que o sinal tinha mudado"), outra pista sobre a morte de Paul.


-Este fato é extremamente interessante: na contracapa do álbum, na foto dos Beatles, além do famoso detalhe que mostra Paul virado de costas para a câmera, pode-se notar George Harrison apontando o dedo indicador direito exatamente para a frase de "She´s Leaving Home", que diz "Wednesday morning at five o´clock as the day...". Dia da semana e hora da suposta morte do Beatle.


Revolver:



-Ao invés de uma foto dos Beatles, pela primeira vez foi feito um desenho para evitar que o sósia fosse desmascarado pela foto.

-A música "Taxman" seria, na realidade, sobre um Taxidermista, pessoa responsável por empalhar animais mortos e fazer parecer que eles ainda estão vivos. Na letra há referências ao acidente de Paul ("if you drive a car", "se você dirige um carro") e ao fato de Paul estar morto ("if you get too cold", "se você ficar frio"). A melhor pista é "my advice to those who die -taxman..", ou seja "meu conselho para aqueles que morrem, um taxidermista" (para que o morto continue parecendo vivo).

-Em "Eleanor Rigby", Father McKenzie seria na realidade Father McCartney, note a semelhança entre os nomes. Na letra consta "Father McKenzie wiping the dirt from his hands as he walks from the grave" ou seja "padre McKenzie (Paul McCartney) limpando a sujeira de suas mãos após sair (voltar) do túmulo".

-Na letra de "She Said She Said": "she said I know what it's like to be dead" ou "ela disse: 'eu sei como é estar morta'."

-Dr. Robert teria sido o médico responsável por tentar salvar Paul. Na letra consta: "you're a new and better man" ou "você é um homem novo e melhor" se referindo ao novo Paul. "He does everything he can, Dr. Robert" ou "Dr Robert faz tudo o que pode fazer" se refere ao fato de Dr Robert ter feito todo o possível para tentar salvar Paul.


 Magical Mistery Tour:



-Paul está vestido de leão marinho, um símbolo da morte em algumas culturas.

-Se você olhar a capa do disco em um espelho, as estrelas onde está escrito "Beatles" formam um número de telefone. Quando se ligava para este número, na época em que o disco foi lançado, ouvia-se a mensagem "You're getting closer" ("você está chegando perto"). Na realidade, tratava-se de uma menina bem humorada que havia aderido à brincadeira sobre a morte de Paul.

-No livro que vinha junto com o disco, em sua versão original, havia uma foto dos Beatles, cada um com uma rosa na lapela. Todos tinham rosas vermelhas, a não ser Paul, que usava uma rosa preta.

-Ainda no livro, em todas as fotos Paul está descalço (os mortos são enterrados descalços).

-Na foto central do encarte, na pele de resposta da bateria de Ringo está escrito "Love 3 Beatles", lembrando que os Beatles agora são apenas 3.

-No desenho dos Beatles, presente no interior do álbum, Paul aparece com o gorro cobrindo parcialmente seu rosto, além de estar com os olhos fechados. É curioso também que a poeira de estrelas que os rodeia forma uma espécie de auréola sobre a cabeça de McCartney.

-Ouvindo "I Am The Walrus" (lembre-se que Paul é o leão marinho da capa) surge a mensagem "oh untimely death" ou "oh morte prematura". A frase aparece sem a necessidade de inversão da música junta com muitas outras ao final da música, incluindo: "bury my body" e "what, is he dead?" Estas frases fazem parte de uma execução via rádio da peça King Lear de Shakespeare. Lennon as utilizou na edição com propósito desconhecido... talvez a razão possa ser encontrada se forem verificadas as palavras postas anteriormente em "Paperback Writer", que dizem "...It's based on a novel by a man named Lear..."

-Ao final de "All You Need Is Love", você pode ouvir John dizendo algo semelhante a "yes! he is dead!" O que Lennon realmente fala é "She loves you, yeah, yeah", referindo-se à tradicional canção da primeira fase dos Fab Four.


"Magical Mystery Tour" seria a jornada a que todos os fãs de Paul iriam percorrer para decifrar o enigma de sua morte.



The White Álbum:



-Em "Glass Onion": "I told you about the walrus and me-man/you know that we're as close as can be-man/well here's another clue for you all/the walrus was Paul" ou “eu falei sobre a morsa e eu/você sabe o quanto éramos próximos/aqui vai mais uma pista pra vocês todos/a morsa era o Paul.” O final um tanto quanto sombrio, na qual a música corta repentinamente dando continuidade as mensagens subliminares, e é orquestrada por George Martin.

-Em "I'm So Tired", ao ouvir o trecho final da música ao inverso, surge claramente a voz de John Lennon dizendo "Paul is a dead man, miss him miss him."

-Em "While My Guitar Gently Weeps",  os gemidos de George no final da música seriam lamentações pelo amigo: "Oh, Paul… Paul… Paul…"

-Na frase “sorry that I doubted you, I was so unfair, You were in a car crash and you lost your hair”, ou ("eu lamento ter duvidado de você, eu fui tão injusto, você sofreu um acidente de carro e perdeu o seu cabelo'') é outra citação.

-A música "Revolution #9" seria sobre a morte de McCartney (o sobrenome tem 9 letras). "My fingers are broken and so is my hair" ou "meus dedos estão quebrados e meu cabelo também". Ao ouvir o verso "number nine" ao contrário, surge a mensagem "turn me on dead man" (me transformar em homem morto). Ainda ao contrário, podem-se ouvir outras pistas, incluindo "Let me out!" (Deixe-me sair). Seria McCartney gritando para sair de seu automóvel?


-Nas fotos colocadas em várias partes do álbum duplo algumas curiosidades. Paul em uma banheira, com a cabeça para fora da água dando uma impressão assustadora de decapitação. Paul entrando em um trem ou em um ônibus e duas mãos "fantasmagóricas" prontas para levá-lo para o "outro lado" podem ser vistas atrás dele. Nas fotos em close dos 4 integrantes a de Paul revela a cicatriz da cirurgia plástica de Willian "Billy Shears" Campbell para aperfeiçoar sua semelhança com Paul. Mas obviamente a cicatriz faz parte do pequeno acidente de moto que Paul sofrera, cicatriz responsável também pelo bigode em Sgt Pepper's.



Yellow Submarine:



-Na capa, aparece novamente uma mão aberta sobre a cabeça de Paul.

-O submarino na capa se assemelha a um caixão enterrado sobre a montanha.

-Em "Only A Northern Song": "and it told you there's no one there" ou ("e ele disse que não há ninguém lá."). Referência ao Paul não estar mais com os três Beatles restantes.


Abbey Road:



-Na capa com os Beatles atravessando a rua, Paul está com o passo trocado em relação aos outros, é o único fumando e está descalço (os mortos são enterrados descalços), além de estar com os olhos fechados.

-Lennon, de branco, representaria Deus ou Jesus Cristo; Ringo, o agente funerário; Paul, o cadáver e George, o coveiro.

-O cigarro que Paul segura está na mão direita. o Paul verdadeiro era canhoto, estaria com o cigarro na outra mão.

-A placa do fusca branco estacionado na rua que é chamado de "Beetle" é "LMW" referindo se as iniciais de "Linda McCartney Widow" ou "Linda McCartney Viúva" e abaixo o "281F", supostamente referindo-se ao fato de que McCartney teria 28 anos se (if em inglês) estivesse vivo.

-Na letra de "Come Together", "one and one and one is three" ou "um mais um mais um são três", referência aos três Beatles restantes.

-Na contracapa, ao lado direito da palavra Beatles, uma imagem feita de luzes e sombras aparece. Trata-se de uma caveira, claramente, com dois olhos e boca e ao lado esquerdo haveria 8 pontos formando o número 3 (sendo então "3 Beatles").

                                                     
                                                                     




"Paul e Faul"








 Essas “pistas” podem muito bem ter sido um GRANDE golpe de marketing, porem não podemos negar o fato da mudança física e “emocional” de Paul depois do “fatídico” dia. Uma coisa latente pra mim e a mudança de voz de Paul, apesar de ser muito parecida não foge a um ouvido treinado as diferenças, os trejeitos ao tocar também me chamam a atenção pela mudança. 

Sendo verdade ou não, essa lenda é umas das que mais se perduraram, eu particularmente acredito que o Paul realmente morreu, mais sei que muitos discordam da minha opinião, o fato é que essa “lenda” ainda nos trará muitas especulações.





fonte das "pistas" -Wikipédia.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Curiosidades: Hellhorse e a Deep Web




A mente humana é bem criativa. Muitas vezes essa nossa criatividade nos leva a interpretações erradas e por vezes ignorantes. Talvez pela falta de conhecimento ou por nossa facilidade em sermos manipulados. É lógico que isso não é uma regra, porem é fato que criamos lendas mentirosas com base em nosso escasso conhecimento sobre o fato.

Sendo assim hoje falarei da desconhecida banda HELLHORSE, onde esse pré- julgamento fez com que a capa de seu álbum “Decade of Dust” fosse ligado a Deep web e pedofilia. 

Pra quem não conhece, a Deep Web é uma parte da internet onde vários sites não são indexados pelos navegadores padrões. A Deep Web é extremamente “maior” que a surface (internet comum). Por ser um território praticamente sem lei, é muito fácil achar paginas com coisas ilegais, entre elas assassinato, estupro, pedofilia e trafico de drogas.

Algumas fotos da Deep Web acabam sendo levadas para a internet comum, porém muitas delas são falsas, como no caso da foto provinda da capa do álbum “Decade of Dust” do HELLHORSE. A foto foi muito propagada na internet como sendo de um fórum da Deep Web destinado a pedofilia. Mas nada disso é verdade! 

Como dito, a foto na verdade faz parte da capa do álbum “Decade of Dust” gravado pela desconhecida banda HELLHORSE. Sabe-se muito pouco sobre esta banda, somente que o álbum foi gravado em 2011 e trata-se, em parte, sobre a antiga lenda alemã de KRAMPUS o anti- Noel.

O natal antes de ser usurpado pela igreja católica era uma tradição pagã e se via imersa às tradições germânicas, sendo assim, Krampus era uma criatura demoníaca existente no folclore alemão que punia as crianças que não se comportavam bem, levando os desobedientes para bem longe de suas casas. Krampus era a contra parte de São Nicolau que presenteava as crianças de bom comportamento.


A capa do disco traz dois homens com mascaras estranhas abraçando um garotinho, logo foi ligado à pedofilia. Devido os homens estarem de mascaras alegavam que eles estavam escondendo a identidade, mais nada disso é verdade.

A realidade é que mesmo depois do domínio cristão sob algumas crenças pagãs, Krampus ainda continuou sendo de grande importância, e por volta de XVII ele foi incorporado em celebrações cristãs em algumas partes da Europa ao lado do nosso querido “papai Noel”.


A foto na verdade apenas retrata uma dessas “celebrações”, porem as características do demônio na mascara do homem soam muito estranhas mesmo, principalmente pra quem não conhece a lenda. Krampus aparece com a enorme língua de fora, carregando correntes e um ramo de graveto nas mãos, se reparar na foto do álbum o homem carrega as mesmas coisas.


Existe muito pouca informação sobre a banda HELLHORSE, apenas musicas e o nome dos membros, nem mesmo o que cada integrante toca é mencionado. As musicas são muito boas, um Black metal ala Celtic frost, tão expressivo quanto à própria lenda de Krampus.

Membros do HELLHORSE:

-Sean Mears      
-Matthew Arrebollo       
-Nathaniel Woiwode




quinta-feira, 17 de setembro de 2015

TELLUS TERROR - EZ LIFE DV8





Sempre defendi o fato de que discos conceituais engrandecem o Rock/Metal. Montar um conceito seja ele real ou fictício, sempre trás um ar teatral e superior a obra.

 Pra mim é um privilégio ouvir álbuns conceituais nacionais, e hoje com orgulho falarei um pouco sobre o conceito do álbum EZ life DV8 do destruidor TELLUS TERROR .

Tellus terror é uma banda de “M.M.S” definido pelos membros como “Mixed Metal Styles”. Realmente a banda é uma mistura (bem brutal por sinal), de vários estilos “metálicos”, Black Metal, Death Metal, Thrash Metal, Heavy Metal, Doom Metal, Power Metal, Grindcore, Splatter e afins.

A banda traz uma característica forte e pesada que se “entrelaça” quase que poeticamente entre as guitarras, a cozinha faz das bases verdadeiras alquimias musicais, porem quando o vocal entra, somos transportados para o mudo do Tellus Terror, como em uma abdução.

O álbum chama-se EZ LIFE DV8 que se entende por “Easy Life Deviate” (Desvio Fácil da Vida), e conta a historia de como nossa vida e planeta começou, usando como base o conhecimento cientifico de nossa espécie.

O álbum conta como Tellus (planeta terra em latim), se formou. Recitando sobre como ele foi posicionado na galáxia, a banda faz analogias musicais em torno do Big Bang e a adaptação da raça humana no planeta.

A temática traz também nossos conflitos por poder, guerras e egoísmo. Descreve de forma caótica o inferno em que transformamos nosso mundo, destrinchando a ideia de como será o nosso definitivo panorama do fim dos tempos.

O álbum é concluído de forma estridente, a vã continuação da nossa espécie, ou mesmo o fim dos tempos, são na verdade idéias erroneamente interpretadas .

As letras são lindas e magistrais, o Instrumental inspirado sempre traz de fundo lindas melodias de teclado.

 É impressionante como o Tellus Terror conseguiu transmitir para as musicas “Stardust” e “Terraformer” o caos do inicio dos tempos.

A ignorância e ego do ser humano também são muito bem retratados na musica Civil Carnage. A musica cita nossas duas grandes guerras mundiais, e de forma “profética” menciona uma possível terceira guerra, na qual seria realizado com a manipulação do clima.

Uma musica que não posso deixar de falar é a Endtime Panorama, as frases iniciais são marcantes e dão inicio a uma das melhores faixas do álbum:
“Todas as formas de vida foram criadas com o mesmo instinto, para consumir a terra e os outros seres vivos, mas no final todos nos pereceremos, tornando-nos adubo para a nossa pátria chamada TELLUS”


A faixa final do álbum também é muito expressiva. Error traz a idéia de impotência e mostra como a ciência não tem conhecimento suficiente para prever o fim dos tempos. O instrumental é marcante e repleto de teclados muito bem colocados. A musica e carregada de riffs pesados, alem de linhas vocais variadas. Error encerra com grandeza o disco e deixa um gosto tangente de quero mais. 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Savatage - o conceito de "Wake of Magellan" (1998)




Wake Of Magellan” transborda em poesia e navega entre acordes inspiradíssimos e por vezes pesados. O conceito do álbum gira em torno de duas historias reais, porém “culminam” juntos ao tema fictício de Hector Del Fuego Magellan, descendente de Fernão de Magalhães. 
Pra quem não conhece, Fernão de Magalhães foi um navegador português que comandou a expedição que fez a primeira volta ao mundo.

Fernão de Magalhães


As historias reais apresentadas na obra são as seguintes:

01-O incidente com o navio tailandês (Maersk Dubai), onde o capitão mandou jogar ao mar tripulantes clandestinos.

02- A historia da jornalista Veronica Guerin , que por lutar contra o trafico de drogas em Dublin ( capital da Irlanda ), acabou sendo assassinada.

Veronica Guerin é considerada uma verdadeira heroína na Irlanda, pois sem medo denunciou a ligação de gângsteres perigosíssimos com o Irã.


Existe dois filmes baseados na historia de vida de Veronica , são eles:

When the Sky Falls, de 2000, com Joan Allen como "Sinead Hamilton".
Veronica Guerin, de 2003, estrelado por Cate Blanchett como "Veronica".













Busto de Veronica Guerin


Wake Of Magellan começa com uma linda musica instrumental chamada THE OCEAN, faixa que traz o barulho de ondas descrevendo a profunda reflexão do velho marinheiro "Magellan" a beira do mar.
Magellan com 87 anos começa a refletir sobre seu tempo perdido,cansado da vida, resolve navegar sozinho e sem rumo até que o oceano lhe tome a vida.

A próxima canção vem submersa por acordes inspirados de piano, WELCOME literalmente dá ao ouvinte boas vindas ao enredo transportando o mesmo diretamente para o mundo de Maggelan, este que parado em frente ao mar olha para sua ampulheta e pensa no tempo perdido devido sua entrega a navegação, lembra de seus amigos perdidos e na família que nunca conseguiu formar.

Com harmônicos criativos inicia-se a linda TURNS TO ME, Magellan esta em um bar tomando  vinho quando uma mulher lhe chama a atenção, os cabelos grisalhos e a pele enrugada descrevem a triste senhora que tentou ser atriz, porém sem sucesso. Magellan não teve coragem de falar com a senhora.

O violão vem saudar a próxima faixa, MORNING SUN descreve Magellan de volta a praia onde relembra sua juventude. Os acordes são de reflexão, visto que Magellan indaga o oceano em relação a deixar de viver ou esperar por mais um atordoante sol da manhã.

O peso toma conta, ANOTHER WAY vem carregado de notas abafadas junto voz rasgada de Jon Oliva. Descreve em paralelo a historia de um garoto sonhador que se cansa da vida medíocre que leva, porém esperançoso anseia por um futuro promissor. O garoto embarca no Maersk Dubai, um navio que ia para a América.

A tensão toma conta da próxima musica, BLACKJACK GUILLOTINE fala de um jovem encontrado morto na praia por Magellan, ao redor do corpo do garoto tinha embalagens com o logo “Blackjack Guillotine”, Magellan descobre que“Blackjack Guillotine” é uma marca de heroína, o jovem morreu de overdose. 

Uma musica sensacional com riifs matadores, descreve com perfeição o sentimento de lamentação de Magellan. Como o mundo pôde chegar a esse ponto? Como um adolescente consegue comprar sua própria morte? A droga foi o presente de aniversario do adolescente.

PARAGONS OF INNOCENCE começa com notas graves no piano, destrinchando com peso os padrões da inocência. O tema descreve à apatia de um dos amigos do adolescente morto em relação ao fatídico acontecimento. No momento em que Magellan cobre o corpo do jovem, um arranjo de flores é trazido pelas ondas do mar, nele estava escrito “Veronica Guerin”, Magellan pensa em dar o arranjo para o garoto, mas não acha justo dar o arranjo de um morto para  outro, porém, Segundo o oceano, a verdadeira dona do arranjo não se importaria, já que ela mesma lutou até a morte para acabar com as drogas.

A musica COMPLAINT IN THE SYSTEM (VERONICA GUERIN) Traz em suas frases iniciais  seqüências sistemáticas, notas executadas de forma programada.
“Tenho uma reclamação do sistema” é dito entre os acordes. Talvez uma analogia as denuncias de Veronica.

UNDERTURE começa com um suave piano e sons de ondas, servindo de base para Magellan que chora a beira da praia. O filho de uma senhora que passava no local indaga sua mãe em relação ao choro do velho, a mãe repreendendo a criança diz: “deixe o senhor em paz menino”. 
Quando eles vão se distanciando as ondas vão apagando suas pegadas, o menino olha pra traz e vê Magellan se levantando, o velho deixa cair sua ampulheta e ela se quebra, fazendo as areia do tempo de Magellan se juntar as do mar.

Chega à hora do “despertar”, a musica WAKE OF MAGELLAN é umas das mais lindas do álbum, e trás a tona os questionamentos do Velho, na letra Magellan demostra sua “crença”:

“Eu acredito no que os profetas disseram, os oceanos guardam seus mortos, mas à noite quando as ondas estão perto eles sussurram, e eu ouço”

O jogo de vozes dessa musica é incrível, representam as vozes dos mortos que o mar abriga. Magellan esta extremamente sem esperanças, principalmente depois de ver o garoto morto, então depois dos questionamentos decide entrar em seu barco e navegar sem rumo até sua morte...

ANYMORE nos leva de volta ao Maersk Dubai, e conta a historia de RODOLFO MIGUEL, que após descobrir que o capitão estava jogando ao mar tripulantes clandestinos, arrisca a própria vida para proteger um que conseguiu fugir aos olhos do capitão, esconde o imigrante evitando assim que ele morresse também.Rodolfo Miguel em seu interior reza a Deus para que os outros jogados ao mar sobrevivam.

Então os falantes recebem um dos melhores instrumentais de guitarra que já ouvi, inspiradíssima THE STORM retrata o momento em que Rodolfo Miguel entra com seu navio em meio a uma tempestade por deveras violenta.

Chega à hora do ponto alto do álbum, e para isso colocarei a tradução completa da linda e emocionante THE HOURCLASS.
A musica é uma narração dos acontecimentos de Magellan em direção ao seu suicídio.

A AMPULHETA 

Em pé sozinho na borda de um rio
Ele trocou sua vida por um copo cheio de lágrimas
A barganha foi rápida para alguém que a vida é menos valiosa
Quando a areia está acabando e o fim está próximo

O fim está próximo
O fim está próximo
O final está

O homem subiu a bordo e partiu para o oceano
Ele colocou no mastro toda vela que ela tomaria
Em seguida, deitou-se sobre o convés debaixo do leme
O navio era o seu caixão, este momento seu velório

Razões fugitivas
Estações fugitivas
O tempo é uma traição
Que eu devolvo para você agora

O vento tocou a vela e o navio se moveu para o oceano
O vento da tempestade definiu o rumo que ela tomaria
De uma viagem para lugar nenhum para uma alma no oceano
Do despertar de Magellan para o velório de Magellan

Razões fugitivas
Estações fugitivas
Tudo nisto
Horas e minutos
Você assume amanhã
Porque isso não significa nada
Para mim
Para mim
Para

Neste ponto Magellan percebe que tem uma pessoa no mar pedindo socorro.

No escuro, ele ouviu um sussurro
Pedindo a ele para entender
No deserto procura por água
No oceano procura por terra

No escuro, ele ouviu um sussurro
Pedindo a ele para entender
No deserto procura por água
No oceano procura por terra

E lá nas ondas
Era um homem em seu túmulo
Que viu na noite
Entre os flashes de luz
E ele
Não poderia estar lá

E tudo o que ele havia orado
Ou tinha dado
Ele agora achou ser errado
Nas garras da tempestade
E ele
Não poderia estar lá

Magellan percebe que esta errado, não é justo ele jogar fora sua vida, pois quando ele se entrega a morte , outros lutam com tudo que tem para se manterem vivos, isso significa esperança. Nem tudo estava perdido.
O jovem que pede socorro tinha sido arremessado do cargueiro “Maersk Dubai” (Espetacular), neste ponto Magellan já não mais desejava a morte, e sim queria a todo custo chegar à praia para que o jovem não morresse.

Você poderia manter a nossa vida juntas
Com segurança de volta para a praia
Você poderia conceder esta última ilusão
Apenas isso e nada mais

Você poderia manter a nossa vida juntas
Com segurança de volta para a praia
Você poderia conceder esta última ilusão
Apenas isso e nada mais

E de repente o céu sangrou seu fogo
A âncora quebrou, as correntes voaram longe
E de repente as ondas ficaram mais altas
E no escuro eu pensei tê-los ouvido dizer

Você poderia manter as nossas vidas juntas
Com segurança de volta para a praia
Você poderia conceder esta última ilusão
Apenas isso e nada mais

Desesperado Magellan ora para Deus pedindo mais uma hora de vida, somente ao ponto de salvar o rapaz.

Tudo o que eu tinha para mais um amanhã
Tudo o que eu tinha para apenas mais uma noite
E se isso não é ser eu rezo poderia me emprestar
Apenas mais uma hora final na minha vida

Alguma vez você realmente quis
Alguma vez você realmente quis

Senhor, diga-me como será
Senhor, diga-me como será

Por fim Magellan chega até a praia e consegue salvar o rapaz, então ele vê sua ampulheta no chão em perfeito estado, consertada e já com areia, o garotinho que o observava chorando a concertou. O navio de Magellan estava à deriva, porem o velho homem sabia agora do valor de sua vida, então ele corre até o bar atrás daquela mulher de cabelos grisalhos e pele enrugada, decidido a aproveitar cada minuto de vida até que o sopro da morte venha buscá-lo definitivamente.

De pé mais uma vez em um barco em um rio
Ele empurra-o enquanto permanece na terra
E vendo a ampulheta agora muito mais clara
Que alguém havia recarregado manualmente

E em algum lugar aquele barco está agora à deriva no mar
O mastro a todo vapor e não há ninguém a bordo
A ampulheta já não fica à beira-mar
Apenas suas pegadas sozinhas na praia
E logo elas não estão mais
Não mais
Não mais


Assim se encerra esse lindo e poético álbum, musicas inspiradas e três historias que formam uma só, WAKE OF MAGELLAN é um dos melhores álbum conceituais já gravados. Inspiradíssimo.