quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Malefactor: o contexto histórico existente na faixa “300 From Sparta”



O Malefactor lançou em 2003 um expressivo álbum intitulado “Barbarian”. O disco foi produzido por Jerônimo Cravo e conta com músicas pesadas e técnicas, destilando um Death/Black Metal digno de atenção, visto o capricho nas composições. “Echoes of Lemuria”, “Barbarian Wrath” e “Followers of The Fallen” são uns dos excelentes destaques. Ele ainda conta com um brutal cover da canção “A Touch Of Evil”, do Judas Priest, porém, em particular, hoje falarei da marcante faixa “300 From Sparta”.
A canção de pouco mais de quatro minutos retrata de forma musical a real batalha no desfiladeiro das Termópilas, entre gregos e persas. O confronto aconteceu por volta de agosto em 480 a. C. e ficou conhecido como a Segunda Guerra Médica.
A invasão, que partiu dos persas, foi um tipo de “resposta” contra a Primeira Guerra Médica, vencida pelos atenienses na batalha de Maratona. Xerxes, o então rei persa, que dispunha de um numeroso exército além de uma temida marinha, partiu então para sua ambiciosa “conquista”, porém, em resposta à iminente invasão, um general ateniense chamado Temístocles propôs que os aliados gregos anulassem o avanço do exército Persa em Termópilas, enquanto outros bloqueavam o avanço da marinha de Xerxes no estreito de Artemísio.

A aliança entre as pólis Gregas, deu a Esparta o comando da batalha, porém, devido a uns empecilhos burocráticos e religiosos, Leônidas, rei e general espartano, não pôde levar seu exército para a batalha. Sendo assim, Leônidas, que sabia da importância do combate, juntou sua guarda pessoal de 300 homens e partiu rumo ao estreito de Termópilas, com o intuito de retardar o avanço persa.
O exército de Leônidas dispunha de uma técnica de formação chamada “falange” (Phalanx), onde os soldados eram alinhados em colunas coesas, protegidos por escudos e lanças apontadas para frente. A falange era praticamente uma barreira virtual intransponível. Essa força, junto ao terreno estreito de Termópilas, anularia a vantagem numérica de Xerxes. Leônidas, além de seus bravos 300, também contava com o apoio de 7.000 soldados formados por aliados gregos. Xerxes, por sua vez, administrava uma massa colossal com mais de 300 mil homens.
Xerxes esperou quatro dias pela desistência dos espartanos devido sua minoria, porém, quando viu que ninguém estava disposto a sair de lá sem antes lutar, ordenou então um ataque. Durante a batalha, a falange espartana se portou intransponível. A técnica superior, somada à vantagem do terreno, acabou por dar uma incrível vitória aos 300 espartanos. Humilhado, Xerxes manda no segundo dia de luta seus melhores soldados: a elite persa denominada “Imortais”.
Mas a falange espartana mais uma vez se mostrou superior. Os soldados da elite persa caíram um a um, e mais uma vez, Xerxes observa seus soldados serem massacrados por “míseros” 300 homens. Ali, sobre o manto da derrota e da vergonha, Xerxes é agraciado com uma informação que daria fim ao exército de Leônidas: Ephialtes, um dos gregos, desertou para o lado persa e informou Xerxes de uma passagem alternativa por Termópilas. A passagem era uma antiga trilha de bodes. Sendo assim, os espartanos foram cercados e arrastados para uma pequena montanha, onde, enfim, foram mortos.
A música do Malefactor começa com um pequeno solo de bateria (detalhe para o efeito de ‘flanger’ no instrumento), então, um riff potente junto a um tapete de teclados climáticos enchem o ar, dando um toque grandioso a faixa. Após a mudança de ritmo, o canto se inicia de forma expressiva e por vezes narrativa, até explodir em um espetacular pré-refrão. A faixa descreve alguns dos acontecimentos históricos em Termópilas, e um exemplo é o trecho que cita o mês da batalha: “agora é agosto, a lua cheia está brilhando para nós, Xerxes está sorrindo”.
A bravura dos 300 de Esparta conseguiu causar um grande impacto sob as tropas de Xerxes, enfraquecendo vigorosamente a força invasora, tanto que, nas batalhas posteriores, os persas foram facilmente derrotados, tanto em terra quando em mar.
Existem alguns filmes que retratam esses acontecimentos. Um deles é “Os 300 de Esparta”, lançado em 1962. Contudo, creio que o mais conhecido por nossa geração seja o famoso “300”, lançado em 2007, co-escrito e dirigido por Zack Snyder, que trazia Gerard Butler no papel do rei Leônidas.

O filme recebeu críticas mistas. Alguns, aliás, acusam a obra de ser caricata. Porém, isso é devido a fonte “gráfica” usada por Snyder. O filme foi totalmente inspirado visualmente nas HQ’s de Frank Miller lançadas em 1998.
Compare algumas cenas:

A história dos 300 destila toda a perseverança e coragem em nome da liberdade. Leônidas e seus bravos 300 provaram para o mundo que a opressão e o misticismo podem sim ser combatidos de forma contundentes. Ali, no estreito de Termópilas, a história registrou uma batalha onde homens livres enfrentaram um poderoso tirano, que poucos enfrentaram muitos, e no fim, até mesmo um “deus rei” sangrou pela lança da esperança.
Vale muito apena conferir o disco “Barbarian” do Malefactor, e principalmente mergulhar entre os acordes de “300 From Sparta”, pois músicas assim são praticamente uma aula de história.


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